AGRONEGÓCIO
Câmbio como fator-chave no controle da inflação dos alimentos, aponta FGV Ibre
Publicado em
28 de fevereiro de 2025por
Da Redação
A escalada dos preços dos alimentos no Brasil é um desafio multifacetado, que exige uma abordagem ampla e estruturada por parte do governo. Segundo economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), medidas conjunturais são insuficientes para conter a inflação alimentar, sendo necessário um conjunto de políticas de médio e longo prazo. Entre as soluções, destacam-se investimentos em infraestrutura, pesquisa e o incentivo à produtividade não apenas das grandes commodities exportadoras, mas também de culturas essenciais para o consumo interno.
No curto prazo, a principal ação que o governo pode adotar é evitar a desvalorização cambial, fator que impacta diretamente os preços dos alimentos. “Não existe solução fácil, e ainda vamos falar muito sobre alimentos nos próximos anos”, alerta André Braz, pesquisador do FGV Ibre e coordenador dos índices de preços da instituição.
Fatores que impulsionam a inflação alimentar
De acordo com Francisco Pessoa Faria, pesquisador associado do FGV Ibre, a inflação dos alimentos é resultado de um conjunto de fatores, incluindo mudanças climáticas, aumento da demanda interna e externa, queda da oferta devido à substituição de culturas, elevação dos preços internacionais e concentração na distribuição.
“A seca prolongada no Nordeste, por exemplo, teve impactos duradouros na produção local. Ao mesmo tempo, a demanda aumentou com a melhoria do PIB per capita e da distribuição de renda desde os anos 2000, além do crescimento da presença chinesa no mercado de commodities”, explica Faria.
O pesquisador também aponta que a produção de lavouras destinadas ao consumo humano não tem crescido na mesma proporção que as grandes commodities. Entre 2010 e 2023, a área plantada de soja no Brasil cresceu 90% e a de milho, 74%, enquanto outras culturas permaneceram estagnadas. O arroz, por exemplo, perdeu espaço para cultivos mais rentáveis, como a soja. Atualmente, 70% da produção nacional de arroz está concentrada no Rio Grande do Sul, região sujeita a condições climáticas voláteis.
Medidas intervencionistas e soluções estruturais
Diante desse cenário, a ideia de estabelecer cotas de exportação para conter a inflação é vista como ineficaz pelos especialistas. “Muitos produtos com problemas de preço não têm relação com o mercado externo”, afirma Faria. Ele argumenta que o superávit comercial desses produtos contribui para um câmbio mais estável, o que, por sua vez, reduz os preços internos.
Outra alternativa discutida é a redução de impostos sobre determinados setores, mas estudos apontam que tal medida tende a aumentar a margem de lucro dos produtores em vez de resultar em queda de preços ao consumidor. Em vez disso, os economistas sugerem revisão das alíquotas de importação para produtos como arroz e reorientação do Plano Safra, com políticas de preços mínimos para alimentos de alta relevância no consumo doméstico.
No curto prazo, evitar pressão sobre a taxa de câmbio é uma das poucas ferramentas ao alcance do governo. “A desvalorização do real tem impacto direto na inflação. Uma depreciação de 10% pode adicionar até 1 ponto percentual ao IPCA em um ano”, explica Bráulio Borges, pesquisador do FGV Ibre. No caso da cesta básica, que inclui itens essenciais para as famílias, esse impacto pode chegar a 22%.
Perspectivas para a inflação dos alimentos
Em um cenário otimista, André Braz projeta um IPCA de 5,29% para 2024, com a inflação dos alimentos no domícilio em 6%. No entanto, em uma conjuntura mais desfavorável, o IPCA pode atingir 6,65%, e os preços dos alimentos podem subir até 11%. “Tivemos uma ‘tempestade perfeita’ que impactou os alimentos este ano: El Niño, La Niña, depreciação cambial e aumento da demanda”, destaca Braz.
Desde 2020, os alimentos têm sido um dos principais fatores de pressão sobre a inflação. Entre dezembro de 2019 e o final de 2024, os preços da alimentação no domícilio subiram 55%, enquanto o IPCA acumulou alta de 33%. “Se o IPCA indexa a maioria dos salários, isso significa que a renda tem crescido em ritmo mais lento que os preços dos alimentos”, afirma Braz.
Para as famílias de baixa renda, o impacto é ainda maior. O peso da alimentação no custo de vida de quem ganha entre um e 1,5 salário mínimo aumentou de 18% em 2018 para 22% em 2025. Já para quem tem renda acima de 30 salários mínimos, a participação passou de 9,2% para 11,3%.
Diante desse cenário desafiador, os especialistas defendem estratégias de longo prazo, como o incentivo a culturas mais diversificadas, redução de desperdícios, investimentos em silagem e infraestrutura, e estímulo à irrigação. “Essas soluções já eram apontadas há anos, mas sem planejamento adequado, agora enfrentamos os impactos de um problema anunciado”, conclui Braz.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações brasileiras de soja disparam em 2026 e ANEC projeta embarques acima de 108 milhões de toneladas
Published
49 minutos agoon
12 de maio de 2026By
Da Redação
As exportações brasileiras de soja seguem em ritmo acelerado em 2026 e caminham para um dos maiores desempenhos da história do agronegócio nacional. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais apontam que os embarques da oleaginosa devem superar 108 milhões de toneladas no acumulado do ano, mantendo o Brasil como principal fornecedor global do grão.
O levantamento “Shipment Flow Week 18/2026”, elaborado com base em informações da Cargonave, mostra avanço consistente das exportações de soja, farelo de soja, milho e derivados ao longo dos primeiros meses do ano.
Soja brasileira deve ultrapassar 108 milhões de toneladas exportadas
Segundo a ANEC, as exportações brasileiras de soja devem atingir 108,68 milhões de toneladas em 2026, considerando a programação atual de embarques.
Somente em maio, os embarques da oleaginosa foram estimados em aproximadamente 15,99 milhões de toneladas, acima do volume registrado no mesmo período do ano passado.
Os números reforçam o forte ritmo das exportações brasileiras mesmo diante das oscilações do mercado internacional e da maior concorrência global.
Entre janeiro e abril, os volumes embarcados já demonstraram crescimento expressivo em relação ao ano anterior, especialmente nos meses de abril e maio.
China concentra 70% das compras de soja do Brasil
A China segue como principal destino da soja brasileira em 2026.
De acordo com a ANEC, os chineses responderam por 70% das importações da oleaginosa brasileira entre janeiro e abril deste ano.
Na sequência aparecem mercados como:
- Espanha (4%);
- Turquia (4%);
- Tailândia (3%);
- Paquistão (2%);
- Argélia (2%).
O domínio chinês reforça a importância da demanda asiática para o agronegócio brasileiro e para o equilíbrio das exportações nacionais.
Farelo de soja registra crescimento nos embarques
O farelo de soja também apresenta desempenho positivo em 2026.
A ANEC projeta exportações de 10,66 milhões de toneladas do derivado no acumulado do ano até maio, acima do registrado em igual período de 2025.
Entre os principais compradores do farelo brasileiro estão:
- Indonésia (20%);
- Tailândia (10%);
- Irã (10%);
- Holanda (9%);
- Polônia (7%).
O avanço nas vendas externas reforça a competitividade da indústria brasileira de processamento de soja.
Exportações de milho também avançam em 2026
O milho brasileiro mantém crescimento nas exportações, mesmo com volumes ainda abaixo do pico histórico recente.
Segundo a ANEC, os embarques do cereal somaram 5,78 milhões de toneladas até maio de 2026.
Os principais destinos do milho brasileiro no período foram:
- Egito (27%);
- Vietnã (22%);
- Irã (19%);
- Argélia (9%);
- Malásia (5%).
A demanda internacional segue sustentada principalmente por países do Oriente Médio, Norte da África e Sudeste Asiático.
Portos do Arco Norte ampliam participação nos embarques
Os dados da ANEC também mostram a crescente relevância dos portos do Arco Norte nas exportações brasileiras.
Portos como Barcarena, Santarém, Itaqui e Itacoatiara registraram volumes expressivos de embarques de soja e milho durante a semana analisada.
O Porto de Santos continua liderando a movimentação nacional, seguido por Paranaguá e os terminais do Norte do país.
A expansão logística nessas regiões vem contribuindo para reduzir custos de escoamento e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Mercado acompanha demanda global e logística brasileira
O cenário das exportações brasileiras segue sendo acompanhado de perto por tradings, produtores e agentes do mercado internacional.
A combinação entre demanda aquecida da China, recuperação da logística portuária e grande oferta brasileira mantém o país em posição estratégica no comércio global de grãos.
Ao mesmo tempo, o mercado monitora fatores como câmbio, custos logísticos, clima e demanda internacional, que continuarão influenciando o ritmo dos embarques ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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