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China ultrapassa Rússia e se torna principal fornecedora de fertilizantes ao Brasil

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A China consolidou sua posição como maior fornecedora de fertilizantes ao Brasil, superando pela primeira vez a Rússia, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Entre janeiro e outubro de 2025, o país asiático exportou 9,77 milhões de toneladas de adubos ao mercado brasileiro — volume ligeiramente superior aos 9,72 milhões de toneladas provenientes da Rússia.

Apesar da diferença pequena, o ritmo de crescimento chinês impressiona: as exportações da China ao Brasil avançaram 51% no período, enquanto as russas subiram apenas 5,6%. A tendência reforça a mudança no perfil de fornecedores do agronegócio brasileiro, antes concentrado em insumos de origem russa.

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Brasil importou US$ 6,1 bilhões em produtos do agronegócio da China até outubro — um aumento de 24% em relação ao mesmo período de 2024.

China amplia presença no mercado de sulfato de amônio

O crescimento das importações chinesas foi impulsionado principalmente pelo sulfato de amônio, um fertilizante nitrogenado amplamente utilizado nas lavouras brasileiras. Enquanto isso, a Rússia mantém sua liderança no fornecimento de cloreto de potássio, essencial para a adubação de culturas como soja e milho.

Juntas, China e Rússia respondem por cerca de 50% do volume total de fertilizantes importados pelo Brasil. O país ainda tem como principais fornecedores Canadá, Marrocos e Egito, completando o ranking dos cinco maiores parceiros comerciais no setor.

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Nos dez primeiros meses de 2025, as importações totais de fertilizantes somaram 38,3 milhões de toneladas, alta de 4,6% sobre 2024. Em valores, os gastos brasileiros chegaram a US$ 13,2 bilhões, um avanço de 16%, segundo a Secex.

Preços seguem estáveis, mas mercado ainda é volátil

De acordo com a CNA, o mercado internacional de fertilizantes mantém tendência de estabilidade, especialmente nos produtos fosfatados, cuja demanda enfraqueceu em grandes compradores como Brasil, Índia e Estados Unidos.

Os fertilizantes potássicos também seguem com preços equilibrados, devido à ausência de compradores chineses e aos estoques regulares em países produtores. Já o segmento de nitrogenados apresenta maior volatilidade, com a China ampliando a oferta e a Índia entrando com força nas compras.

Em outubro, os preços caíram em relação a setembro, mas ainda estão acima dos valores registrados em 2024. A relação de troca melhorou para produtores de soja, milho e café, favorecendo a compra de insumos. Já o cotonicultor enfrenta um cenário adverso, com queda nos preços da fibra e custos ainda elevados de fertilizantes fosfatados.

Entregas e demanda de fertilizantes atingem recorde histórico

O consumo brasileiro de fertilizantes deve atingir novo recorde em 2025, de acordo com estimativas da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda). Até agosto, o setor já havia registrado 30,5 milhões de toneladas entregues, um aumento de 9% sobre o mesmo período do ano passado.

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A expectativa da CNA é que 2026 registre um volume ainda maior, impulsionado pela expansão da área cultivada e pelo aumento dos investimentos no campo.

Importação de agroquímicos também cresce com forte presença chinesa

Além dos fertilizantes, o Brasil ampliou suas importações de agroquímicos (como herbicidas, fungicidas e inseticidas), que chegaram a 863 mil toneladas até outubro — crescimento de 33% em volume e 21% em valor, somando US$ 4,67 bilhões.

A China responde por 70% das importações brasileiras desses produtos, consolidando sua liderança no fornecimento de insumos agrícolas. Em seguida, aparece a Índia, com 11% de participação no mercado.

Brasil fortalece dependência externa de insumos agrícolas

O avanço das compras de fertilizantes e defensivos reforça o papel estratégico das relações comerciais do Brasil com a China, que se consolida não apenas como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, mas também como grande fornecedora de insumos essenciais à produção rural.

Especialistas alertam, porém, que essa dependência externa pode representar riscos ao setor, especialmente diante da volatilidade cambial e das tensões geopolíticas que influenciam os custos logísticos e de importação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Encontro entre Trump e Xi Jinping afeta mercado brasileiro

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O encontro realizado nesta quarta-feira (13.05) entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Chinês, Xi Jinping, acabou acabou repercutindo também no Brasil. A reunião esfriou as expectativas de novos acordos comerciais envolvendo compras chinesas de grãos norte-americanos e pressionou as cotações na Bolsa de Chicago, principal referência global para formação dos preços pagos ao produtor brasileiro.

Nos últimos dias, parte do mercado apostava que o encontro poderia abrir espaço para uma nova rodada de compras chinesas da soja dos Estados Unidos, movimento que historicamente costuma mexer com os preços internacionais. Mas o discurso adotado após a reunião foi mais cauteloso. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que os compromissos já assumidos pela China seriam suficientes para manter o fluxo atual de importações, sem necessidade de ampliar significativamente as aquisições.

A reação em Chicago foi imediata. Sem perspectiva de aumento da demanda chinesa pelos grãos americanos, os contratos futuros da soja perderam força. O movimento ganhou ainda mais peso após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgar vendas externas abaixo do esperado, aumentando a pressão sobre o mercado.

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Para o produtor brasileiro, o impacto aparece principalmente na formação dos preços internos. Mesmo com o Brasil mantendo forte competitividade nas exportações e uma safra elevada, a queda em Chicago limita reações mais fortes nas cotações pagas nos portos e no interior.

Ao mesmo tempo, o cenário reforça uma leitura importante para o agro nacional: a China segue buscando diversificar fornecedores e não demonstra intenção de concentrar as compras apenas nos Estados Unidos. Nesse contexto, o Brasil continua ocupando posição estratégica no abastecimento chinês, especialmente em um momento de ampla oferta nacional e embarques em ritmo recorde.

Analistas do setor avaliam que o mercado deve continuar bastante sensível aos próximos movimentos diplomáticos entre Washington e Pequim, já que qualquer sinal envolvendo compras agrícolas tem potencial de influenciar diretamente os preços recebidos pelos produtores brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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