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Reforma Tributária: Setores agropecuários criticam listas de produtos incentivados

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Diversos setores da agropecuária manifestaram críticas às listas de produtos contemplados com alíquotas reduzidas ou créditos presumidos na nova reforma tributária. Durante uma reunião do grupo de trabalho responsável pela regulamentação do Projeto de Lei Complementar 68/24, representantes de insumos agrícolas e biotecnologia destacaram que as listas propostas pelo governo não abrangem todos os produtos e serviços essenciais, podendo rapidamente se tornar obsoletas.

Arthur Gomes, da Croplife Brasil, ressaltou que atividades ligadas ao melhoramento de sementes foram excluídas da lista. Por sua vez, Maria Angélica Feijó, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, apontou a ausência de serviços agropecuários e produtos como embriões bovinos nas listas de incentivos.

Eduardo Lourenço, do Instituto Pensar Agropecuária, defendeu a ampliação do crédito presumido para todos os insumos agrícolas, argumentando que o consumidor final acabará arcando com os impostos embutidos no preço dos produtos.

O auditor fiscal de Santa Catarina, Ramon de Medeiros, explicou que a criação das listas está conforme a emenda constitucional da reforma tributária, que prevê uma definição posterior sobre os setores aptos a receber incentivos fiscais.

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Maria Angélica também criticou o limite de faturamento anual de R$ 3,6 milhões para que um produtor rural integrado não seja considerado contribuinte dos novos impostos. Segundo ela, esse limite deveria se aplicar exclusivamente ao pequeno produtor familiar não integrado.

O deputado Pauderney Avelino (União-AM) garantiu que o grupo de trabalho considerará todas as sugestões apresentadas. “Tenho certeza de que muitas das sugestões trazidas serão acolhidas. Precisamos fazer pequenos ajustes finos aqui e devemos fazê-lo”, afirmou.

Reciclagem: Demandas por Tratamento Diferenciado

Ronei da Silva, do Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclado, elogiou a diferenciação tributária para a reciclagem, mas criticou a extensão de benefícios a certas empresas do setor. Segundo ele, equiparar a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos à reciclagem é um erro, pois incentiva práticas como lixões e aterros sanitários, beneficiando grandes conglomerados estrangeiros.

Rodrigo Terra, do Instituto Nacional da Reciclagem, observou que a venda de matéria-prima reciclada está sujeita à mesma tributação que a matéria-prima extraída da natureza, o que desestimula a reciclagem e penaliza o setor.

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Estas discussões sublinham a complexidade da reforma tributária e a necessidade de ajustes para atender às demandas específicas de diferentes setores econômicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agronegócio brasileiro disparam e abril registra segundo melhor resultado da história

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O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no mercado internacional em abril de 2026. As exportações do setor alcançaram US$ 16,6 bilhões no período, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado mensal da série histórica, ficando atrás apenas de maio de 2023.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram avanço consistente das vendas externas, puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.

Complexo soja lidera exportações e garante avanço da receita

A soja voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras. Em abril, os embarques do grão atingiram 16,7 milhões de toneladas, maior volume mensal do ano, gerando receita de US$ 7 bilhões.

Além do aumento da disponibilidade da safra brasileira, o preço médio da commodity também subiu e alcançou US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 2,4 milhões de toneladas
  • Crescimento anual: 13%
  • Preço médio: US$ 363/t

Já o óleo de soja teve comportamento distinto. Apesar da queda de 7,8% no volume exportado, os preços avançaram pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 1.191/t, alta de 15% frente a abril de 2025.

Carne bovina ganha força com demanda chinesa aquecida

O setor de proteínas animais manteve ritmo forte nas exportações, especialmente na carne bovina.

Os embarques de carne bovina in natura cresceram 4,3% em relação a abril do ano passado, somando 252 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 54% do total exportado.

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O principal destaque, no entanto, veio da valorização dos preços:

  • Preço médio da carne bovina: US$ 6.241/t
  • Alta anual: 24%
  • Alta frente a março: 7,3%

Segundo a análise, os chineses aumentaram os preços pagos pela proteína brasileira, influenciando diretamente o movimento de valorização internacional.

Carne suína e frango seguem em expansão

A carne suína também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 121 mil toneladas
  • Crescimento anual: 9,7%
  • Preço médio estável em US$ 2.497/t

Já a carne de frango in natura somou 417 mil toneladas embarcadas, avanço de 2,5% sobre abril de 2025. Os preços médios chegaram a US$ 1.949/t, crescimento anual de 2,1%.

Açúcar perde valor e etanol recua nas exportações

No complexo sucroenergético, o cenário foi mais desafiador.

As exportações de etanol recuaram 50% em volume frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando 87 mil toneladas. Apesar disso, os preços subiram 8%, chegando a US$ 624/m³.

O açúcar VHP registrou:

  • Volume exportado: 958 mil toneladas
  • Alta de 1,2% nos embarques
  • Queda de 23% no preço médio

O açúcar refinado também perdeu valor, com retração de 19% nos preços em relação a abril do ano passado.

Algodão dispara em volume, mas preços seguem pressionados

O algodão em pluma teve um dos maiores avanços do período em volume exportado.

Os embarques atingiram 348 mil toneladas, crescimento expressivo de 55% frente a abril de 2025. Entretanto, os preços continuam em trajetória de queda e recuaram 7,3% na comparação anual, chegando a US$ 1.513/t.

Fertilizantes enfrentam impacto da guerra no Oriente Médio

Enquanto as exportações avançaram, as importações de fertilizantes mostraram desaceleração em abril.

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O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. O mercado segue pressionado pelos impactos geopolíticos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços internacionais e gerou dificuldades logísticas.

Entre os destaques:

  • Forte queda nas importações de fosfatados
  • Redução de cerca de 200 mil toneladas de ureia
  • Aumento equivalente nas compras de sulfato de amônio

O MAP foi importado a US$ 733/t FOB, alta de 16% sobre abril de 2025. Já a ureia alcançou US$ 574/t FOB, disparando 55% na comparação anual.

Segundo o relatório, parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente, o que reduz a capacidade dos dados atuais retratarem totalmente as condições mais recentes do mercado global.

Café perde receita mesmo com preços ainda elevados

Outro ponto de atenção foi o café verde.

Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do produto somaram US$ 4,1 bilhões, mas o volume embarcado caiu 25% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, os preços médios permaneceram elevados em US$ 6.773/t.

Agro mantém protagonismo nas contas externas brasileiras

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio na balança comercial brasileira em 2026, especialmente em um cenário global marcado por volatilidade, tensões geopolíticas e juros elevados nas principais economias.

Com forte demanda internacional por alimentos e proteínas, o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global, sustentado principalmente pela competitividade da soja, carnes e fibras naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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