As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul registraram forte crescimento em abril de 2026, impulsionadas principalmente pelo avanço dos embarques de soja, milho, óleo de soja, celulose e proteínas animais. Os dados fazem parte do relatório mensal de comércio exterior divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo o levantamento, o agronegócio gaúcho exportou US$ 1,17 bilhão em abril, alta de 37,6% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques avançaram 59,3%, atingindo 1,78 milhão de toneladas.
O setor respondeu por 67% do valor total exportado pelo estado no mês e por 86,4% do volume embarcado.
Complexo soja lidera avanço das exportações
O principal destaque do mês foi o complexo soja, que apresentou forte recuperação após a entrada mais efetiva da nova safra no mercado.
As exportações do segmento somaram US$ 347,6 milhões em abril, crescimento de 97% frente ao mesmo mês de 2025. Em volume, os embarques atingiram 803,6 mil toneladas, alta de 64%.
A soja em grãos foi o principal motor da recuperação. O Rio Grande do Sul embarcou 405,5 mil toneladas do produto, avanço de 106,4% em volume e de 122,7% em valor na comparação anual.
A China voltou a liderar as compras da soja gaúcha, contribuindo com aumento de US$ 64 milhões nos embarques.
O farelo de soja também apresentou crescimento, com alta de 22,2% em valor e 19,8% em volume, impulsionado principalmente pelas vendas para Irã, Coreia do Sul, França e Vietnã.
Já o óleo de soja em bruto ganhou destaque nas exportações, somando US$ 54,2 milhões praticamente concentrados no mercado da Índia.
Milho dispara e trigo registra forte queda
Entre os cereais, o milho apresentou forte avanço nas exportações gaúchas.
As vendas externas do cereal cresceram mais de 27 mil por cento em valor na comparação anual, atingindo US$ 69,8 milhões em abril. Em volume, os embarques chegaram a 302,4 mil toneladas.
Por outro lado, o trigo registrou forte retração. As exportações do cereal caíram 68,3% em valor e 68,6% em volume frente ao mesmo mês do ano passado.
Segundo a Farsul, a queda está ligada principalmente à ausência de embarques excepcionais para a Nigéria observados em 2025 e ao cenário internacional de ampla oferta e forte concorrência entre exportadores.
Carnes mantêm desempenho positivo nas exportações
O setor de proteínas animais também contribuiu para o avanço das exportações gaúchas.
As exportações de carne bovina cresceram 41,9% em valor e 14,5% em volume, impulsionadas principalmente pela retomada da demanda chinesa.
A carne suína apresentou um dos melhores desempenhos do mês, com alta de 31,8% em valor e 33% em volume. O principal destaque foram as vendas para as Filipinas, além de crescimento das exportações para Malásia, Vietnã, África do Sul e Chile.
Já a carne de frango mostrou estabilidade, com crescimento de 2,6% em valor, embora o volume tenha recuado levemente.
O segmento de bovinos vivos também avançou, registrando alta de 65,3% em valor e 42,3% em volume, praticamente concentrado nas exportações para a Turquia.
China retoma liderança entre destinos do agro gaúcho
A Ásia permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio gaúcho em abril, movimentando US$ 572,3 milhões e mais de 1 milhão de toneladas embarcadas.
No recorte por países, a China retomou a liderança entre os compradores do agro do Rio Grande do Sul, respondendo por 18,4% do valor exportado no mês.
Na sequência aparecem:
- Estados Unidos;
- Vietnã;
- Índia;
- Coreia do Sul.
Segundo a Farsul, o cenário demonstra maior diversificação geográfica das exportações, embora a Ásia continue sendo o principal eixo do comércio exterior gaúcho.
Exportações acumuladas do agro gaúcho crescem em 2026
No acumulado entre janeiro e abril de 2026, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 4,26 bilhões, crescimento de 3,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Em volume, os embarques avançaram 3,8%, alcançando 6,9 milhões de toneladas.
Segundo o relatório, o avanço foi sustentado principalmente pela recuperação de milho, soja, óleo de soja, farelo, bovinos vivos, carne suína e arroz, compensando perdas registradas em trigo, fumo e produtos ligados ao complexo couro.
O levantamento também aponta mudança importante na composição dos mercados compradores em 2026, com crescimento da participação de países como Filipinas, Egito, Índia e Turquia, reduzindo parcialmente a dependência do mercado chinês.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio