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Alunos acompanham julgamento no TJMT e descobrem, na prática, o peso das decisões da Justiça

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Grupo de jovens reúne-se ao redor de mesas com vitrines em sala do Memorial do Judiciário Mato-Grossense, enquanto homem de terno discursa ao centro.Entre corredores históricos, sessões de julgamento e conversas com magistrados, 44 acadêmicos do curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Barra do Bugres, viveram nesta terça-feira (26) uma experiência que os livros da faculdade não são capazes de proporcionar. A visita ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada por meio do projeto Nosso Judiciário, aproximou os estudantes da rotina do sistema de Justiça e das diferentes possibilidades da carreira jurídica.

Durante a programação, os acadêmicos acompanharam parte da sessão da Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo, conheceram as dependências do Palácio da Justiça e encerraram a visita em uma conversa descontraída com o desembargador Rodrigo Roberto Curvo, no Espaço Memória.

Ao receber os estudantes, o desembargador destacou a importância de experiências práticas durante a formação acadêmica e afirmou que conhecer o funcionamento do Judiciário amplia a visão dos futuros profissionais do Direito. “Todo estudante de Direito que tem a oportunidade de conhecer um pouco do funcionamento do Poder Judiciário volta com os conhecimentos ampliados. É diferente daquilo que encontramos apenas nos livros. Poder testemunhar uma sessão de julgamento faz com que o aluno compreenda, na prática, como funciona o sistema de Justiça”, afirmou.

Homem de terno cinza e gravata listrada fala gesticulando com as mãos. Ao fundo, duas pessoas observam, e bandeiras do Brasil e de Mato Grosso compõem o cenário.Durante a conversa, Rodrigo Curvo também compartilhou sua trajetória profissional. Formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ele iniciou a carreira como servidor concursado do Tribunal de Justiça, foi aprovado no primeiro concurso da Defensoria Pública do Estado e, posteriormente, ingressou na magistratura em 1999. O desembargador contou ainda que atuou durante 12 anos na Vara Especializada do Meio Ambiente, em Cuiabá, até ser escolhido, em 2024, para compor o Tribunal de Justiça.

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Ao falar diretamente aos acadêmicos, o magistrado ressaltou os desafios das carreiras jurídicas e aconselhou os estudantes a conhecerem profundamente a realidade da profissão antes de escolherem qual caminho seguir. “A concorrência está cada vez maior. Então, é importante aprofundar os conhecimentos, mas também entender como funciona a rotina de um juiz, de um promotor, de um defensor público. Muitas vezes, no início da carreira os profissionais vão atuar em cidades menores e precisam estar preparados para essa realidade”, pontuou.

Prática desperta reflexões

Quatro pessoas posam para foto em sala institucional. Dois deles seguram exemplares do Glossário Jurídico. Ao fundo, placa com os dizeres Para o acadêmico Luiz Henrique dos Santos Lima, do 8º semestre, acompanhar a sessão de julgamento foi o momento mais marcante da visita. “O momento que mais me surpreendeu foi durante a sessão da Segunda Câmara de Direito Público, quando a gente pôde ver o Direito sendo aplicado na prática”, contou.

O estudante afirmou ainda que a experiência reforçou seu desejo de seguir carreira na magistratura. “Muda no sentido de sentir o peso do ambiente e a responsabilidade que é assumir um cargo aqui dentro. Você entende que está lidando com vidas e expectativas das pessoas. A magistratura é a minha esperança e o caminho que quero seguir”, disse.

Já a acadêmica Júlia Vitória Marques Cintra, do 5º semestre, destacou que assistir às sustentações orais dos advogados chamou sua atenção para a seriedade do trabalho desenvolvido no Tribunal. “O que mais me marcou foi assistir às sustentações orais e perceber a necessidade de muita fundamentação para tratar cada caso diante dos desembargadores”, afirmou.

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Grupo de jovens está reunido em semicírculo em sala institucional, ouvindo uma mulher de costas que conduz uma apresentação. Sobre a mesa, exemplares do Glossário Jurídico.Para ela, a visita também ajudou a quebrar a ideia de distanciamento entre a sociedade e o Poder Judiciário. “Às vezes as pessoas imaginam que o Judiciário é algo muito distante. Mas aqui percebemos que ele precisa ser acessível para todos”, observou.

A professora de Práticas Jurídicas e Direito Administrativo da Unemat, Juliana Rose Ishikawa da Silva Campos, ressaltou que a visita representa uma oportunidade importante para que os estudantes visualizem, na prática, as possibilidades profissionais dentro do Direito. “Muitos dos nossos alunos começaram agora as primeiras aulas de prática jurídica. Então, estar aqui é um momento de pensar qual carreira querem seguir. Para alunos do interior do estado, conhecer o Tribunal de Justiça amplia horizontes e ajuda a sonhar com o futuro profissional”, destacou.

Segundo a professora, experiências como essa complementam a formação acadêmica de uma maneira que os livros não conseguem reproduzir. “O que eles viram aqui hoje os livros, infelizmente não conseguem transmitir. Por isso agradecemos ao Tribunal de Justiça por essa acolhida e por essa tarde tão produtiva”, concluiu.

Fotos: Luana Daubian

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estatuto da Criança e do Adolescente completa 36 anos e magistrados destacam importância da lei

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Banner vertical do Dia do Eca com a imagem de um menino e duas meninas abraçados sorrindo. Ao fundo aparece o cenário de um parque com brinquedos. No topo, em amarelo e branco está escrito Dia do ECA e logo abaixo 13/07 - Estatuto da Criança e do Adolescente.O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos de vigência no Brasil. Sancionado em 13 de julho de 1990, por meio da Lei nº 8.069, ele apresenta à sociedade o ideal de proteção integral a essa parcela da população.

Mesmo sendo alvo de debates e críticas desde sua criação, quem trabalha na aplicação da lei defende que ela veio para proteger os direitos fundamentais daqueles que estão nessa fase de desenvolvimento.

“Aqueles que acabam criticando o ECA não trabalham no dia a dia da infância e juventude. Se a gente pode apontar mazelas, elas não podem ser atribuídas à lei, mas à execução dela. Nós ainda precisamos estruturar os CREAS, os CRAS, os agentes da infância e juventude, os conselhos tutelares, enfim, essa rede de apoio que poderia obter melhores resultados. Porém, a lei em si é muito precisa e trouxe avanços significativos”, afirma o juiz titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tiago Abreu.

Juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), Anna Paula Gomes de Freitas destaca que “o ECA não foi criado para proteger quem pratica atos infracionais, mas para garantir o desenvolvimento integral de todas as crianças e adolescentes, reconhecendo-os como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento”.

A magistrada defende que, ao mesmo tempo em que assegura direitos fundamentais, o Estatuto também prevê medidas de responsabilização para adolescentes autores de atos infracionais, com enfoque socioeducativo. “Garantir direitos não significa impunidade; significa investir em uma sociedade mais justa, segura e com mais oportunidades”.

Para o juiz responsável pela Coordenadoria da Infância Juventude (CIJ) do TJMT, Túlio Duailibi Alves de Souza, mesmo após décadas de sua vigência, o ECA ainda carece de compreensão por grande parte da população brasileira.

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“Essa compreensão passa, necessariamente, pelo entendimento de que é preciso respeitar a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento e, em razão disso, garantir o real alcance das políticas públicas formuladas para assegurar o princípio da proteção integral, estabelecido na Constituição Federal”, afirma o juiz, complementando que para concretizar esse princípio constitucional é preciso respeitar também o princípio da prioridade absoluta dessa parcela da população.

Foto horizontal que mostra o juiz Tiago Abreu, do busto pra cima. Ele é um homem branco, de cabelo, barba e olhos castanho escuros, usando óculos de grau, camisa e terno pretos. Ao fundo, várias plantas verdes no jardim do tribunal. Vanguarda para o mundo

Ao classificar o ECA como um marco para a proteção de crianças e adolescentes no Brasil, o juiz Tiago Abreu ressalta que poucos países possuem uma legislação voltada especificamente para a proteção de crianças e adolescentes. “Pouquíssimos países no mundo têm uma legislação tão específica e tão detalhada como é o ECA”, afirma.

A juíza Anna Paula Gomes de Freitas enfatiza que essa escolha feita pelo Estado brasileiro está alicerçada na Constituição Federal de 1988 e classifica a Lei nº 8.069/1990 como “um importante avanço civilizatório” ao reconhecer que crianças e adolescentes possuem necessidades próprias e merecem proteção integral e prioridade absoluta. “Em comparação com diversos países, o Brasil possui um marco legal amplo e sistematizado, que fortalece as políticas públicas e orienta a atuação integrada da rede de proteção. Ao Judiciário cabe aplicar essa legislação, assegurando que esses direitos sejam efetivamente concretizados”, assevera.

Foto horizontal que mostra a juíza Anna Paula Gomes de Freitas sentada em uma poltrona marrom, falando ao microfone. Ela é uma mulher de pele clara, com longos cabelos pretos e lisos, usando roupa toda preta. Na frente dela, há uma mesinha de centro com um arranjo de flores amarelas.Atuação do Judiciário de Mato Grosso

Ao apontar a responsabilidade do Poder Judiciário em aplicar a lei, a juíza Anna Paula Gomes de Freitas elenca diversas ações executadas pela Justiça mato-grossense, como o aperfeiçoamento dos fluxos de tramitação dos processos envolvendo crianças e adolescentes, o incentivo ao cumprimento das metas nacionais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o fortalecimento das audiências concentradas para reavaliação da situação de crianças acolhidas institucionalmente e o acompanhamento permanente dos processos de adoção e acolhimento familiar.

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A juíza auxiliar da CGJ destaca ainda a atuação integrada com os demais órgãos da rede de proteção, buscando reduzir a revitimização, conferir maior efetividade às decisões judiciais e garantir respostas mais rápidas às situações de vulnerabilidade, além do investimento contínuo na capacitação de magistrados e servidores, na padronização de procedimentos e na utilização de ferramentas tecnológicas para qualificar a prestação jurisdicional e ampliar a proteção de crianças e adolescentes.

“A Justiça de Mato Grosso tem desenvolvido um trabalho consistente de fortalecimento da política judiciária voltada à infância e juventude, especialmente por meio da atuação das unidades de Primeiro Grau. Embora os desafios permaneçam, observa-se um avanço significativo na construção de uma atuação cada vez mais humanizada, eficiente e comprometida com a efetivação dos direitos previstos no Estatuto”, comenta a juíza Anna Paula.

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Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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