AGRONEGÓCIO

Monitoramento do Ácaro-Rajado: A Nova Ameaça à Produtividade do Algodão

Publicado em

O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) exige monitoramento rigoroso, pois, se não for controlado quando atingir 10% das plantas de algodão infestadas, pode provocar perdas estimadas em 20% da lavoura. Essa estimativa, equivalente a mais de 1.000 kg de fibra por hectare em uma área com potencial produtivo de 5,2 mil quilos por hectare, é ressaltada pelo pesquisador Jacob Crosariol Netto, do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA). Segundo ele, essa praga, que até cinco anos atrás ocupava uma posição secundária, agora se destaca entre os agentes que causam perdas na produtividade do algodão.

Crosariol Netto explica que, anteriormente, o ácaro-rajado aparecia apenas no final do ciclo da cultura, em ambientes secos, ou no meio e fim da safra, exigindo cuidados que o produtor conseguia manejar com facilidade. Contudo, atualmente, essa praga está presente durante todo o ciclo do algodão, o que demanda atenção redobrada.

Nas regiões mato-grossenses de Campo Verde e Primavera do Leste, o pesquisador observa que a aplicação excessiva de fungicidas para doenças foliares e inseticidas de baixa seletividade tem eliminado os inimigos naturais do ácaro-rajado. “Esses produtos não controlam a praga e, ao contrário, aceleram seu ciclo reprodutivo, fazendo com que as populações do ácaro se multipliquem rapidamente”, afirma.

Leia Também:  Colheita de algodão alcança 95,6% e pode bater recorde histórico

Esse cenário requer cuidados específicos nas aplicações de acaricidas e outras medidas protetivas. “No passado, realizávamos de duas a três aplicações desses produtos. Hoje, chegamos a realizar até 12 aplicações na safra, dependendo da região do Mato Grosso”, revela.

Crosariol Netto também foi um dos responsáveis por conduzir ensaios com o acaricida fenpiroximato, da Sipcam Nichino Brasil, recentemente registrado para controle do ácaro-rajado. Ele destaca que, integrado aos sistemas de manejo da cultura e em rotação com outros ativos, essa solução demonstrou eficácia de controle superior a 80%. “Devemos aplicar em condições de controle, quando a população do ácaro-rajado estiver no nível ideal de 10% de plantas infestadas”, enfatiza. “As soluções existentes, como o fenpiroximato, demandam uma boa tecnologia de aplicação, pois o ácaro se instala na parte inferior da folha, e precisamos garantir uma distribuição adequada de gotas para atingir o alvo”, complementa.

O pesquisador salienta a importância do monitoramento constante das lavouras e a busca por recursos alternativos que possam conter a praga. “Ao optar por cultivares mais saudáveis, que evitam doenças, conseguimos reduzir o uso de fungicidas e, consequentemente, minimizar o desequilíbrio em relação aos inimigos naturais do ácaro-rajado”, exemplifica.

Leia Também:  Bayer e Sebrae-SP Impulsionam Capacitação Profissional e Inclusão Econômica para Safristas de Itaí

Crosariol Netto finaliza alertando que a praga está em ascensão e que a efetividade na rotação de ativos é crucial, uma vez que o ciclo de desenvolvimento do ácaro-rajado é rápido. “Aplicações sequenciais de um mesmo ingrediente ativo na lavoura podem resultar na seleção de populações resistentes. No entanto, com um manejo estruturado, é possível conviver bem com a praga”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Exportação de carne bovina aos EUA expõe frigoríficos brasileiros a até 2,8 milhões de hectares de risco de desmatamento na Amazônia Legal

Published

on

As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.

No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.

Exposição ao risco pode chegar a 2,8 milhões de hectares

A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.

De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:

  • Áreas embargadas por desmatamento ilegal
  • Registros recentes de desmatamento
  • Potencial de desmatamento futuro em áreas fornecedoras

As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.

Leia Também:  Colheita de algodão alcança 95,6% e pode bater recorde histórico
Falhas de rastreabilidade e baixa transparência na cadeia

O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.

Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:

  • 11 das 15 plantas controlam apenas fornecedores diretos
  • Nenhuma empresa apresentou dados auditados de fornecedores indiretos

Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.

Proposta de lei nos EUA pode impactar exportações brasileiras

O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.

A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.

Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.

Pressões globais e impacto na produção agropecuária

O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.

Leia Também:  USDA Revisa para Baixo Estimativa de Consumo Global de Algodão na Safra 2023/2024

O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Recomendações apontam para rastreabilidade total da cadeia

Entre as principais recomendações do estudo estão:

  • Priorizar compras de frigoríficos com baixo risco de desmatamento
  • Implementar rastreabilidade completa, incluindo fornecedores indiretos
  • Fortalecer mecanismos de controle e auditoria independente
  • Considerar restrições a produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas

O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.

Cenário reforça pressão sobre o agronegócio exportador

O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.

O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.

Novo Estudo Radar

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA