AGRONEGÓCIO
Safra de Milho no Paraná Tem Previsão de Maior Produtividade de Sua História
Publicado em
31 de março de 2025por
Da Redação
A safra de milho do Paraná 2024 promete quebrar recordes de produtividade. A estimativa de produção da primeira safra é de 2,8 milhões de toneladas, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, quando foram colhidas 2,5 milhões de toneladas. Apesar da expansão na produção, a área cultivada será 9% menor, com 268,3 mil hectares, frente aos 294,3 mil hectares de 2024.
De acordo com a Previsão Subjetiva de Safra (PSS), divulgada na última quinta-feira (27/03) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a primeira safra de milho já ultrapassou 90% de colheita, superando as expectativas de produtividade, que devem alcançar 10.627 quilos por hectare — o maior índice da história. Esse número se destaca quando comparado aos 8.582 quilos por hectare do ano passado.
O analista do Deral, Edmar Gervásio, destaca que o mercado está favorável ao produtor, com o preço da saca girando em torno de R$ 70, o que representa uma alta superior a 40% em relação ao mesmo período de 2024. “Além disso, os custos de implementação da lavoura também foram menores em comparação ao ano anterior”, afirma Gervásio.
Porém, a expectativa para os preços futuros é de queda, uma vez que a safra mundial se apresenta favorável, e o plantio nos Estados Unidos — maior produtor mundial de milho — está previsto para iniciar em abril, com aumento na área cultivada.
Projeções para a Segunda Safra e Impactos Climáticos
As previsões para a segunda safra de milho não são tão otimistas. A escassez de chuvas e as altas temperaturas registradas no mês de março podem prejudicar o desenvolvimento da cultura, embora, até o momento, a estimativa de produção seja de 15,9 milhões de toneladas.
Soja: Impacto Climático Reduz Expectativas de Produção
As condições climáticas também afetaram a produção de soja. A previsão atual é de uma safra de 21,06 milhões de toneladas, 0,12 milhão a menos que a estimativa de fevereiro (21,18 milhões). A colheita de 5,76 milhões de hectares, que já alcançou 90% de conclusão, reflete as dificuldades enfrentadas, especialmente no Oeste e Norte do Paraná, regiões responsáveis por 43% da área cultivada. Por outro lado, a região Sul teve um desempenho superior, com aumento na produtividade.
Segundo Gervásio, a perda de 1,17 milhão de toneladas (5,3%) representa uma diminuição de R$ 2,3 bilhões no mercado estadual, embora o produtor ainda obtenha uma safra vantajosa, devido à redução nos custos de plantio e ao preço médio de venda, que é cerca de 13% superior ao do mesmo período de 2024.
Olericultura: Resultados Mistos para os Vegetais
A colheita da segunda safra de batata tem apresentado boa produtividade, enquanto a de cebola foi concluída com resultados ajustados. A primeira safra de tomate está na fase final de colheita, com bom desempenho, mas a segunda safra enfrenta desafios de produtividade. No mercado atacadista, o tomate viu um aumento significativo no preço, enquanto a batata e a cebola apresentaram quedas acentuadas, refletindo flutuações na oferta e demanda.
A segunda safra de batata já foi 92% plantada e deve produzir 342,6 mil toneladas, com uma produtividade de 31,2 toneladas por hectare. Entretanto, os preços da batata no atacado caíram 58,33% em relação ao ano passado, ficando em R$ 55,00 a saca de 25 quilos.
A safra de cebola foi concluída com 129,1 mil toneladas colhidas, um volume 2% menor que no ano anterior. A produtividade alcançou 39,8 toneladas por hectare, o que representa um aumento de 2,3% sobre a previsão inicial. No entanto, o preço de atacado da cebola sofreu uma queda de 59,9% em relação ao mesmo período de 2024, ficando em R$ 22,32 a saca de 20 quilos.
Já o tomate de primeira safra está com 99% da colheita realizada, totalizando 156,8 mil toneladas, das 170,9 mil toneladas previstas. A segunda safra, no entanto, apresenta uma produtividade bem abaixo da estimada, com apenas 28,1 toneladas por hectare, o que impactou negativamente os preços. No atacado, o preço da caixa de 20 quilos de tomate aumentou 66,7% em relação ao mês passado, alcançando R$ 150,00.
Culturas de Inverno: Projeções Positivas
O Deral também divulgou as primeiras estimativas para as culturas de inverno, como aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale, apontando uma produção de 3,8 milhões de toneladas em 2025, o que representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior, embora a área plantada seja 15% menor.
Feijão: Estabilidade nas Expectativas de Produção
Para o feijão de segunda safra, as expectativas permanecem estáveis em relação ao mês passado, com uma estimativa de produção de 610,6 mil toneladas, em uma área de 332 mil hectares.
Projeção de Produção Total para 2025
Com base nas previsões para as culturas de inverno, a produção total de grãos no Paraná em 2025 é estimada em 45 milhões de toneladas, um aumento de 19% em relação ao ano passado, cultivadas em uma área de 10,5 milhões de hectares.
Boletim de Conjuntura Agropecuária
Além das estimativas de safra, o Deral também divulgou o Boletim de Conjuntura Agropecuária, que abordou as perspectivas de aumento nos preços do leite, devido à menor captação industrial e ao crescimento nas exportações. O boletim ainda destacou o recorde de abates de suínos em 2024, apesar da retração na produção de carne devido à redução no peso médio dos animais. A produção de ovos também bateu recordes, com o Paraná mantendo a segunda posição no ranking nacional, com 459,114 milhões de dúzias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
5 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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