AGRONEGÓCIO

Melhoramento Genético na Pecuária: Caminho para Lucros e Eficiência

Publicado em

O acompanhamento dos índices de melhoramento genético do gado é essencial para os pecuaristas, pois este fator é crucial na produção de animais de excelência, resultando em redução de custos e aumento dos lucros na gestão dos ciclos. Beatriz Biagi, pecuarista de Ribeirão Preto/SP e referência no melhoramento do rebanho Nelore, destaca os diferenciais das matrizes de seu plantel.

A carne bovina brasileira é uma referência mundial, com o Brasil sendo o segundo maior produtor global, responsável por 18,2% da produção, logo atrás dos EUA com 20,0%, e muito à frente da China, que possui 12,9% da produção (dados USDA). Este cenário de destaque começa dentro das fazendas, especialmente com a ciência do melhoramento genético estratégico dos rebanhos, demonstrando que os pecuaristas brasileiros estão realizando um excelente trabalho, focados na redução de custos e na otimização dos lucros.

Beatriz Biagi, reconhecida pela excelência genética de seu plantel, há quase 30 anos destaca os benefícios do melhoramento nas matrizes de seu rebanho Nelore. “A evolução genética é um processo lento. O compromisso da Beabisa Pecuária com a criação responsável e avaliações consistentes garante que nossos animais ofereçam um equilíbrio perfeito entre temperamento, qualidade e alta performance a pasto”, explica Beatriz. Ela complementa que o criatório aplica uma rigorosa pressão de seleção, avaliando tanto características fenotípicas quanto comportamentais, resultando em animais estáveis e adaptáveis. “Nossas vacas são extremamente produtivas, parindo em média aos 24 meses e desmamando bezerros pesados. Nossas novilhas são precoces, favorecendo resultados financeiros e ambientais”, pontua. Os ganhos do melhoramento intensivo incluem precocidade sexual e acabamento de carcaça, com os animais Beabisa sendo avaliados por renomados programas como ANCP e PMGZ da ABCZ.

Leia Também:  Maior produtor e exportador do mundo, Brasil agora está importando soja
Leilão Genética Top Beabisa Matrizes

O objetivo do trabalho de melhoramento genético na Beabisa é contribuir para a evolução dos plantéis Nelore em todo o Brasil e, consequentemente, aumentar a produtividade da carne bovina brasileira. Em 2023, as matrizes Beabisa foram distribuídas para pecuaristas de 10 estados brasileiros. Neste ano, Beatriz agendou para o dia 13 de junho, às 19h, a oferta de 59 fêmeas Nelore divididas em 54 lotes, incluindo 16 vacas com bezerros ao pé, no evento anual, o Leilão Genética Top Beabisa Matrizes. “Os pecuaristas encontrarão bezerras e novilhas super precoces, vacas paridas e prenhes, frutos de acasalamentos dirigidos e de uma genética aprimorada, focada na evolução da raça Nelore”, ressalta Beatriz. Os participantes terão acesso a matrizes com 2 anos e meio, média MGTe de 23,7 (top 5%), média Deca de 1, e iABCZ de 21,71. Entre os destaques estão as doadoras 2551 (USHUAIA 132) e 2371 (USHUAIA 51), ambas Top 0,5% para habilidade materna, e seguem com bezerros ao pé.

O leilão será transmitido pelo Canal do Boi e organizado pela Central Leilões. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (18) 3608-0999.

Leia Também:  ABAG lança cartilha para melhorar conectividade em áreas rurais durante a 29ª Agrishow

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Frigoríficos no Cerrado falham no controle do desmatamento e 96% têm baixo compromisso socioambiental, aponta Radar Verde

Published

on

Um novo levantamento do Radar Verde acendeu um alerta sobre a cadeia da carne bovina no Cerrado. Segundo o estudo, 96% dos frigoríficos avaliados apresentam grau muito baixo de compromisso no controle do desmatamento, evidenciando fragilidades estruturais na rastreabilidade socioambiental do setor.

A análise avaliou 225 empresas frigoríficas, responsáveis por 262 plantas industriais no bioma, e identificou um cenário de baixa transparência e limitada capacidade de monitoramento da origem do gado ao longo da cadeia produtiva.

Apenas 4% das empresas analisadas ficaram na faixa de baixo compromisso, enquanto nenhuma atingiu níveis intermediários, altos ou muito altos de conformidade ambiental.

Grandes frigoríficos lideram ranking, mas maioria não comprova controle efetivo

Entre as empresas com melhor desempenho no ranking do Radar Verde, aparecem nomes de grande relevância no setor, como Marfrig, Masterboi, Minerva, JBS, Cooperfrigu, Carnes Boi Branco, Plena Alimentos, Agra Agroindustrial de Alimentos S.A. e Frigorífico Pantanal LTDA.

Apesar disso, o estudo destaca que a maior parte do setor ainda não demonstra mecanismos robustos de controle ambiental, especialmente no que diz respeito ao rastreamento completo da cadeia de fornecimento.

De acordo com o relatório, apenas cerca de 3% das empresas avaliadas apresentaram algum nível de controle sobre fornecedores diretos. Já em relação aos fornecedores indiretos — etapa que inclui cria e recria dos animais — não foram identificadas evidências consistentes de monitoramento efetivo.

Essa lacuna é considerada crítica, já que os fornecedores indiretos representam grande parte do ciclo de vida do animal e podem estar associados a áreas com histórico de desmatamento ou irregularidades ambientais.

Baixa transparência agrava cenário e nenhuma empresa respondeu ao levantamento

Outro ponto destacado pelo estudo é a ausência de transparência ativa por parte do setor. Nenhuma das empresas avaliadas respondeu ao questionário enviado pelo Radar Verde para detalhar práticas de monitoramento e controle da cadeia de fornecimento.

Leia Também:  Bahia: Líder Nacional na Produção e Exportação de Manga

Segundo o relatório, a falta de resposta não implica, por si só, irregularidades ambientais, mas reforça a dificuldade de verificação pública das práticas adotadas pelo setor frigorífico no Cerrado.

Diante disso, a avaliação foi baseada exclusivamente em fontes públicas, como políticas ambientais divulgadas, auditorias independentes, documentos oficiais e bases de dados abertas.

Cerrado opera fora do sistema robusto de controle da carne bovina

O estudo aponta que os principais mecanismos de controle socioambiental da pecuária brasileira foram historicamente desenvolvidos com foco na Amazônia, especialmente por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne) e protocolos de auditoria.

No Cerrado, entretanto, não existe um acordo equivalente com força regulatória semelhante. O Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado, lançado em 2024, é citado como avanço, mas ainda sem mecanismos de punição ou obrigatoriedade.

Essa diferença estrutural faz com que grande parte da cadeia produtiva da carne no bioma opere com menor nível de fiscalização e rastreabilidade em comparação à Amazônia.

Mais de 70% das fazendas do Cerrado estão fora do alcance dos sistemas de controle

A análise também evidencia uma limitação territorial significativa dos sistemas atuais de monitoramento.

O Cerrado possui 973.705 propriedades rurais com pelo menos um hectare de pastagem. Desse total, apenas 209.481 fazendas (22%) estão dentro da Amazônia Legal, onde historicamente se concentram os sistemas de rastreabilidade mais consolidados.

As outras 764.224 propriedades, equivalentes a 78% do total, estão fora dessa área e, segundo o relatório, permanecem com baixa cobertura de monitoramento efetivo por parte da indústria frigorífica.

Leia Também:  Exportações de frutas brasileiras superam US$ 900 milhões em 2025, com crescimento em volume e valor

O problema se intensifica no caso dos fornecedores indiretos, que em muitos casos não são acompanhados de forma estruturada pelos sistemas de controle existentes.

Cerrado concentra dinâmica própria de desmatamento e pressão agropecuária

O estudo também destaca que o desmatamento no Cerrado possui características distintas em relação à Amazônia. Enquanto na região amazônica o problema está frequentemente ligado a áreas públicas e conflitos fundiários, no Cerrado a conversão ocorre majoritariamente em propriedades privadas.

Outro fator relevante é o enquadramento legal da supressão de vegetação. No bioma, o Código Florestal permite a preservação de apenas 20% a 35% da vegetação nativa, dependendo da região, enquanto na Amazônia esse percentual pode chegar a 80%, o que amplia a complexidade da análise ambiental.

Segundo o levantamento, essa diferença torna insuficiente a avaliação baseada apenas em desmatamento ilegal para medir o impacto socioambiental das cadeias produtivas.

Cerrado já perdeu metade da vegetação nativa e lidera desmatamento no país

O Cerrado ocupa 23,3% do território brasileiro e já perdeu cerca de 93 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a quase metade de sua cobertura original.

Desse total, 51% foram convertidos em pastagens, 28% em áreas agrícolas e 17% em mosaicos agropecuários.

Em 2024, o bioma registrou 652.197 hectares desmatados, representando 52,5% de todo o desmatamento ocorrido no Brasil no período, consolidando-se como o principal foco de perda de vegetação nativa do país pelo segundo ano consecutivo.

O cenário reforça a pressão crescente sobre o setor pecuário e frigorífico, que passa a ser cada vez mais cobrado por rastreabilidade completa, transparência e comprovação de origem sustentável da carne bovina produzida no bioma.

mapa-distribuicao-frigorificos

Relatório completo

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA