AGRONEGÓCIO

Brasil lidera produção sustentável de soja e será destaque em conferência internacional da RTRS 2025

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O protagonismo do Brasil na produção e exportação sustentável de soja será o centro dos debates durante a Conferência Internacional da Mesa Global da Soja Responsável (RTRS 2025), que acontece nos dias 17 e 18 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reunirá representantes de toda a cadeia de suprimentos global da soja para discutir os rumos do setor diante de desafios ambientais, geopolíticos e de mercado.

Marcos Jank será um dos destaques da programação

Entre os principais palestrantes está Marcos Jank, professor sênior e coordenador do Centro Insper Agro Global, reconhecido internacionalmente como especialista em agronegócio. Durante sua apresentação, ele abordará a trajetória que levou o Brasil a se tornar o maior produtor e exportador de soja do mundo, superando os Estados Unidos nas últimas duas décadas.

Jank destaca que a soja se consolidou como o principal produto de exportação brasileiro, com movimentação superior a US$ 50 bilhões por ano.

“A soja é o produto que melhor se adaptou aos trópicos e, junto com o milho e a pecuária, se tornou motor da integração produtiva e da geração de renda no campo”, afirma o especialista.

Inovações que impulsionaram produtividade e sustentabilidade

O palestrante também abordará as transformações tecnológicas que colocaram o Brasil como referência internacional em agricultura tropical. Entre os destaques estão o plantio direto em larga escala, o sistema de segunda safra (soja e milho) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

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Essas práticas, segundo Jank, aumentaram a produtividade e reduziram as emissões de carbono, consolidando o país como líder em inovação agrícola.

“Hoje falamos em integração ainda mais ampla — lavoura, pecuária, florestas, alimentos, fibras, bioenergia e carbono — um sistema que posiciona o Brasil como referência global”, destaca.

Desafios internacionais: EUDR e mercado chinês

Outro ponto importante da palestra será a análise das novas exigências internacionais de sustentabilidade, especialmente o Regulamento Europeu contra o Desmatamento (EUDR), que entra em vigor em 2026. A norma determina que produtos exportados para a União Europeia não tenham ligação com áreas desmatadas, mesmo que o desmatamento seja legal.

Neste contexto, Jank reforça a importância da certificação da soja brasileira por meio de entidades como a RTRS, que asseguram rastreabilidade e conformidade socioambiental.

Além disso, ele comentará o comportamento da China, maior importadora da soja brasileira, cuja demanda continua alta, mas em crescimento mais lento, influenciada por questões econômicas e demográficas.

Visão estratégica e tendências do setor

Ao compartilhar sua análise histórica e as principais tendências do mercado, Jank pretende mostrar como a combinação entre recursos naturais, domínio tecnológico e competência dos produtores brasileiros transformou o país em uma potência global do agronegócio. Ele também sinaliza como esses elementos devem orientar o setor diante de transformações regulatórias e de consumo.

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RTRS 2025 será realizada junto à VICTAM Latam

A Conferência Internacional da RTRS 2025 será realizada em paralelo à VICTAM Latam, o maior evento mundial dedicado ao processamento de ração animal. Esta é a segunda vez que a RTRS participa do evento no Brasil, após uma edição bem-sucedida em 2023.

Com o tema “Shaping Solutions for a Sustainable Future”, a conferência irá promover discussões estratégicas, com foco em:

  • Desenvolvimentos de mercado e oportunidades emergentes;
  • Criação de soluções e parcerias para a sustentabilidade da soja;
  • Entendimento da estratégia global da RTRS;
  • Conexão entre produtores, empresas, especialistas e usuários finais.

O evento reforça o papel do Brasil não apenas como líder de produção, mas também como referência global em iniciativas responsáveis e sustentáveis no agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

1º de maio de 2026: o agronegócio brasileiro ganha acesso a um mercado de R$ 130 trilhões

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º), conectando o agronegócio brasileiro a um mercado estimado em mais de R$ 130 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 700 milhões de consumidores. Na prática, o tratado inaugura uma nova etapa de inserção internacional do agro, com redução de tarifas, padronização de regras e maior previsibilidade para exportadores.

O impacto potencial é direto: mais de 80% das exportações brasileiras para o bloco europeu passam a contar com tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria. Com a entrada em vigor do acordo, a fatia das importações globais cobertas por acordos comerciais do Brasil pode saltar de cerca de 9% para mais de 37%, ampliando significativamente o alcance dos produtos nacionais.

No campo, o efeito é duplo. De um lado, a redução de custos de entrada tende a aumentar a competitividade do produto brasileiro, especialmente em cadeias com forte presença no comércio exterior, como café, suco de laranja, frutas, celulose e proteínas animais. De outro, a harmonização de regras técnicas e sanitárias reduz incertezas e facilita contratos de longo prazo, elemento crítico para investimentos e planejamento produtivo.

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Produtos agrícolas já competitivos ganham tração adicional. O café — principal item da pauta brasileira — mantém acesso livre de tarifas, enquanto derivados, como o café solúvel e torrado, passam a entrar com custo reduzido. No segmento de frutas, a abertura é ainda mais relevante: itens como uva têm tarifa zerada imediatamente, enquanto abacate, limão, melão, melancia e maçã entram em cronogramas de desgravação que variam de quatro a dez anos. A janela comercial é favorecida pela complementaridade entre as safras — o Brasil exporta, em grande medida, na entressafra europeia.

O acordo também elimina tarifas para mais de 5 mil produtos do Mercosul, incluindo sucos, pescados, óleos vegetais e parte relevante dos produtos industrializados de base agropecuária. No conjunto, cerca de 77% dos itens agrícolas exportados ao bloco europeu terão tarifa zerada ao longo do período de transição.

Há, contudo, limites relevantes. Cadeias consideradas sensíveis pela Europa — como carne bovina, frango e suínos — permanecem sujeitas a cotas tarifárias. Isso significa que a redução de impostos está condicionada a volumes pré-definidos, refletindo a pressão de produtores europeus, que veem o avanço do agro sul-americano como concorrência direta.

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Mesmo com resistências políticas e questionamentos ambientais que ainda tramitam em instâncias europeias, a aplicação provisória já permite a ativação dos principais mecanismos comerciais. Para o Brasil, o movimento representa mais do que ganho tarifário imediato: sinaliza abertura de um dos mercados mais exigentes do mundo, com potencial de elevar padrões, atrair investimentos e consolidar cadeias de valor.

No curto prazo, o desafio será operacional. A ampliação do acesso exige adequação a requisitos técnicos, rastreabilidade e logística eficiente — fatores que, na prática, definem a capacidade de capturar esse novo mercado. No médio prazo, o acordo reposiciona o agro brasileiro em uma geografia comercial mais ampla, menos dependente de poucos destinos e com maior previsibilidade regulatória.

Em síntese, a entrada em vigor do tratado não altera apenas tarifas. Ela redesenha o ambiente de negócios do agro, ao inserir o Brasil de forma mais competitiva em um dos maiores e mais sofisticados mercados consumidores do planeta.

Fonte: Pensar Agro

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