AGRONEGÓCIO
Mercado de milho segue pressionado no Brasil e no exterior, com produtores cautelosos e safra recorde nos EUA
Publicado em
27 de agosto de 2025por
Da Redação
Negociações travadas no Sul e Centro-Oeste do Brasil
O mercado de milho brasileiro segue em ritmo lento, marcado por cautela dos produtores e dificuldade de avanço nas negociações. Segundo a TF Agroeconômica, no Rio Grande do Sul a oferta é limitada, com referências de compra variando entre R$ 65,00 e R$ 68,00/saca em diferentes praças do estado. Para agosto, os pedidos no interior giram entre R$ 68,00 e R$ 70,00/saca, enquanto no porto o preço futuro para fevereiro de 2026 segue em R$ 70,00/saca.
Em Santa Catarina, os negócios também permanecem travados. Produtores de Campos Novos pedem R$ 80,00/saca, mas as ofertas ficam em R$ 70,00. Já no Planalto Norte, os pedidos giram em torno de R$ 75,00, enquanto compradores oferecem R$ 71,00, praticamente zerando a liquidez. Esse impasse tem levado parte dos agricultores a reduzir investimentos para o próximo ciclo.
No Paraná, mesmo com leves ajustes positivos nos preços, a resistência de ambas as partes impede novos avanços. Produtores pedem até R$ 75,00/saca FOB, mas compradores mantêm ofertas CIF abaixo de R$ 70,00, o que trava as negociações. Levantamentos regionais apontaram preços de R$ 66,90 na região Metropolitana de Curitiba, R$ 55,14 no Oeste, R$ 55,70 no Norte Central e R$ 57,19 no Centro Oriental.
Já no Mato Grosso do Sul, a colheita avança, mas os efeitos climáticos ainda pressionam o mercado. As cotações oscilaram entre R$ 45,00 e R$ 52,00/saca em municípios como Maracaju, porém sem força suficiente para estimular novos negócios.
Preços do milho recuam em Chicago e também na B3
As bolsas de referência iniciaram a semana e a quarta-feira (27) com movimentos de baixa. Na B3 (Bolsa Brasileira), os contratos futuros de milho variaram entre R$ 65,97 e R$ 73,50 por volta das 10h (horário de Brasília). O contrato setembro/25 foi negociado a R$ 65,97 (-0,23%), o novembro/25 a R$ 69,65 (-0,10%), o janeiro/26 a R$ 71,81 (-0,03%), enquanto o março/26 apresentou leve alta de 0,12%, cotado a R$ 73,50.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços também abriram em queda. O contrato setembro/25 foi cotado a US$ 3,85/bushel, o dezembro/25 a US$ 4,07, o março/26 a US$ 4,25 e o maio/26 a US$ 4,34, todos registrando perdas.
Segundo a análise do portal Farm Futures, a correção ocorre após as altas acumuladas nas últimas semanas. Apesar disso, o mercado segue sustentado pela expectativa de que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) possa revisar para baixo suas estimativas de produtividade, embora os ganhos permaneçam limitados até a confirmação da colheita.
Safra recorde nos EUA reforça pressão baixista
O quadro de ampla oferta global reforça a tendência de baixa nos preços. O USDA manteve sua avaliação de que 71% das lavouras norte-americanas estão em boas ou excelentes condições até 24 de agosto, maior índice desde 2016. Outros 21% foram classificados como regulares e apenas 8% em condições ruins ou muito ruins.
O relatório também indicou perspectiva de safra recorde nos Estados Unidos, o que pressiona ainda mais o mercado internacional. A queda do petróleo em Nova York acentuou o movimento negativo, embora a desvalorização do dólar frente a outras moedas tenha limitado perdas mais acentuadas.
Os contratos em Chicago encerraram em baixa: setembro/25 caiu 0,44%, cotado a US$ 3,87 ½/bushel, enquanto o dezembro/25 recuou 0,66%, negociado a US$ 4,09 ½/bushel.
Brasil avança na colheita e projeta novos recordes
Enquanto isso, no Brasil, a colheita da safrinha já alcança 94,8% da área plantada, consolidando projeções de produção recorde. Analistas também esperam resultados expressivos para a Argentina na temporada 2025/26, reforçando o cenário de forte oferta na América do Sul.
Segundo o Cepea, mesmo com a colheita em fase final, a pressão baixista perdeu força na última semana, permitindo pequenas altas regionais. Na B3, os contratos encerraram a última segunda-feira em leve valorização: setembro/25 a R$ 66,12 (+R$ 0,13), novembro/25 a R$ 69,72 (+R$ 0,34) e janeiro/26 a R$ 71,79 (+R$ 0,37).
O contraste entre o mercado interno e externo evidencia a influência de fatores distintos: enquanto no Brasil produtores resistem a vender com preços considerados baixos, no exterior a colheita recorde americana amplia a pressão negativa sobre as cotações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Inadimplência no crédito rural atinge 11,4% e acende alerta no agronegócio brasileiro
Published
1 hora agoon
26 de maio de 2026By
Da Redação
Crédito rural enfrenta pior nível de inadimplência da história recente
A inadimplência no crédito rural atingiu 11,4% em outubro de 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, segundo dados da CNA. O indicador representa um salto expressivo em relação ao mesmo período de 2024, quando estava em 3,54%, e reforça o cenário de maior pressão financeira sobre produtores e empresas do agronegócio.
Além disso, o número de empresas do setor em recuperação judicial também avançou, chegando a 13,53 a cada mil empresas ativas, sinalizando um ambiente de crédito mais restritivo e desafiador.
CONACREDI se reposiciona e deixa de ser evento para virar ecossistema permanente
Em meio ao avanço da inadimplência e à maior complexidade na gestão de risco no campo, o CONACREDI anuncia uma mudança estrutural em sua atuação.
O congresso, que ao longo de dez anos se consolidou como o principal encontro de crédito do agronegócio na América Latina, passa a operar como um ecossistema contínuo de qualificação, deixando de ser apenas um evento anual.
A transformação também inclui o lançamento de uma nova identidade visual, que simboliza a transição para um modelo permanente de produção e disseminação de conhecimento.
Crédito agro se torna área estratégica nas decisões do setor
Segundo a organização, o movimento acompanha uma mudança mais ampla no próprio agronegócio: o crédito deixou de ser apenas uma função operacional e passou a ocupar posição estratégica nas decisões empresariais.
Com margens mais pressionadas, aumento da inadimplência e maior necessidade de análise de risco, a tomada de decisão no setor exige cada vez mais dados, qualificação técnica e integração entre áreas financeiras e operacionais.
Ecossistema integra eventos, formação e inteligência de mercado
O novo modelo do CONACREDI reúne diferentes iniciativas que passam a funcionar de forma integrada ao longo do ano, formando uma rede contínua de conhecimento:
- Congresso anual do crédito agro
- Road shows regionais em diferentes estados
- Pesquisa Nacional do Crédito Agro
- CONACREDI Awards
- MBA em Crédito, Comercialização e Gestão de Riscos no Agronegócio
- COMUCREDI (comunidade de profissionais do setor)
- Vitrine do Profissional de Crédito Agro
- Livro “Vozes do Crédito Agro”
Cada frente atua em uma camada específica do ecossistema, desde a geração de dados e debates regionais até a formação de profissionais e conexão entre empresas e talentos.
Formação, dados e conexão fortalecem gestão de risco no agro
De acordo com a organização, o objetivo do ecossistema é consolidar um hub estruturado de conhecimento aplicado ao crédito agro, com impacto direto na governança e na tomada de decisão.
Entre os principais efeitos esperados estão a qualificação técnica dos profissionais, maior precisão na análise de risco, melhoria na gestão financeira das operações e adaptação à crescente digitalização do setor.
“Cenário exige atualização constante”, afirma CEO do CONACREDI
Para a CEO do CONACREDI, o momento atual do crédito agro exige maior preparo técnico e integração entre áreas.
“O crédito agro vive um novo ciclo, marcado por maior complexidade na análise de risco, pressão sobre margens, aumento da inadimplência e necessidade de decisões mais rápidas e embasadas. Esse cenário exige atualização constante, integração entre áreas e acesso contínuo à informação qualificada”, afirma Mayra Delfino.
Panorama
O avanço da inadimplência no crédito rural reforça a necessidade de estruturas mais robustas de gestão de risco no agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, iniciativas como a transformação do CONACREDI em ecossistema permanente indicam uma tendência de profissionalização contínua e maior integração entre dados, formação e mercado financeiro no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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