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Banco Central Eleva Projeção de Crescimento do PIB para 2024

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O Banco Central (BC) revisou para cima a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, elevando a previsão de 3,2% para 3,5%, conforme divulgado na edição de dezembro do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Para 2025, a projeção também foi ajustada, passando de 2% para 2,1%.

De acordo com o BC, a revisão para 2024 reflete, em grande parte, o desempenho melhor do que o esperado no terceiro trimestre deste ano, além de indicadores preliminares do quarto trimestre e ajustes nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT).

Setores Econômicos: Ajustes nas Projeções para Oferta e Demanda

Sob a ótica da oferta, o aumento na projeção do PIB foi influenciado pelo crescimento esperado no setor de serviços, cuja estimativa foi revisada de 3,2% para 3,8%. O ajuste reflete surpresas positivas amplamente distribuídas entre as atividades do setor, incluindo intermediação financeira, outros serviços e administração pública.

Por outro lado, a projeção para a agropecuária foi reduzida de -1,6% para -2,0%, em função da revisão das séries históricas e prognósticos atualizados para a safra de 2024. Para a indústria, a estimativa também foi ajustada, passando de 3,5% para 3,3%, com variações entre os diferentes subsetores.

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Do ponto de vista da demanda, o consumo das famílias registrou uma revisão significativa, subindo de 4,5% para 5,3%, impulsionado por resultados acima do esperado no terceiro trimestre. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos, teve aumento de 5,5% para 7,3%. Em contrapartida, a previsão de crescimento do consumo do governo foi reduzida de 2,7% para 1,9%, refletindo uma menor variação interanual no primeiro semestre e resultados mais fracos no terceiro trimestre.

No comércio exterior, as exportações mantiveram uma projeção estável de crescimento em torno de 3%, enquanto as importações tiveram uma revisão para cima, de 11,3% para 13,7%.

Previsão para 2025: Perspectiva de Crescimento Moderado

Para 2025, o Banco Central projeta um crescimento mais moderado, de 2,1%, levemente acima da previsão anterior de 2%. O ajuste reflete expectativas mais positivas para a agropecuária, com ampliação da safra de grãos, e um efeito estatístico favorável decorrente do desempenho de 2024.

No entanto, fatores como uma política monetária mais restritiva, menor estímulo fiscal e redução do crescimento global pesam sobre a projeção, que se mantém abaixo da estimativa para 2024.

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Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias e os investimentos tiveram suas previsões elevadas para 2,4% e 2,9%, respectivamente. Já o consumo do governo foi revisado para baixo, de 2% para 1,6%.

Riscos e Cenário Econômico

O BC aponta que há riscos significativos para o cenário projetado. No âmbito externo, tensões geopolíticas e a desaceleração econômica global podem impactar negativamente o crescimento. No contexto interno, o aperto monetário recente pode ter efeitos contracionistas mais intensos do que o previsto.

Por outro lado, o BC considera que as reformas estruturais realizadas nos últimos anos podem continuar gerando surpresas positivas, contribuindo para um crescimento acima do potencial estimado.

As novas previsões consolidam um panorama de crescimento robusto para 2024, ainda que mais cauteloso para 2025, destacando a importância de fatores internos e externos na evolução da economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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