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Índia ultrapassa EUA e se torna principal fornecedora de diesel ao Brasil em meio a alta de importações

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O Brasil manteve um ritmo intenso nas importações de diesel A (puro) em outubro, registrando o segundo maior volume mensal de 2025, segundo levantamento da StoneX com base em dados oficiais do governo. No total, o país importou 1,6 bilhão de litros, alta de 7,2% em relação ao mesmo mês de 2024, ficando atrás apenas de setembro, quando o volume chegou a 1,77 bilhão de litros.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, o aumento nas compras externas está diretamente ligado ao avanço do plantio de soja em diversos estados brasileiros. “O maior fluxo de transporte de insumos agrícolas impulsionou o consumo de diesel no campo, sustentando o ritmo elevado das importações pelo segundo mês consecutivo”, explicou.

O especialista destacou ainda que a expectativa de nova safra recorde de soja em 2025/26 também contribui para o aumento da demanda por combustível, mesmo com a mistura de biodiesel B15, implementada em agosto deste ano, ampliando a participação do biocombustível na matriz energética.

Índia assume liderança nas exportações de diesel para o Brasil

Em outubro, a Índia ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior fornecedor de diesel ao Brasil, respondendo por 33% das importações (530 milhões de litros). Os EUA mantiveram uma participação próxima, de 32% (520 milhões de litros), enquanto a Rússia ficou em terceiro, com 17% (276 milhões de litros).

A Rússia, que vinha liderando as exportações de diesel ao Brasil desde 2023, perdeu espaço devido à queda na produção e aos ataques a refinarias, que reduziram sua capacidade de atender à demanda doméstica. Além disso, novas sanções impostas pelos EUA a grandes companhias russas, como Rosneft e Lukoil, afetaram o fluxo de embarques a partir do Mar Báltico para o Brasil, segundo informações da consultoria Argus.

“Nesse cenário, a tendência é de menor participação russa nos próximos meses, enquanto a Índia deve ampliar sua fatia de mercado. Já os Estados Unidos tendem a reduzir as exportações no fim do ano, por conta da maior demanda interna de diesel para calefação durante o inverno”, explicou Cordeiro.

Mercado avalia efeitos das sanções e preços internacionais

Empresas importadoras de diesel russo têm avaliado os impactos das sanções americanas, segundo a Argus. Parte do mercado acredita que as medidas podem reduzir significativamente as compras de diesel russo, consolidando a dependência do produto indiano e norte-americano.

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Por outro lado, há analistas que apontam a possibilidade de queda no preço do combustível russo, o que poderia tornar as importações novamente competitivas caso o país consiga estabilizar sua produção.

Importações podem superar recorde histórico em 2025

No acumulado do ano, as importações de diesel totalizaram 14,4 bilhões de litros, um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2024. Mantido o ritmo atual, a StoneX projeta que o Brasil poderá superar o recorde histórico de 2022, quando o país importou 15,9 bilhões de litros do combustível.

A alta reflete não apenas o forte consumo agrícola, mas também o crescimento do transporte rodoviário e da produção industrial, que elevam a necessidade de combustíveis fósseis.

Gasolina: importações disparam em outubro, mas acumulado segue em queda

As importações de gasolina A (pura) também registraram forte alta em outubro, somando 355 milhões de litros, o maior volume desde janeiro e 32,1% superior ao mesmo mês de 2024. Apesar do avanço recente, o acumulado do ano até outubro mostra queda de 10,8%, totalizando 2,1 bilhões de litros.

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De acordo com Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o aumento pontual foi impulsionado por uma paridade de preços favorável às importações no último bimestre. “A diferença entre o preço interno da Petrobras e o mercado externo chegou a R$ 0,20 por litro, abrindo uma janela de oportunidade para os importadores”, explicou.

A especialista também destacou que a demanda por gasolina C (misturada com etanol anidro) tende a crescer no quarto trimestre, período de maior consumo no país.

Perspectivas para os próximos meses

Mesmo após o reajuste da Petrobras em outubro, a StoneX calcula que o diferencial de preços internacionais permaneceu em torno de R$ 0,07 por litro até o dia 7 de novembro. Com o real mais valorizado frente ao dólar e os preços internacionais estáveis, as importações devem continuar vantajosas.

Além disso, o pico de demanda entre dezembro e janeiro pode sustentar um volume elevado de compras externas, especialmente de gasolina, enquanto o diesel deve seguir com forte presença indiana no fornecimento ao Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Inmet prevê chuva forte e falta de água até 20 de outubro

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A agricultura brasileira enfrenta nesta semana uma distribuição desigual das chuvas, com volumes elevados em parte do Centro-Sul e da Amazônia e pouca água em outras regiões produtoras. O cenário exige atenção tanto no plantio da safra 2026/27 quanto na colheita das lavouras do ciclo anterior. A previsão nacional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada nesta terça-feira (13.10) e válida até o dia 20, aponta diferenças expressivas entre as regiões e dentro de um mesmo estado.

Os maiores acumulados previstos chegam a 200 milímetros no centro-norte do Paraná e superam 150 milímetros no centro-oeste do Amazonas. Também há indicação de volumes acima de 100 milímetros no litoral sul paulista e no Rio de Janeiro. Em contrapartida, grande parte do Nordeste deve permanecer sem chuva expressiva, assim como áreas do Centro-Oeste. Para a agricultura, o contraste reúne riscos de interrupção dos trabalhos pelo excesso de umidade e de dificuldade para iniciar o cultivo onde o solo continua seco.

O contraste alcança regiões de um mesmo estado. No Centro-Oeste, os acumulados previstos chegam pontualmente a 100 milímetros no centro de Goiás e no sul de Mato Grosso do Sul. No sul de Mato Grosso, a previsão alcança 50 milímetros; em outras áreas da região, os volumes não devem ultrapassar 10 milímetros. Para o produtor, essa distribuição exige avaliar a umidade da própria lavoura antes de avançar com a semeadura.

No Sul, a chuva também não será uniforme. Santa Catarina tem previsão de 40 a 60 milímetros em sua faixa central e litorânea. No Rio Grande do Sul, o litoral deve receber perto de 40 milímetros, mas a maior parte do estado terá pouca precipitação. A redução das chuvas abre espaço para operações de campo onde a umidade do solo permitir a entrada das máquinas.

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O Sudeste concentra outra faixa de atenção, com volumes superiores a 100 milímetros previstos no litoral sul paulista e no Rio de Janeiro. No Norte, o centro-oeste do Amazonas deve receber mais de 150 milímetros, enquanto não há previsão de chuva no Amapá e no centro-norte do Pará.

O risco muda conforme a fase da lavoura

A chuva que ajuda a instalar soja e milho também traz dificuldades às culturas prontas para colher. O excesso de água restringe o trabalho das máquinas e ameaça a qualidade dos grãos que permanecem no campo. Esse efeito já apareceu no acompanhamento de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que registrou benefícios às lavouras de verão e problemas nos cultivos de inverno.

No Paraná, naquele período, produtores ajustaram a colheita do trigo para aproveitar os intervalos sem chuva. Em Santa Catarina, a umidade persistente aumentou a preocupação com doenças. Em São Paulo, a Conab apontou comprometimento da qualidade e risco de germinação do trigo ainda na espiga. São ocorrências observadas em setembro, que ajudam a dimensionar o cuidado necessário nas áreas ainda não colhidas.

A falta de água tem outra consequência: dificulta o estabelecimento das plantas e reduz o potencial produtivo quando alcança etapas importantes do desenvolvimento. Nas áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a Conab verificou em setembro que as chuvas haviam amenizado o risco de incêndios, mas ainda eram insuficientes para permitir o plantio na maioria das lavouras sem irrigação.

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Perdas anteriores mostram o peso do calendário

O impacto da estiagem já aparece nos resultados da safra anterior. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com base no acompanhamento da Conab, a produtividade do milho de segunda safra na Bahia ficou 38,5% abaixo da estimativa inicial. O resultado foi associado ao plantio fora do período mais adequado e à redução das chuvas a partir de abril.

Na agricultura familiar, o boletim de setembro identificou 170 municípios com risco alto de seca e 27 com risco muito alto entre aqueles com plantios de milho ou feijão sem irrigação iniciados em julho. O Nordeste concentrou 131 municípios do primeiro grupo e 26 do segundo. A classificação indica exposição ao risco, não uma medida de perdas já confirmadas.

Para as próximas operações, a referência deve ser a condição local: água suficiente para iniciar o cultivo, solo adequado ao tráfego das máquinas e intervalos de tempo favoráveis à colheita. Os avisos do Inmet e o acompanhamento da Conab ajudam a organizar esse trabalho. A previsão de chuva para uma região, sozinha, não garante que todas as propriedades receberão o volume necessário.

Fonte: Pensar Agro

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