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Reestruturação de Dívidas no Setor Agropecuário: Cinco Aspectos Cruciais para Bancos e Fundos na Repactuação de Crédito

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O atual cenário econômico, marcado por custos elevados de crédito, tem levado instituições financeiras e gestores de fundos, tanto nacionais quanto internacionais, a realizar a reestruturação de linhas de crédito em reais e dólares para empresas de diversos setores, incluindo o agronegócio. Operações locais, como emissões de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), empréstimos, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), bem como operações internacionais, como empréstimos diretos e Permanent Payment Exposures (PPEs), estão sendo reavaliadas.

A seguir, apresentamos cinco pontos essenciais a serem observados pelos credores em processos de renegociação de dívidas com empresas tomadoras:

1. Tipo de Instrumento Contratual a Ser Firmado

As repactuações de dívida são frequentemente formalizadas por meio de aditivos ao contrato original ou instrumentos de confissão de dívida. O principal é que o contrato, independentemente de sua natureza, seja objetivo e contenha disposições claras que garantam liquidez, certeza e exigibilidade à dívida, além de constituir um título executivo extrajudicial, facilitando sua execução judicial em caso de inadimplemento.

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2. Definição do Valor da Dívida Confessada

A cláusula que define o montante da dívida deve ser precisa, especificando o valor exato ou a metodologia para determinar esse valor, quando necessário. Deve também declarar que o devedor reconhece a dívida como líquida, certa e exigível, conforme o caso.

3. Encargos a Serem Aplicados na Reestruturação

É fundamental esclarecer se o cronograma de pagamento da dívida será submetido a uma nova estipulação de juros remuneratórios, moratórios e multa, ou se os encargos previstos no contrato original serão mantidos. Muitas vezes, a falta de clareza nesse aspecto resulta em questionamentos judiciais, pois pode haver sobreposição de disposições entre o contrato original e o renegociado.

4. Inclusão de Cláusula de Cessão do Crédito

Dado que o mercado de créditos “estressados” no Brasil é bastante dinâmico, credores devem considerar a inserção de cláusula contratual que permita a cessão do crédito, direitos e obrigações decorrentes do contrato de repactuação a terceiros, sem a necessidade de consentimento do devedor ou dos garantidores. Esse tipo de previsão é importante para evitar que operações de venda de créditos sejam impedidas por falta de uma cláusula específica.

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5. Garantias para Lastrear a Dívida Reestruturada

Em renegociações de dívidas, é recomendável que os credores busquem negociar a inclusão de garantias. Embora as garantias reais, como bens móveis, imóveis e direitos creditórios líquidos, sejam preferidas, garantias pessoais, como aval ou fiança sem benefício de ordem, podem ser importantes para assegurar o compromisso dos diretores, sócios ou familiares do devedor no pagamento da dívida.

Esses cinco pontos são baseados em análises de diversas reestruturações de dívidas e na jurisprudência das principais jurisdições do país, oferecendo uma visão prática para credores que atuam no agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Gestão financeira e controle de risco ditam o novo ritmo do agronegócio

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Em um cenário macroeconômico complexo, marcado por juros elevados, crédito privado mais seletivo e intensa oscilação nos preços internacionais das commodities, a máxima de que “basta produzir bem para garantir o lucro” perdeu validade no campo. A eficiência técnica, antes o principal pilar de sucesso do produtor brasileiro, agora precisa dividir espaço com planilhas de custos complexas, ferramentas de hedge e governança corporativa.

Essa mudança estrutural será o fio condutor do Summit Pensar Agro, evento que acontece na próxima sexta-feira (29.05) dentro da programação da feira Green Farm 2026, no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá.

O encontro reunirá produtores, empresários, investidores e lideranças institucionais para debater como a gestão financeira e a inteligência de mercado deixaram de ser temas periféricos e se tornaram ferramentas de sobrevivência.

A virada de chave no campo

Isan Rezende

O debate ocorre em um momento de forte pressão sobre o caixa das propriedades rurais. Nos últimos ciclos agrícolas, o aumento expressivo nos custos de insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos, maquinário e energia, elevou substancialmente a necessidade de capitalização do produtor. Na outra ponta, a instabilidade geopolítica e climática reduziu a previsibilidade das receitas.

Na avaliação do curador do Summit Pensar Agro, Isan Rezende, o setor atravessa um divisor de águas na administração da atividade. “O agro brasileiro atingiu um nível extremamente elevado de produtividade e tecnologia dentro da porteira. Mas agora o diferencial competitivo passa cada vez mais pela capacidade de gestão. O produtor que não tiver planejamento financeiro, controle de margem e visão estratégica terá dificuldade para atravessar os ciclos de volatilidade que o mercado impõe”, afirma Rezende.

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Segundo ele, a sofisticação da atividade exige que o produtor rural moderno passe a atuar como o CEO de uma empresa de alto risco, exposta a variáveis globais que fogem ao seu controle direto.

O grande destaque do evento será o painel “Inteligência Financeira no Agro: O Caminho para Crescer com Segurança”, estruturado para traduzir conceitos técnicos do mercado financeiro em aplicações práticas para o dia a dia das fazendas. O debate será sustentado por três pilares essenciais:

Gestão financeira estruturada: Conduzido por Marlei Danielli, diretora da WFlow Agro MT

A especialista abordará os fundamentos da saúde financeira rural, como o controle rigoroso de custos por hectare, planejamento de fluxo de caixa e estruturação estratégica do crédito agrícola. O objetivo é mitigar o comportamento reativo de produtores que ainda tomam decisões sob a pressão imediata por liquidez.

Tecnologia aliada à decisão: Sob a ótica de Mauro Paglione, CEO do Grupo SAA Software, o painel discutirá como a digitalização e os sistemas integrados de dados podem simplificar processos operacionais. A tese é de que a tecnologia não deve ser um fim em si mesma, mas um meio para gerar previsibilidade e eficiência para pequenos, médios e grandes produtores.

Inteligência de mercado e mitigação de risco: A perspectiva de proteção patrimonial será apresentada por Marco Antônio de Oliveira, CEO da FertiHedge. Ele detalhará o uso de travas de preços (hedge) e estratégias de comercialização diante da forte volatilidade cambial e do preço dos fertilizantes.

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A mensagem central do painel resume o novo ecossistema do setor: “O agro brasileiro não será transformado apenas por quem produz mais. Será transformado por quem decide melhor.”

Além do caixa: as novas fronteiras do Centro-Oeste

Além do foco em finanças, o Summit Pensar Agro ampliará o horizonte de discussões com o Fórum Brasil Central, um espaço dedicado a debater logística regional, sustentabilidade, agroindústria e novas fronteiras produtivas.

O painel contará com a presença de especialistas de peso do setor público e privado:

Antonio Barreto

Antônio Queiroz Barreto (Subsecretário de Políticas Econômicas Agropecuárias da Secretaria da Agricultura do DF), que falará sobre o potencial de Brasília e da RIDE-DF como nova fronteira da fruticultura nacional.

Claudio Junior

Cláudio Júnior Oliveira (Diretor Operacional do SINDAG), analisando o cenário atual e as perspectivas do setor aeroagrícola no País.

Daniele CoelhoDaniele Coelho Marques (Consultora Técnica da CNA), que levará ao debate o panorama agroambiental e os desafios de conformidade no Mato Grosso do Sul.

Vanessa Gasch

Vanessa Gasch (Gerente Corporativa de Desenvolvimento Industrial da FIEMT), que debaterá o papel estratégico das agroindústrias na verticalização e agregação de valor à economia mato-grossense.

Ao conectar a macroeconomia e o mercado de capitais à realidade do campo, o Summit em Cuiabá se posiciona como um termômetro importante para os rumos do agronegócio nacional em 2026, apontando que o futuro do setor depende, fundamentalmente, de uma gestão baseada em inteligência, previsibilidade e governança. Leia mais aqui

Fonte: Pensar Agro

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