AGRONEGÓCIO

IGP-DI sobe 1,14% em março com impacto de conflito no Oriente Médio

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O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,14% em março, revertendo a queda de 0,84% observada em fevereiro, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou próximo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 1,12%, e levou o índice a acumular recuo de 1,30% em 12 meses.

Conflito no Oriente Médio pressiona preços

De acordo com o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, março foi o primeiro mês em que os indicadores passaram a refletir de forma mais clara os impactos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio.

O cenário geopolítico, que incluiu uma guerra de seis semanas com interrupções relevantes no fornecimento global de energia, elevou os custos de insumos estratégicos, influenciando diferentes setores da economia.

Preços ao produtor lideram alta do índice

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), responsável por 60% do IGP-DI, avançou 1,38% em março, após queda de 1,21% no mês anterior.

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Segundo a FGV, as maiores pressões ainda vêm de produtos agropecuários, mas itens sensíveis ao cenário internacional, como combustíveis e fertilizantes, já aparecem entre os principais responsáveis pela alta, reforçando o peso da conjuntura global sobre os preços ao produtor.

Inflação ao consumidor também acelera

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do indicador, subiu 0,67% em março, após recuo de 0,14% em fevereiro.

A principal pressão veio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, com variações superiores a 10% em algumas capitais, evidenciando diferenças regionais no comportamento dos preços.

Custos da construção seguem em alta

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também apresentou aceleração, com alta de 0,54% em março, ante 0,28% no mês anterior.

De acordo com a FGV, itens intensivos em energia, como cimento, blocos e massa de concreto, foram impactados pelo encarecimento dos insumos energéticos, refletindo a pressão do cenário externo sobre o setor.

Indicador reflete toda a cadeia econômica

O IGP-DI mede a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil entre o primeiro e o último dia do mês de referência. Por sua abrangência, é considerado um dos principais termômetros da inflação em diferentes etapas da economia brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Senado avança em projeto que pode destravar até R$ 200 bi para produtores endividados

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A articulação para criar uma ampla renegociação das dívidas do agronegócio ganhou força no Senado e pode abrir caminho para a liberação de até R$ 200 bilhões em crédito voltado à repactuação de débitos acumulados por produtores rurais nos últimos anos. A medida foi incorporada ao Projeto de Lei 5.122/2023 e prevê o uso do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) como base para sustentar operações de alongamento e reorganização financeira no campo.

A proposta surgiu a partir de uma emenda apresentada pela vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina, que autoriza o governo federal a ampliar em até R$ 20 bilhões sua participação no fundo. Na prática, o recurso funcionaria como garantia para destravar renegociações junto às instituições financeiras.

A avaliação dentro do setor é de que o modelo pode criar uma espécie de “colchão de segurança” para os bancos ampliarem prazos, reduzirem pressão sobre o caixa dos produtores e evitarem uma escalada ainda maior da inadimplência rural.

O tema ganhou prioridade dentro da bancada do agro diante do avanço das dificuldades financeiras no campo. Nos bastidores, parlamentares e lideranças do setor reconhecem que a combinação entre juros elevados, queda na rentabilidade de importantes commodities, problemas climáticos sucessivos e aumento do custo operacional criou um ambiente de forte pressão sobre o produtor rural.

Segundo dados do Banco Central, a inadimplência do crédito rural para pessoas físicas saiu de 2,7% em janeiro de 2025 para 7,3% em janeiro de 2026. Nas operações com juros livres de mercado, os índices já superam 13%.

Presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) afirma que o avanço do endividamento deixou de atingir apenas produtores pontualmente descapitalizados e passou a atingir propriedades tecnificadas e economicamente estruturadas.

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“Hoje o problema não está restrito ao produtor que administrou mal a propriedade. O que vemos é um estrangulamento financeiro provocado por juros muito altos, margens comprimidas e sucessivas perdas climáticas. Muitos produtores que sempre foram considerados excelentes pagadores começaram a enfrentar dificuldade de fluxo de caixa”, afirma.

Segundo ele, a criação de um mecanismo estruturado de renegociação se tornou fundamental para evitar impacto mais amplo sobre toda a cadeia produtiva do agro brasileiro.

“O produtor rural sustenta uma atividade de ciclo longo, altamente dependente de clima, mercado internacional, câmbio e crédito. Quando há uma quebra nessa engrenagem, o efeito não fica apenas dentro da fazenda. Isso atinge cooperativas, revendas, transportadoras, cerealistas, agroindústrias e municípios inteiros cuja economia depende diretamente da produção agropecuária”, diz Isan Rezende.

O projeto em discussão no Senado prevê que o FGI seja utilizado como garantia para operações futuras de renegociação, permitindo maior segurança aos agentes financeiros. Integrantes da FPA avaliam que os R$ 20 bilhões previstos para o fundo poderiam destravar inicialmente cerca de R$ 70 bilhões em crédito, com potencial de alcançar até R$ 200 bilhões dependendo da adesão das instituições financeiras e da modelagem operacional.

Além do fundo garantidor, o texto também prevê a criação de uma linha emergencial de até R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Social, destinada especificamente à prorrogação de dívidas rurais.

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O projeto tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sob relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), com expectativa de votação ainda nesta semana. A bancada ruralista tenta acelerar a tramitação para que as novas regras entrem em vigor antes do lançamento do próximo Plano Safra.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares do agro tratam o tema como prioridade absoluta diante do aumento das recuperações judiciais no campo e do crescimento da pressão financeira sobre produtores de diferentes portes e regiões do país.

Para Isan Rezende, o debate vai além de uma renegociação pontual e pode marcar uma mudança estrutural no modelo de financiamento agropecuário brasileiro.

“O Brasil construiu uma potência agrícola baseada em produtividade, tecnologia e expansão de mercado, mas ainda carrega um sistema de crédito extremamente vulnerável aos ciclos econômicos e climáticos. O que está sendo discutido agora pode representar um novo marco para o financiamento rural, criando condições mais modernas e sustentáveis para o produtor continuar investindo, produzindo e gerando riqueza”, afirma.

A preocupação do setor aumentou nos últimos meses diante da elevação da taxa Selic, da queda dos preços internacionais de algumas commodities agrícolas e da dificuldade de muitos produtores em renovar crédito de custeio e investimento para a próxima safra.

Integrantes da FPA também defendem que a aprovação rápida do projeto pode evitar retração mais forte nos investimentos do agro em 2026, principalmente em tecnologia, expansão de área, máquinas e infraestrutura dentro das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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