AGRONEGÓCIO
IAC suspende pesquisas em áreas chave devido à falta de pesquisadores e estrutura
Publicado em
2 de dezembro de 2024por
Da Redação
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), referência histórica e internacional em pesquisas agrícolas, enfrenta um cenário preocupante de paralisia em seus estudos devido à escassez de pesquisadores e servidores. Segundo levantamento da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), áreas cruciais para o desenvolvimento de novas variedades de hortaliças, grãos como triticale, grão-de-bico e arroz, além de pesquisas sobre fibras e genética vegetal, estão com suas atividades interrompidas. O laboratório dedicado à análise da qualidade da fibra de algodão também foi afetado.
Desde 2003, o IAC não recebe novas contratações de pesquisadores pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), e o último concurso, realizado em 2023, previu apenas 37 vagas para a área de pesquisa, mas sem convocação até o momento. De acordo com dados oficiais, a SAA enfrenta um déficit significativo de servidores, com 746 cargos vagos em relação a 448 preenchidos, e, considerando as carreiras de apoio à pesquisa, esse número sobe para 4.539 cargos vagos.
Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC, destaca que além da paralisia das pesquisas, a aposentadoria de pesquisadores sem sucessores representa um “apagão da ciência”, resultando na perda de décadas de experiência acumulada.
Desafios históricos e ameaça à Fazenda Santa Elisa
Criado em 1887 por Dom Pedro II, o IAC tem sido um pilar para o avanço da agricultura brasileira, com contribuições que vão desde melhorias no setor sucroenergético até importantes progressos no melhoramento de grãos. No entanto, o instituto agora enfrenta desafios graves, como a ameaça de perda de áreas dedicadas à pesquisa.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, determinou um levantamento para identificar propriedades que possam ser vendidas, incluindo a Fazenda Santa Elisa, situada na região urbana de Campinas. A APqC denuncia que há planos para desmembrar sete hectares da propriedade, onde estão localizados parte do banco de germoplasma de café — um dos maiores do mundo — e pesquisas com macaúba, que é vista como alternativa para biocombustíveis.
“Vender áreas de pesquisa para gerar caixa é um erro estratégico. O valor da venda se esgota rapidamente, enquanto o conhecimento gerado pela pesquisa agrega valor ao longo do tempo, beneficiando a economia do Estado por décadas”, argumenta Lutgens.
A Fazenda Santa Elisa, que realiza cerca de 90% das pesquisas cafeeiras financiadas pelo Funcafé, do Ministério da Agricultura, também recebe recursos de convênios com a Embrapa e de instituições como a Fapesp. Esses projetos, que incluem o banco de germoplasma, são sustentados por recursos extraorçamentários, uma vez que o Estado não financia diretamente essas atividades.
Mobilização contra a venda das áreas de pesquisa
Diversos setores da sociedade têm se mobilizado contra a venda das áreas de pesquisa do IAC, com manifestações de apoio vindo de entidades como a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), que enviou um ofício ao governador solicitando a preservação da Fazenda Santa Elisa.
Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputados questionaram a SAA sobre o plano de venda das áreas de pesquisa, enquanto a Câmara Municipal de Campinas aprovou uma moção contra a venda. Além disso, um abaixo-assinado foi criado, reunindo dezenas de entidades e lideranças em apoio à preservação das áreas de pesquisa agrícola essenciais para o desenvolvimento do setor no Estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio
Published
6 minutos agoon
8 de junho de 2026By
Da Redação
As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.
Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.
China responde por mais da metade das exportações brasileiras
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.
Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.
O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.
Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores
Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.
Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.
Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.
Carne in natura domina receita das exportações
A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.
O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.
Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.
O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.
Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira
A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.
Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.
Perspectivas seguem positivas para o restante do ano
Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.
A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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