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Trigo Russo: Mais cortes de produção são esperados

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Os mercados de trigo tiveram fortes movimentos de alta nas últimas semanas devido a um clima desafiador na Rússia, a principal exportadora global do grão. A Hedgepoint Global Markets aborda, em relatório, o cenário russo.

“Com isso, algumas perguntas relevantes surgem no mercado: há espaço adicional para deterioração da safra russa? O mercado já precificou totalmente a redução da oferta no país?”, observa Alef Dias, analista de Grãos e Macroeconomia da Hedgepoint.

Ainda há espaço para cortes na safra de inverno, e plantio de primavera começa a preocupar

Eventos incomuns de geada no início de maio afetaram regiões nos Distritos Central, Sul e Volga, diminuindo o potencial de rendimento e introduzindo um regime de emergência federal sob o qual os agricultores receberão indenização de seguro por perdas de safra. De acordo com a Russian Grain Union, 1,5M ha de áreas semeadas com grãos foram afetados pela geada tardia.

O modo de emergência foi introduzido em Lipetsk, Tambov, Voronezh e Volgogrado, pois esses oblasts foram os mais prejudicados. Além disso, o risco de seca permanece nos distritos do sul, centro e norte do Cáucaso, resultando em baixos níveis de umidade do solo e baixo potencial de rendimento do trigo de inverno.

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“Considerando as condições climáticas recentes e esperadas, diminuímos nossa estimativa de área colhida para 15,5M ha de trigo de inverno e 12,7M ha de trigo de primavera”, afirma o analista.

Segundo Alef, de acordo com as últimas previsões meteorológicas, o clima mais quente ocorrerá nos distritos do sul e do norte do Cáucaso, com chuvas ocasionais no início de junho nos distritos central e do Volga.

“As previsões meteorológicas de longo prazo preveem condições quentes e secas durante os meses de junho a agosto nos distritos do Sul, Volga e Central, o que, se verificado, poderá reduzir ainda mais o potencial de rendimento do trigo de inverno”, diz.

Além de todos os problemas com a safra de inverno, players e agências locais tem reportado um atraso no plantio da safra de primavera na Sibéria, aumentando riscos de menores rendimentos na região.

Atualmente, as estimativas privadas para a produção total de trigo da Rússia estão girando entre 81,5M mt e 85.3M mt, porém entendemos que essas figuras ainda estão ligeiramente otimistas.

“Com o impacto das geadas, a baixíssima umidade do solo e a expectativas de um clima ainda muito seco nos próximos dias – sem contar os crescentes riscos para a a safra de primavera – entendemos que uma safra acima de 80M mt e um rendimento acima de 3 mt/há é muito difícil de ser realizado. Com isso, nossa atual estimativa para a produção total da Rússia é de 79,2M mt”, aponta.

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Em conclusão, apesar da forte reação dos mercados de trigo à queda das estimativas de produção da Rússia, ainda podem-se esperar novos movimentos de alta no curto e médio prazo, pois entendemos que outras consultorias deveram cortas seus números nos próximos dias e o ajuste no próximo relatório do USDA (a ser divulgado na próxima semana) deve mostrar um balanço global ainda mais apertado.

Contudo, é importante observar que, na Euronext, os fundos especulativos estão com posicionamentos comprados próximos das máximas dos últimos 5 anos, deixando pouco espaço para altas expressivas. Nos contratos americanos a situação é diferente, com o posicionamento em Kansas próximo das mínimas no mesmo período. Se Chicago e Kansas responderem mais ao aperto do balanço global nas próximas semanas, há espaço para forte valorização.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Expointer movimenta R$ 6,2 bilhões e máquinas puxam avanço de 40%

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A 49ª Expointer encerrou sua programação com R$ 6,18 bilhões em negócios, crescimento de 39,8% sobre a edição de 2025. O resultado superou as expectativas iniciais e mostrou disposição dos produtores para voltar a investir em máquinas, tecnologia, animais e modernização das propriedades.

O setor de máquinas e implementos agrícolas liderou as negociações, com R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% em um ano. O segmento respondeu por aproximadamente 88% de todo o volume financeiro movimentado durante os nove dias de feira no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

O desempenho ficou acima das projeções apresentadas antes e durante o evento. Representantes da indústria trabalhavam com a possibilidade de vendas próximas de R$ 4 bilhões em máquinas. O resultado final ultrapassou essa referência em cerca de R$ 1,46 bilhão.

A reação é relevante porque a compra de uma máquina representa uma decisão de investimento de longo prazo. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e equipamentos de precisão não atendem apenas à expansão das lavouras. Também permitem reduzir perdas, economizar insumos, executar as operações dentro da janela ideal e aumentar a produtividade.

Parte da procura está relacionada à necessidade de renovação da frota. Produtores que adiaram a substituição de equipamentos voltaram a avaliar compras, especialmente diante da perspectiva de recuperação dos preços de grãos e da valorização da pecuária. A proximidade da implantação da safra de verão também ajudou a colocar tecnologia e capacidade operacional no centro das decisões.

A Massey Ferguson levou 11 lançamentos à Expointer, com atenção especial aos equipamentos destinados à agricultura familiar. A empresa identificou demanda entre produtores profissionalizados que mantiveram o planejamento de médio prazo e precisam ampliar a eficiência das propriedades.

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A CNH, controladora das marcas New Holland e Case IH, também utilizou a feira para reforçar suas soluções financeiras e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. As condições oferecidas incluíram consórcios e linhas do Plano Safra, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e sua modalidade destinada ao médio produtor.

Além das linhas bancárias tradicionais, consórcios, cooperativas, financiamento das próprias fabricantes e operações de troca de insumos ou equipamentos por parte da produção ampliaram as possibilidades de negociação. A combinação dessas modalidades permitiu adequar prazos e pagamentos ao fluxo de receita de diferentes propriedades.

O resultado não ficou restrito às máquinas. O setor automobilístico movimentou R$ 668,75 milhões durante a feira. As vendas de animais alcançaram R$ 21,99 milhões, avanço de 21,02% em comparação com 2025. Ao todo, 7.926 animais foram inscritos para exposições, julgamentos e competições.

O Pavilhão da Agricultura Familiar registrou R$ 14,4 milhões em vendas, aumento de 5,57%. Os 509 estandes reuniram empreendimentos de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias, produtores de plantas e flores, artesãos e cozinhas.

Das iniciativas presentes no pavilhão, 400 eram agroindústrias familiares, 74 atuavam no artesanato e 28 comercializavam plantas, mudas e flores. A feira também reuniu 265 empreendimentos conduzidos por jovens, 179 liderados por mulheres e 69 com certificação orgânica.

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O artesanato movimentou outros R$ 2,11 milhões. Entre os expositores estavam empreendimentos indígenas e quilombolas, ampliando a presença de diferentes formas de produção e geração de renda dentro do espaço destinado à agricultura familiar.

A movimentação econômica foi acompanhada por um público de 938.470 visitantes. Somente no domingo (6), último dia do evento, 144.516 pessoas passaram pelo parque. A presença de consumidores urbanos, famílias, estudantes e profissionais do setor reforçou a função da Expointer como ligação entre o campo, a indústria e as cidades.

Os números mostram uma feira com crescimento distribuído entre diferentes segmentos. O avanço mais forte das máquinas revela confiança na continuidade da produção e na busca por ganhos de eficiência, enquanto os resultados da agricultura familiar, dos animais e dos veículos demonstram que a movimentação alcançou propriedades de diferentes portes.

Mais do que contabilizar propostas e contratos, a Expointer funcionou como uma vitrine das decisões que deverão aparecer nas próximas safras. A renovação de equipamentos, a adoção de novas tecnologias e a procura por soluções financeiras indicam que parte dos produtores voltou a planejar investimentos.

A próxima edição terá caráter histórico. A 50ª Expointer será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027, novamente no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. A feira chegará aos 50 anos depois de encerrar 2026 com R$ 6,2 bilhões em negócios e um sinal positivo de confiança no futuro do campo.

Fonte: Pensar Agro

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