AGRONEGÓCIO

Mercado de Algodão: Demanda doméstica moderada e variação nos custos de produção

Publicado em

A demanda doméstica por algodão no Brasil se manteve voltada tanto para o mercado disponível quanto para o futuro, mas sem grandes volumes de negociação. Enquanto as tradings negociavam contratos para a safra 2024/25, a indústria operava com compras de menor escala, conforme relatou a Safras Consultoria.

O preço da pluma doméstica apresentou uma leve alta durante a semana, encerrando a quinta-feira (25) a R$ 4,00 por libra-peso (sem ICMS) no CIF de São Paulo, um aumento de 1,27% em relação ao valor da semana anterior. O algodão para exportação FOB no porto de Santos também registrou aumento, chegando a 75,22 centavos de dólar por libra-peso, comparado aos 73,02 centavos de dólar da semana anterior.

Essa elevação nos preços resultou em um prêmio mais apertado para o algodão brasileiro na Bolsa de Nova York, com o contrato para julho de 2024 apresentando um valor negativo de -5,86 centavos por libra-peso. Uma semana antes, esse valor era de -7,59 centavos por libra-peso contra a ICE US.

Leia Também:  Expectativa de aumento na produção global pressiona preços do açúcar no mercado internacional
Custos Operacionais em Mato Grosso

Em relação ao custo operacional efetivo para a safra de algodão 2024/25, o projeto Acapa-MT divulgou um relatório que mostra uma leve redução de 0,22% em março de 2024, comparado ao mês anterior, com um custo estimado em R$ 13.408,01 por hectare. Comparando com a safra 2023/24, a queda foi de 2,09%.

O fator que contribuiu para essa diminuição foi a redução de 0,47% nos custos com fertilizantes e corretivos, em especial os macronutrientes, que tiveram uma queda de 0,45% em relação a fevereiro de 2024. Entre as safras de 2023/24 e 2024/25, a principal razão para a redução nos custos foi o menor gasto com operações de pós-produção, como classificação e beneficiamento, que registraram uma queda significativa de 49,75%.

Cobertura de Custos para Produtores

Para que os produtores de algodão possam cobrir seu Custo Operacional Efetivo (COE), considerando a produtividade da safra 2023/24, é necessário negociar a pluma por pelo menos R$ 113,39 por arroba. Essas informações foram fornecidas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Leia Também:  Abiarroz intensifica ações para abertura do mercado chinês ao arroz brasileiro

Assim, a tendência do mercado de algodão no Brasil continua sendo de negociação moderada, com variações nos custos operacionais e oscilações nos preços. Os dados refletem uma demanda doméstica estável, porém sem volumes expressivos, e a busca por preços que sustentem a viabilidade dos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

Published

on

A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

Leia Também:  Doença do Edema: Desafios e Prevenção na Suinocultura Pós-Desmame

No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

Leia Também:  Dólar em queda e mercado atento às decisões do Copom e Fed na próxima semana

A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA