AGRONEGÓCIO

Lançamento do projeto Marca Agro do Brasil inova com participação da população urbana

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O Projeto Marca Agro do Brasil foi lançado oficialmente nesta segunda-feira, 22 de abril, em São Paulo, com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-SP). A iniciativa, pioneira no país, tem como objetivo promover o agronegócio como uma paixão nacional, comparável ao futebol, e contou com a participação da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA).

A cerimônia de lançamento reuniu autoridades, representantes de entidades, associações, empresas do setor agro e profissionais da comunicação. A jornada para a construção do projeto levou quase cinco anos e buscou envolver tanto o setor público quanto o privado para posicionar corretamente a marca Agro do Brasil.

A campanha de comunicação adotará o slogan: “Descubra o agro e experimente um mundo de oportunidades. Agro do Brasil. Torna a nossa vida melhor.” Essa mensagem foi aprovada pela população urbana por meio de grupos de pesquisa qualitativa e uma pesquisa quantitativa com mais de 380 participantes de todos os Estados do Brasil. As decisões do projeto foram baseadas em dados e pesquisas para entender a percepção do brasileiro sobre o agronegócio.

Ricardo Nicodemos, presidente da ABMRA, explicou que a pesquisa “Percepções sobre o Agro. O que pensa o Brasileiro” revelou dados interessantes: 43% da população tem uma posição favorável ao setor, 33% mostram-se distantes e 24% permanecem neutros. Um dos dados mais preocupantes foi o fato de 51% do grupo desfavorável ser composto por jovens entre 15 e 29 anos. Esses jovens têm potencial para influenciar gerações futuras e são ativos nas redes sociais.

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Com o intuito de alcançar o público neutro, o projeto focará em uma abordagem amistosa, utilizando linguagem acessível para demonstrar que o agronegócio não é apenas um fornecedor de alimentos, mas um setor que contribui para a melhoria da qualidade de vida, promovendo oportunidades de estudo, trabalho e empreendedorismo.

O presidente da FAESP/SENAR-SP, Tirso Meirelles, enfatizou a importância da iniciativa para derrubar mitos e fortalecer a imagem do agronegócio. Segundo ele, a falta de informação e a ausência de uma política de Estado para o setor enfraquecem as cadeias produtivas, tornando a união de esforços essencial para corrigir essas percepções equivocadas.

Durante o evento, Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura, expressou entusiasmo pelo projeto, afirmando que ele pode unir o setor e trazer reconhecimento ao agronegócio brasileiro. Para Rodrigues, o orgulho pelo setor é fundamental para sua promoção e ele sonha com o dia em que o Brasil será campeão mundial no combate à fome e na conquista da paz.

Outros participantes, como o deputado Pedro Lupion (PP-PR) e a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, destacaram a necessidade de melhorar a comunicação do setor agro para combater as narrativas inverídicas e aumentar a credibilidade do agronegócio.

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O Projeto Marca Agro do Brasil se baseará em três pilares: Consistência, Frequência e Sequência. O projeto pretende criar um Hub de Conteúdo para centralizar a produção de informações e atuar em diferentes mídias, desde TV e rádio até redes sociais. Atividades presenciais em escolas e exposições virtuais em shoppings estão entre as ações previstas para alcançar um público mais amplo.

Com um planejamento de 12 meses, o projeto será dividido em três fases, com a primeira focada na estruturação do Hub de Conteúdo e redes sociais, a segunda nos lançamentos do Portal e ações em escolas, e a terceira em campanhas em mídias de massa. O financiamento virá de indústrias do setor agro e associações de produtores, com detalhes do plano comercial disponíveis a partir do dia 2 de maio.

Ricardo Nicodemos finalizou dizendo que o Projeto Marca Agro do Brasil é o resultado de um anseio antigo do setor por um posicionamento forte e uma narrativa positiva que gere empatia entre a população urbana. Para Nicodemos, a jornada está apenas começando, mas a união entre o público e o privado é um passo importante para fortalecer a imagem do agronegócio no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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