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China observa com apreensão e esperança possível retorno de Trump à Casa Branca

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A possibilidade de Donald Trump retornar à presidência dos Estados Unidos desperta uma combinação de expectativa e nervosismo na China. Autoridades e cidadãos chineses temem a reedição da guerra comercial que marcou seu primeiro mandato, agravando a já delicada relação entre as duas maiores economias do mundo.

O vice-presidente chinês, Han Zheng, participou recentemente de encontros com líderes empresariais norte-americanos, incluindo Elon Musk, CEO da Tesla, em Washington. Durante as reuniões, Han destacou a importância de as empresas dos EUA consolidarem suas operações na China, contribuindo para a estabilização das relações bilaterais. A agência oficial de notícias Xinhua noticiou que o vice-presidente expressou esperanças de cooperação econômica mais estreita entre os dois países.

Lições do passado e desafios do presente

Durante seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas sobre mais de US$ 300 bilhões em produtos chineses. Em declarações recentes, ele sugeriu a possibilidade de aumentar essas tarifas em pelo menos 10%. Essa postura ameaça aprofundar a fragilidade da economia chinesa, que atualmente enfrenta desafios como a crise imobiliária, dívidas públicas elevadas e alto índice de desemprego entre jovens.

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Apesar da retórica dura, Trump adotou um tom conciliatório ao convidar o presidente chinês, Xi Jinping, para sua posse. Embora Xi tenha enviado Han Zheng como representante, o gesto foi interpretado como uma demonstração de boa vontade, já que, em posses anteriores, a China havia sido representada apenas por seu embaixador.

Durante a reunião com empresários norte-americanos, Han reiterou o convite para que empresas dos EUA, como a Tesla, participem do desenvolvimento econômico da China. O encontro, que contou com a presença de representantes de setores como tecnologia, logística e finanças, foi considerado cordial e ultrapassou o tempo previsto, segundo relatos de participantes.

A busca por estabilidade nas relações bilaterais

A conversa telefônica entre Xi Jinping e Donald Trump na última sexta-feira foi descrita como promissora. Trump classificou o diálogo como “muito bom”, enquanto Xi destacou a necessidade de um “novo ponto de partida” para as relações sino-americanas. Essa visão foi reiterada por Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que enfatizou o desejo de cooperação em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

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Entretanto, memórias das tensões comerciais anteriores permanecem vivas. Empresários como Dominic Desmarais, da Lira Solutions, relataram precauções adicionais para lidar com potenciais novas tarifas. Desmarais destacou que a experiência de 2018, quando Trump implementou tarifas de 25% sobre diversos produtos chineses, gerou prejuízos significativos.

Vulnerabilidades da China diante de novos conflitos

Caso outra guerra comercial se concretize, a China enfrentará mais dificuldades do que em 2018. Além dos problemas econômicos internos, o país lida com uma desaceleração no crescimento e pressões crescentes em mercados globais.

Embora sinais de diplomacia e diálogo estejam presentes, a incerteza permanece como pano de fundo para o futuro das relações entre as duas superpotências. A retomada de tarifas mais severas ou de uma postura conflituosa pode intensificar as dificuldades de ambos os lados, tornando o equilíbrio entre esperança e cautela uma constante na relação sino-americana.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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