AGRONEGÓCIO
Café robusta dispara nas bolsas internacionais e clima seco no Brasil acende alerta no campo
Publicado em
14 de abril de 2026por
Da Redação
O mercado futuro do café iniciou esta terça-feira (14) com forte valorização para o robusta e leve pressão sobre o arábica nas bolsas internacionais. O movimento reflete a combinação de fatores climáticos no Brasil e a influência do câmbio, exigindo atenção do produtor brasileiro diante de um cenário ainda desigual entre o mercado externo e o interno.
Robusta sobe forte na ICE Europa com suporte climático
Na ICE Europa, os contratos de café robusta abriram o dia em alta consistente. O contrato maio/26 foi cotado a US$ 3.433 por tonelada, com valorização de 820 pontos. Já o julho/26 operou a US$ 3.330 por tonelada, com ganho de 760 pontos, enquanto o setembro/26 foi negociado a US$ 3.265 por tonelada, avançando 720 pontos.
A alta do robusta encontra suporte principalmente nas condições climáticas mais secas no Brasil e na dinâmica cambial, com a valorização do real frente ao dólar influenciando os preços no mercado internacional.
Arábica recua na Bolsa de Nova York
Na Bolsa de Nova York, o café arábica apresentou leve recuo nas negociações. O contrato maio/26 foi cotado a 300,30 cents por libra-peso, com queda de 55 pontos. O julho/26 registrou 295,50 cents/lb, recuando 75 pontos, enquanto o setembro/26 foi negociado a 281,60 cents/lb, com baixa de 20 pontos.
O desempenho mais fraco do arábica contrasta com a valorização do robusta, evidenciando um mercado internacional dividido entre diferentes fundamentos.
Mercado físico no Brasil segue com ritmos distintos
No mercado interno, o comportamento segue cauteloso. As negociações com café arábica permanecem travadas, com baixo volume de negócios, reflexo da postura mais retraída dos produtores diante dos preços atuais.
Por outro lado, o mercado de conilon apresenta maior dinamismo, com mais negócios fechados e presença ativa de compradores interessados em diferentes padrões do produto.
Clima seco predomina e preocupa produtores
As condições climáticas seguem como fator central para o mercado. O tempo seco predomina nas principais regiões produtoras entre o Sudeste e a Bahia, com temperaturas em elevação e máximas próximas dos 30°C ao longo da semana.
Esse cenário reduz a umidade do solo e mantém o mercado atento ao desenvolvimento das lavouras, podendo impactar a produtividade nas próximas semanas.
Previsão indica chuvas irregulares no curto prazo
De acordo com a Climatempo, há previsão de pancadas de chuva isoladas em Rondônia, região relevante para o conilon. Já para o Sudeste, o retorno das chuvas é esperado apenas após o dia 20 de abril, ainda de forma irregular e com baixos volumes acumulados.
Volatilidade segue elevada e exige cautela do produtor
A combinação entre clima mais seco, câmbio e oferta global mantém a volatilidade do mercado neste início de semana. Para o produtor brasileiro, o cenário exige atenção redobrada.
Apesar da valorização expressiva do robusta no mercado internacional, o ritmo de comercialização no Brasil segue desigual entre arábica e conilon, ainda dependente das condições internas e das oscilações cambiais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Granizo ameaça cafezais em Minas Gerais: especialistas orientam produtores sobre recuperação e prevenção de perdas
Published
30 minutos agoon
26 de junho de 2026By
Da Redação
As recentes chuvas acompanhadas de granizo em diversas regiões de Minas Gerais acenderam um sinal de alerta para os produtores de café. O fenômeno climático provocou danos significativos em áreas produtoras, causando desfolhamento, quebra de ramos, lesões nos frutos e comprometimento do potencial produtivo das lavouras.
Os impactos ocorrem em um momento estratégico para a cafeicultura, justamente durante a fase de recuperação das plantas após a colheita, etapa fundamental para a formação da próxima safra.
Sul de Minas e Zona da Mata concentram maior risco de granizo
De acordo com informações meteorológicas, as regiões do Sul de Minas e da Zona da Mata apresentam maior incidência desse tipo de ocorrência devido às características do relevo, que favorecem a formação de tempestades severas.
Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizando Gemiacki, o comportamento climático registrado neste período foge do padrão esperado para a estação seca.
“Estamos vivendo uma condição atípica para esta época do ano. Ainda existe possibilidade de chuvas acompanhadas de rajadas de vento e eventual queda de granizo em municípios do Sul de Minas e da Zona da Mata nos próximos dias”, explica.
Recuperação dos cafezais exige diagnóstico técnico antes de qualquer intervenção
Diante dos prejuízos causados pelo granizo, especialistas recomendam que os produtores evitem ações imediatas sem uma avaliação técnica detalhada dos danos.
Orientações do Conselho Nacional do Café (CNC) indicam que o primeiro passo é realizar um diagnóstico completo da lavoura para definir as estratégias de recuperação mais adequadas.
Nas áreas com danos leves, caracterizados por perda parcial de folhas e pequenos ferimentos nos ramos, a recomendação é manter os tratos culturais normalmente, reforçando a adubação, a nutrição das plantas e o monitoramento fitossanitário.
Já nos cafezais que sofreram danos severos, com quebra significativa de ramos produtivos e comprometimento estrutural das plantas, pode ser necessária a realização de podas seletivas para estimular a brotação e recuperar o potencial produtivo.
Ferimentos aumentam risco de doenças nas lavouras
Outro fator que exige atenção dos cafeicultores é o aumento da vulnerabilidade das plantas a doenças.
Os ferimentos provocados pelo impacto das pedras de gelo facilitam a entrada de fungos e bactérias, elevando o risco de infecções que podem comprometer ainda mais a produtividade da lavoura.
Por isso, técnicos recomendam monitoramento constante e adoção rápida de medidas fitossanitárias sempre que houver identificação de focos de doenças.
El Niño pode aumentar desafios para a cafeicultura brasileira
Além dos prejuízos imediatos provocados pelo granizo, o setor cafeeiro acompanha com atenção a evolução das condições climáticas para o segundo semestre de 2026.
A intensificação do fenômeno El Niño poderá alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras do país, trazendo riscos adicionais para a produção agrícola.
No caso da cafeicultura mineira, períodos prolongados de calor e déficit hídrico podem afetar etapas decisivas do ciclo produtivo, como a floração, o desenvolvimento dos frutos e o enchimento dos grãos, com reflexos diretos sobre produtividade e qualidade da bebida.
Planejamento e conservação da água ganham importância nas propriedades rurais
Diante do cenário de maior instabilidade climática, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) orienta os produtores a intensificarem o planejamento da próxima safra.
Entre as principais recomendações estão:
- Uso de cobertura vegetal para conservação da umidade do solo;
- Adoção de práticas de plantio conservacionistas;
- Escolha de cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico;
- Planejamento eficiente da irrigação;
- Investimentos em gestão sustentável dos recursos hídricos.
Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Feliciano Nogueira, a assistência técnica será fundamental para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a produção rural.
“Diante das perspectivas relacionadas ao El Niño, nosso trabalho é orientar agricultores e pecuaristas sobre estratégias capazes de minimizar os efeitos do fenômeno climático e preservar a sustentabilidade das atividades agropecuárias”, afirma.
Cafeicultura precisa investir em resiliência climática
Especialistas destacam que a frequência crescente de eventos extremos exige uma mudança de postura no campo, com foco não apenas na recuperação dos danos, mas também na prevenção.
Programas de irrigação sustentável, revitalização de bacias hidrográficas, certificações de boas práticas agrícolas e ferramentas de planejamento territorial estão entre as iniciativas que podem fortalecer a resiliência das propriedades rurais.
Para a cafeicultura mineira, líder nacional na produção de café, a combinação entre assistência técnica, manejo adequado e planejamento climático será cada vez mais decisiva para garantir produtividade, qualidade e competitividade diante dos desafios impostos pelas mudanças no clima.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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