AGRONEGÓCIO

Preço do feijão entra em nova fase após perdas climáticas no Paraná e retenção da oferta em Minas e Goiás

Publicado em

O mercado brasileiro de feijão passou por uma importante reconfiguração nesta semana, marcada pela combinação entre adversidades climáticas no Paraná, retenção da oferta por produtores de Minas Gerais e Goiás e desaceleração da demanda das empacotadoras. O resultado foi um ambiente de baixa liquidez, forte seletividade na qualidade dos lotes e redefinição das referências de preços em diversas regiões produtoras.

Após as expressivas valorizações registradas em maio, o setor agora enfrenta um período de ajuste, influenciado pela entrada da segunda safra e pela postura defensiva dos compradores, que aguardam novas acomodações antes de ampliar as aquisições.

Segundo análise da Safras & Mercado, a comercialização perdeu intensidade, dificultando a formação de preços consistentes e reduzindo o volume de negócios no mercado físico.

Chuvas e geadas reduzem potencial produtivo no Paraná

O principal fator de sustentação do mercado nesta semana veio das condições climáticas enfrentadas pelo Paraná, um dos maiores produtores nacionais de feijão.

As chuvas persistentes interromperam a colheita da segunda safra em diversas regiões do estado, enquanto episódios de geada e excesso de umidade comprometeram parte da qualidade dos grãos.

De acordo com informações amplamente acompanhadas pelo setor, as perdas já podem se aproximar de 38% do potencial produtivo inicialmente previsto para a safra paranaense.

O cenário provocou aumento da oferta de feijões comerciais e intermediários, mas reduziu a disponibilidade dos lotes classificados como extra e de melhor padrão de qualidade.

Além disso, cerca de 31% das áreas cultivadas ainda permanecem sem colheita, fator que mantém elevada a incerteza sobre a oferta efetiva que chegará ao mercado nas próximas semanas.

Minas Gerais e Goiás assumem protagonismo na formação dos preços

Enquanto o Paraná enfrenta dificuldades climáticas, Minas Gerais e Goiás passaram a exercer maior influência sobre a formação dos preços nacionais.

Leia Também:  Grupo DVA retorna ao mercado de agroquímicos no Brasil

Produtores irrigados da terceira safra adotaram uma estratégia de comercialização gradual, reduzindo a disponibilidade imediata de produto e evitando uma pressão ainda maior sobre as cotações.

A retenção da oferta tem contribuído para sustentar os preços dos feijões de melhor qualidade, mesmo diante da queda observada nas referências FOB em importantes estados produtores.

Os lotes classificados como extra continuam apresentando maior resistência à desvalorização, refletindo a escassez relativa desse padrão no mercado.

Mercado vive disputa entre oferta seletiva e demanda enfraquecida

O setor encerra a semana em um cenário de equilíbrio delicado entre uma demanda ainda retraída e uma oferta cada vez mais seletiva em termos de qualidade.

As empacotadoras seguem comprando apenas o necessário para atender compromissos imediatos, enquanto o varejo mantém ritmo lento de reposição, limitando a recuperação dos preços.

Apesar disso, analistas não descartam uma possível estabilização das cotações durante a segunda quinzena de junho, caso a indústria necessite recompor estoques e aumentar o volume de compras.

Feijão preto registra forte correção nos preços

O mercado de feijão preto enfrentou uma das semanas mais difíceis de 2026, com baixa liquidez, escassez de negociações relevantes e sucessivas revisões negativas nas referências de preços.

Compradores permaneceram afastados do mercado, adquirindo apenas volumes pontuais para atender necessidades imediatas, enquanto produtores resistiram em aceitar os novos patamares de negociação.

A ausência de negócios expressivos dificultou a definição de um piso consistente para os preços, ampliando a sensação de indefinição nas principais regiões produtoras.

Cotações recuam abaixo de R$ 220 por saca

A correção observada nas últimas semanas foi significativa.

Enquanto diversas regiões trabalhavam com preços superiores a R$ 250 por saca há pouco tempo, atualmente as indicações de mercado variam entre R$ 200 e R$ 220 por saca em boa parte do Sul do Brasil.

Leia Também:  Arco Norte se consolida como eixo estratégico das exportações de grãos

Em áreas do Oeste de Santa Catarina e do Sul do Paraná, as referências já operam próximas ou até abaixo da marca de R$ 200 por saca.

Mesmo após essa forte desvalorização, a demanda continua sem demonstrar capacidade de reação suficiente para impulsionar uma recuperação mais consistente das cotações.

Clima segue no radar do mercado

As condições climáticas continuam sendo um dos principais fatores de atenção para os agentes do setor.

As chuvas excessivas e os episódios localizados de geada registrados no Paraná levantam dúvidas sobre o volume efetivamente disponível para comercialização e sobre a qualidade final da produção.

No entanto, diferentemente de outros momentos em que perdas produtivas impulsionaram altas expressivas nos preços, o atual cenário de consumo enfraquecido tem limitado o impacto positivo dessas adversidades climáticas sobre as cotações.

Perspectiva para o mercado de feijão

O mercado brasileiro de feijão segue em processo de ajuste e descoberta de preços. A combinação entre perdas climáticas, retenção da oferta por parte dos produtores e demanda moderada cria um ambiente de elevada volatilidade e incerteza.

Nas próximas semanas, o comportamento das colheitas no Paraná, a estratégia de comercialização dos produtores da terceira safra e o ritmo de reposição da indústria serão determinantes para definir a direção dos preços.

Enquanto isso, a oferta de feijões de qualidade superior tende a permanecer restrita, fator que pode limitar novas quedas e favorecer uma eventual recuperação do mercado no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

GERAR Leite da Zoetis eleva taxa de prenhez em vacas leiteiras de 36,7% para 39,4% no Brasil

Published

on

O programa GERAR Leite, iniciativa da Zoetis voltada ao aprimoramento da reprodução bovina, registrou avanço significativo nos índices reprodutivos da pecuária leiteira brasileira em 2025. A taxa média de prenhez em vacas leiteiras passou de 36,7% para 39,4%, segundo levantamento com mais de 450 mil dados coletados em fazendas do país.

Os resultados foram apresentados durante encontros realizados em Uberlândia (MG) e Chapecó (SC), que reuniram cerca de 180 profissionais entre médicos-veterinários, pesquisadores, consultores e técnicos do setor.

Programa GERAR consolida duas décadas de evolução na reprodução bovina

Criado em 2006, o GERAR (Grupo Especializado em Reprodução Aplicada ao Rebanho) nasceu com foco na pecuária de corte e, em 2014, passou a incluir a pecuária leiteira. A iniciativa reúne academia, indústria e profissionais de campo para promover a troca de conhecimento técnico e impulsionar resultados produtivos nas fazendas.

Segundo a Zoetis, o programa se consolidou como uma das principais redes de geração e aplicação de conhecimento em reprodução bovina no Brasil, com foco em eficiência e produtividade.

Levantamento com 450 mil dados aponta avanço da eficiência reprodutiva

O estudo mais recente do GERAR Leite analisou mais de 450 mil registros reprodutivos em propriedades leiteiras brasileiras — o maior volume já coletado pelo programa.

Leia Também:  Grupo DVA retorna ao mercado de agroquímicos no Brasil

Os dados indicam evolução nos principais indicadores:

  • Vacas primíparas e multíparas: taxa de prenhez subiu de 36,7% para 39,4%
  • Novilhas: aumento de 42% para 43,9%

Os resultados refletem a maior adoção de boas práticas de manejo, melhorias genéticas e estratégias para redução dos impactos do estresse térmico.

Inseminação Artificial em Tempo Fixo impulsiona ganhos produtivos

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) segue como uma das principais tecnologias utilizadas para elevar a eficiência reprodutiva nos rebanhos leiteiros.

De acordo com especialistas do programa, a técnica tem contribuído para maior previsibilidade dos resultados e aumento dos índices de prenhez em vacas.

Para Verônica Schvartzaid, gerente de Produto da linha de Reprodução de Ruminantes da Zoetis Brasil e responsável pelo GERAR, o avanço é resultado direto da adoção consistente de tecnologias e recomendações técnicas.

“A adoção consistente de boas práticas e tecnologias reprodutivas gera ganhos concretos para os produtores”, destacou.

Novilhas ainda representam oportunidade de avanço na pecuária leiteira

Durante os encontros do GERAR Leite 2026, especialistas destacaram que a adoção da IATF em novilhas ainda é menor do que em vacas leiteiras, o que representa uma oportunidade de melhoria na eficiência dos sistemas produtivos.

Leia Também:  Laranja: Dinâmica de preços na entressafra, pela Consultoria Agro Itaú BBA

O uso mais amplo da tecnologia pode antecipar a idade ao primeiro parto, reduzir o intervalo produtivo e aumentar o desempenho econômico das propriedades.

Segundo Francisco Lopes, gerente técnico de Reprodução da Zoetis, cada ganho de tempo no ciclo reprodutivo impacta diretamente os resultados da fazenda.

“Quando falamos de eficiência reprodutiva, cada dia ganho faz diferença para o resultado da fazenda”, afirmou.

Integração entre ciência e campo fortalece pecuária leiteira

Ao completar duas décadas, o GERAR reforça seu papel como ponte entre pesquisa científica, inovação tecnológica e aplicação prática no campo.

A iniciativa busca ampliar a eficiência reprodutiva dos rebanhos leiteiros brasileiros, promovendo capacitação técnica e disseminação de boas práticas em reprodução bovina.

Com os resultados mais recentes, o programa evidencia a evolução contínua da pecuária leiteira nacional, sustentada por tecnologia, gestão e conhecimento aplicado.

Caderno GERAR Leite 2026

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA