AGRONEGÓCIO
Inflação Persistente: Os Desafios para a Economia Global e Brasileira
Publicado em
31 de março de 2025por
Da Redação
Antes da pandemia de Covid-19, a economia mundial era caracterizada por estabilidade de preços, inflação baixa e taxas de juros próximas de zero, chegando a ser negativas em alguns países. Nos Estados Unidos e na Europa, a inflação anual raramente ultrapassava 2% por mais de uma década, enquanto o Brasil mantinha um índice próximo à meta de 4,5%, com taxa de juros inferior a 7%.
No entanto, a pandemia alterou esse cenário de forma abrupta. Inicialmente, houve uma forte desaceleração econômica, com quedas nos preços. Mas, com o fim dos lockdowns, os valores dispararam globalmente. No Brasil, a inflação subiu de 4,19% em janeiro de 2020 para 12,13% em abril de 2022. Nos EUA, passou de 2,5% no início de 2020 para 9,1% em junho de 2022, um nível não visto desde os anos 1980.
Diante desse cenário, bancos centrais de vários países elevaram os juros para conter a inflação. Nos EUA, a taxa básica subiu de 0,25% para 5,5% entre 2022 e 2023. No Brasil, os juros passaram de 2% em fevereiro de 2021 para 13,75% em agosto de 2022. Desde então, autoridades e agentes do mercado esperam um retorno à normalidade, mas essa expectativa tem sido frustrada.
Por que a inflação segue resistente?
Apesar de ter recuado, a inflação ainda está acima dos patamares pré-pandemia. Segundo o economista Joseph Gagnon, do Peterson Institute for International Economics (PIIE), a dificuldade em reduzir a inflação de 3% para 2% ocorre devido a um efeito de transmissão de preços. A alta nos custos de alimentos e energia impulsionou reajustes salariais, o que, por sua vez, elevou o custo dos serviços. Essa inércia faz com que a inflação continue elevada, mesmo que os fatores iniciais tenham se estabilizado.
Outro fator crítico é a situação fiscal global. Governos que gastam mais do que arrecadam ampliam suas dívidas, o que desvaloriza a moeda e pressiona os preços para cima. “Se as dívidas do país estão em outro patamar, o nível dos juros também estará”, explica Zeina Latif, da Gibraltar Consulting.
O impacto do novo contexto global
A transição para uma matriz energética mais sustentável também influencia os preços. A Europa e os EUA têm investido em redução de emissões de carbono, aumentando custos de produção. Além disso, a instabilidade política e comercial gerada pelo governo de Donald Trump também adiciona incerteza ao cenário econômico.
Nos EUA, as recentes políticas tarifárias devem elevar a inflação ao tornarem os produtos importados mais caros. “A probabilidade de uma recessão nos EUA aumentou de 15% para 30%”, aponta Gagnon. Isso pode impactar economias emergentes, como a brasileira, que sofrem com a fuga de capitais em cenários de juros elevados nos EUA.
O Brasil diante dos desafios econômicos
A inflação no Brasil tem sido parcialmente mitigada pelo aquecimento do mercado de trabalho, que permitiu reajustes salariais. No entanto, o endividamento do governo é um fator preocupante. Gesner Oliveira, economista da GO Associados, destaca que o equilíbrio fiscal brasileiro só deve ser alcançado a partir de 2026, o que pode manter as pressões inflacionárias.
Outro risco é o aumento dos gastos previdenciários, especialmente com trabalhadores autônomos do MEI, cujas aposentadorias podem se tornar um desafio para as contas públicas.
Com isso, o Brasil e o mundo ainda enfrentam um período de incertezas, em que a inflação resistente e os juros elevados seguem impactando o crescimento econômico e as perspectivas de estabilidade financeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro
Published
5 horas agoon
1 de julho de 2026By
Da Redação
O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.
Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.
Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela
O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.
Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.
Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural
Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.
Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.
Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.
A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.
Cooperativas ampliam presença no campo
Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.
Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.
Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.
CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado
A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.
O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.
Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.
Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.
Desafio para produtores passa a ser gestão financeira
Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.
Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.
Nova fase do crédito rural já começou
O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.
Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.
A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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