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Alunos de Várzea Grande recebem palestra sobre prevenção à violência contra a mulher

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Na manhã desta quarta-feira (10 de setembro), cerca de 100 alunos da Escola Estadual Vanil Stabilito, em Várzea Grande, participaram da palestra promovida pela equipe multidisciplinar da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-TJMT). A ação integra o projeto “Cemulher nas Escolas”, que visa conscientizar os estudantes sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, os mecanismos legais de proteção e a importância da prevenção desde cedo.
O psicólogo da Cemulher, Danilo Cesar Correia da Silva, que estava acompanhado da assessora técnica da Cemulher, Adriany Carvalho, explicou que o objetivo da iniciativa é educativo e preventivo.
“Nossa proposta é levar a informação preventiva dentro das escolas, porque sabemos que elas têm um papel fundamental na formação dos cidadãos. Conversamos com crianças que vão se tornar adolescentes e futuros adultos sobre relacionamentos abusivos, medidas protetivas, a Lei Maria da Penha e a história que levou à sua criação. Também abrimos espaço para perguntas e divulgamos a rede de apoio ao combate à violência contra a mulher”, disse Danilo.
Ele destacou que a informação adquirida pelos estudantes pode se tornar um vetor de conscientização, alcançando familiares e comunidades. “Quando já trabalhamos essa temática na fase de desenvolvimento dos alunos, fica mais fácil combater o machismo estrutural, que se transmite de geração em geração”, acrescentou.
A diretora da escola, Leyde Laura, ressaltou a importância de trazer o Tribunal de Justiça para a sala de aula. “Temos casos de violência, tanto doméstica quanto entre colegas, que interferem no aprendizado. A ideia é que os estudantes compreendam a situação e saibam como agir quando se deparam com ela. Hoje, a turma do oitavo ano, com alunos de 13 a 15 anos, participou da palestra”, explicou Leyde.
A.C., de 13 anos, destacou que a violência contra a mulher é uma das formas mais frequentes de agressão e relatou que já enfrentou essa situação dentro de casa.
“Violência doméstica é tudo que acontece dentro de casa, mas também pode ocorrer em outros ambientes. Para mim, está muito ligada à violência contra a mulher, que infelizmente é a mais comum. Já passei por isso com minha mãe, mas conseguimos sair dessa situação e hoje vivemos em um ambiente mais seguro e tranquilo”.
Outro aluno também fez questão de compartilhar sua história. G.C., de 14 anos, contou que presenciou agressões dentro de casa quando ainda era criança e ressaltou a importância de espaços de diálogo como o proporcionado pelo projeto.
“Quando eu era criança, meu pai agredia minha mãe. Eles se separaram e hoje moro com minha avó. Acredito que iniciativas como esta palestra são muito importantes, porque ajudam quem tem medo de falar a se abrir e buscar ajuda, além de ensinar sobre os direitos e a Lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra agressões”.
Criada em 2012, a Cemulher-TJMT atua no enfrentamento à violência doméstica e familiar, oferecendo apoio às vítimas, promovendo ações educativas e estimulando a responsabilização dos agressores. Por meio do projeto “Cemulher nas Escolas”, a coordenadoria reafirma seu compromisso com a prevenção da violência e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
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Autor: Flávia Borges

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estatuto da Criança e do Adolescente completa 36 anos e magistrados destacam importância da lei

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Banner vertical do Dia do Eca com a imagem de um menino e duas meninas abraçados sorrindo. Ao fundo aparece o cenário de um parque com brinquedos. No topo, em amarelo e branco está escrito Dia do ECA e logo abaixo 13/07 - Estatuto da Criança e do Adolescente.O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos de vigência no Brasil. Sancionado em 13 de julho de 1990, por meio da Lei nº 8.069, ele apresenta à sociedade o ideal de proteção integral a essa parcela da população.

Mesmo sendo alvo de debates e críticas desde sua criação, quem trabalha na aplicação da lei defende que ela veio para proteger os direitos fundamentais daqueles que estão nessa fase de desenvolvimento.

“Aqueles que acabam criticando o ECA não trabalham no dia a dia da infância e juventude. Se a gente pode apontar mazelas, elas não podem ser atribuídas à lei, mas à execução dela. Nós ainda precisamos estruturar os CREAS, os CRAS, os agentes da infância e juventude, os conselhos tutelares, enfim, essa rede de apoio que poderia obter melhores resultados. Porém, a lei em si é muito precisa e trouxe avanços significativos”, afirma o juiz titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tiago Abreu.

Juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), Anna Paula Gomes de Freitas destaca que “o ECA não foi criado para proteger quem pratica atos infracionais, mas para garantir o desenvolvimento integral de todas as crianças e adolescentes, reconhecendo-os como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento”.

A magistrada defende que, ao mesmo tempo em que assegura direitos fundamentais, o Estatuto também prevê medidas de responsabilização para adolescentes autores de atos infracionais, com enfoque socioeducativo. “Garantir direitos não significa impunidade; significa investir em uma sociedade mais justa, segura e com mais oportunidades”.

Para o juiz responsável pela Coordenadoria da Infância Juventude (CIJ) do TJMT, Túlio Duailibi Alves de Souza, mesmo após décadas de sua vigência, o ECA ainda carece de compreensão por grande parte da população brasileira.

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“Essa compreensão passa, necessariamente, pelo entendimento de que é preciso respeitar a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento e, em razão disso, garantir o real alcance das políticas públicas formuladas para assegurar o princípio da proteção integral, estabelecido na Constituição Federal”, afirma o juiz, complementando que para concretizar esse princípio constitucional é preciso respeitar também o princípio da prioridade absoluta dessa parcela da população.

Foto horizontal que mostra o juiz Tiago Abreu, do busto pra cima. Ele é um homem branco, de cabelo, barba e olhos castanho escuros, usando óculos de grau, camisa e terno pretos. Ao fundo, várias plantas verdes no jardim do tribunal. Vanguarda para o mundo

Ao classificar o ECA como um marco para a proteção de crianças e adolescentes no Brasil, o juiz Tiago Abreu ressalta que poucos países possuem uma legislação voltada especificamente para a proteção de crianças e adolescentes. “Pouquíssimos países no mundo têm uma legislação tão específica e tão detalhada como é o ECA”, afirma.

A juíza Anna Paula Gomes de Freitas enfatiza que essa escolha feita pelo Estado brasileiro está alicerçada na Constituição Federal de 1988 e classifica a Lei nº 8.069/1990 como “um importante avanço civilizatório” ao reconhecer que crianças e adolescentes possuem necessidades próprias e merecem proteção integral e prioridade absoluta. “Em comparação com diversos países, o Brasil possui um marco legal amplo e sistematizado, que fortalece as políticas públicas e orienta a atuação integrada da rede de proteção. Ao Judiciário cabe aplicar essa legislação, assegurando que esses direitos sejam efetivamente concretizados”, assevera.

Foto horizontal que mostra a juíza Anna Paula Gomes de Freitas sentada em uma poltrona marrom, falando ao microfone. Ela é uma mulher de pele clara, com longos cabelos pretos e lisos, usando roupa toda preta. Na frente dela, há uma mesinha de centro com um arranjo de flores amarelas.Atuação do Judiciário de Mato Grosso

Ao apontar a responsabilidade do Poder Judiciário em aplicar a lei, a juíza Anna Paula Gomes de Freitas elenca diversas ações executadas pela Justiça mato-grossense, como o aperfeiçoamento dos fluxos de tramitação dos processos envolvendo crianças e adolescentes, o incentivo ao cumprimento das metas nacionais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o fortalecimento das audiências concentradas para reavaliação da situação de crianças acolhidas institucionalmente e o acompanhamento permanente dos processos de adoção e acolhimento familiar.

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A juíza auxiliar da CGJ destaca ainda a atuação integrada com os demais órgãos da rede de proteção, buscando reduzir a revitimização, conferir maior efetividade às decisões judiciais e garantir respostas mais rápidas às situações de vulnerabilidade, além do investimento contínuo na capacitação de magistrados e servidores, na padronização de procedimentos e na utilização de ferramentas tecnológicas para qualificar a prestação jurisdicional e ampliar a proteção de crianças e adolescentes.

“A Justiça de Mato Grosso tem desenvolvido um trabalho consistente de fortalecimento da política judiciária voltada à infância e juventude, especialmente por meio da atuação das unidades de Primeiro Grau. Embora os desafios permaneçam, observa-se um avanço significativo na construção de uma atuação cada vez mais humanizada, eficiente e comprometida com a efetivação dos direitos previstos no Estatuto”, comenta a juíza Anna Paula.

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Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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