AGRONEGÓCIO

Justiça mantém Moratória da Soja e reforça importância do acordo para o setor

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A Justiça Federal restabeleceu nesta segunda-feira (25/8) a validade da Moratória da Soja, acordo firmado há 18 anos entre tradings, indústria e sociedade civil para coibir o desmatamento na Amazônia. A decisão foi tomada pela juíza Adverci Mendes de Abreu, da 20ª Vara Cível do Distrito Federal, atendendo a um mandado de segurança da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A medida suspende os efeitos da decisão anterior do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), que havia determinado a interrupção do pacto.

Fundamentação da decisão

Na decisão, a magistrada ressaltou que a suspensão feita pelo Cade ocorreu de forma monocrática, sem análise colegiada e sem considerar manifestações técnicas e jurídicas de órgãos como o Ministério Público Federal, a Advocacia-Geral da União e o Ministério do Meio Ambiente. Todos, segundo a juíza, reconhecem a legitimidade e os efeitos positivos da Moratória da Soja no combate ao desmatamento no bioma amazônico.

Reação do setor

Para Frederico Favacho, sócio da área de agronegócios do escritório Santos Neto Advogados, que atende tradings signatárias do pacto, a liminar traz segurança para a continuidade das discussões.

“A decisão judicial mostra que qualquer debate sobre a Moratória da Soja não pode ser conduzido de forma afoita ou unilateral, mas com base nos resultados concretos alcançados ao longo de 18 anos”, afirmou o advogado.

Favacho destacou ainda que a posição recente de órgãos ambientais e do Ministério Público Federal reforça a relevância do acordo multissetorial e amplia a tranquilidade para um debate equilibrado sobre o tema.

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Importância da Moratória da Soja

Criada em 2006, a Moratória da Soja é considerada um dos principais mecanismos de combate ao desmatamento associado à produção agrícola na Amazônia. O acordo impede que tradings comprem soja cultivada em áreas desmatadas após sua implementação, ajudando a dar mais transparência e credibilidade à cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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