AGRONEGÓCIO
Ativando resistência de plantas a pragas
Publicado em
11 de março de 2024por
Da RedaçãoDevido às restrições de expansão de área, e os impactos negativos das mudanças climáticas, o aumento da produção exige incrementos nos rendimentos das culturas. Para que a planta se aproxime de seu potencial produtivo, é importante o controle de estresses, bióticos ou abióticos, idealmente por tecnologias sustentáveis.
No caso de pragas que atacam plantas, uma fórmula importante para manter elevada produtividade é a aptidão da planta em tolerar ou resistir às pragas. Diversos estudos sobre o tema foram publicados recentemente pela equipe da School of Life Sciences da Tsinghua University (life.tsinghua.edu.cn/lifeen/) e colaboradores de outras instituições, que levaram à identificação do link entre a percepção de diferentes patógenos pelas plantas e a ativação das resposta de defesa vegetal. Dois mensageiros secundários envolvidos na cascata de transdução de sinal foram caracterizados, as quais estão envolvidas na mediação de respostas imunológicas de vegetais.
Essas descobertas abrem caminho para a concepção de moléculas bioativas que poderão permitir aumentar a resistência das plantas às pragas. Os estudos podem ser acessados em bit.ly/3vpqBPA, bit.ly/3ROn1pt, bit.ly/3H948sD, bit.ly/3NU4xTB, bit.ly/3TZhuPw e bit.ly/3RORJyQ.
Estratégia das plantas
No nível molecular, a principal estratégia imunológica empregada pelas plantas para perceber a presença de um patógeno envolve as proteínas chamadas “receptores de ligação a nucleotídeos ricos em leucina” (NLRs, na sigla em inglês), produto dos genes de resistência, também denominados como “genes R”. Os NLRs são proteínas intracelulares ativadas no momento do ingresso de microrganismos invasores de plantas, desencadeando respostas imunológicas de defesa das mesmas. Elas podem atuar direta ou indiretamente no reconhecimento dos patógenos. Existem duas classes destes receptores, distintos quanto à presença de diferentes domínios na região N-terminal da proteína, sendo os CNLs que apresentam um dominio coiled-coil e os TNLs com o dominio N-terminal Toll/interleukin-1 receptor (TIR).
Os receptores do tipo “Toll” são moléculas intracelulares ou que apresentam uma região na superfície da membrana da célula vegetal, responsáveis pelo reconhecimento de estruturas microbianas ou fúngicas e na geração de sinais, que levam à produção das respostas de defesa vegetal, como morte celular no sitio da infecção ou uma reação de hipersensilidade (HR). Essas reações iniciais são essenciais para a ativação das respostas imunes inatas.
Sabe-se que os receptores TNL e as proteínas TIR são enzimas induzidas por patógenos. As evidências sugerem que essas enzimas TIR participam na geração de substâncias mensageiras, que transmitem sinais para uma proteína imunológica (Enhanced Disease Susceptibility 1 – EDS1). No entanto, as identidades das moléculas precisas, geradas pelos TNLs ou TIRs, que estimulam as diferentes respostas imunes, eram obscuras até os estudos da equipe da Universidade de Tsinghua.
O mecanismo imunológico provoca uma resposta de hipersensibilidade, que culmina na restrição do crescimento do agente patogênico. Associado a isso – ou não – ocorre a morte das células do tecido próximo ao local da infecção, o que impede o fornecimento de recursos essenciais para o desenvolvimento do patógeno, levando ao controle da infecção no local.
Os novos avanços
Nos estudos dos cientistas da Tsinghua University, foi identificada a atividade de proteínas TIR-NLRs (TNLs). Ademais, também foi verificada a presença de proteínas menores, que igualmente, sinalizam à EDS1 para potencializar a resistência a doenças. Assim, pode-se dizer que a EDS1 funciona como um “centro de controle” que, dependendo dos tipos de proteínas com as quais interage, sinaliza às células vegetais para restringir o crescimento do patógeno ou provocar a morte celular, como formas de conter a infecção.
Particularmente, em dois dos estudos (bit.ly/3ROn1pt e bit.ly/3vpqBPA), os cientistas verificaram que a atividade dos módulos funcionais EDS1 – aqueles que levam à imunidade ou morte celular – pode ser desencadeada por enzimas TNLs, ativadas por patógenos dentro das células vegetais. Para identificar as moléculas menores produzidas por TNLs ou TIRs, e que atuam no EDS1, os cientistas reconstituíram componentes-chave da via de sinalização em células de insetos, um sistema que permite a produção e purificação de grandes quantidades de moléculas, que podem ser isoladas e caracterizadas.
Usando esta abordagem, os autores descobriram duas classes diferentes de moléculas geradas por ação de TNLs e TIRs. Estes compostos ligaram-se preferencialmente à proteína EDS1, ativando diferentes subcomplexos da mesma. Bingo! Ficou claro que diferentes subcomplexos de EDS1 reconhecem moléculas específicas produzidas por TIRs, que funcionam como produtos químicos transportadores de informação, para promover respostas de defesa pós infecção por patógenos.
Tecnologia sustentável
O mérito maior dos estudos foi elucidar os modos de ação bioquímicos dessas pequenas moléculas, o que descortina uma rota até então desconhecida na sinalização da imunidade das plantas.
Os receptores imunológicos TIR e as proteínas centrais EDS1 existem em muitas espécies agrícolas importantes, constituindo vários genes de resistência que estão presentes nas plantas e que são comumente explorados pelo melhoramento genético para produção de cultivares resistentes, por exemplo os genes de resistência a oídio e a fitóftora, recentemente clonados (https://bit.ly/493qEiV e https://bit.ly/3SwOQmy). A importância prática das pesquisas acima descritas está no fato de que as pequenas moléculas catalisadas por TIR, identificadas no estudo, podem ser empregadas como imunoestimulantes naturais para controlar doenças de cultivos agrícolas, em substituição aos pesticidas químicos sintéticos, uma forma mais sustentável de controle de pragas das culturas.
Fonte: CCAS
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27 e reforça liderança nacional em biocombustíveis
Published
2 horas agoon
25 de maio de 2026By
Da Redação
Mato Grosso deve consolidar ainda mais sua posição estratégica no setor brasileiro de biocombustíveis na safra 2026/27. Projeção divulgada pelo Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta crescimento de 16,08% na produção estadual de etanol, que poderá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.
O avanço será liderado principalmente pelo etanol de milho, segmento em que Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais. O crescimento também será sustentado pela entrada de novas plantas industriais e pela ampliação da moagem de milho destinada à produção de biocombustíveis.
Segundo o presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o setor ganha importância crescente na matriz energética brasileira e no processo de descarbonização dos transportes.
“O avanço do etanol de milho fortalece a segurança energética e amplia o papel estratégico do Brasil na oferta de combustíveis renováveis, inclusive para setores como aviação e navegação marítima”, afirma.
Produção de etanol de milho deve crescer quase 19%
Antes mesmo da safra 2026/27, Mato Grosso já deve encerrar o ciclo 2025/26 com forte expansão na produção de etanol. A estimativa aponta crescimento de 8,52%, alcançando 7,27 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção nacional deverá ficar praticamente estável, com leve alta de 0,22%.
Com esse desempenho, o estado mantém a segunda posição no ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.
Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de metros cúbicos, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de metros cúbicos, com crescimento mais moderado de 1,37%.
Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior no segmento de milho. A produção deverá subir 18,67%, alcançando 7,33 milhões de metros cúbicos. O etanol de cana, por sua vez, deve crescer 1,42%, chegando a 1,11 milhão de metros cúbicos.
O levantamento também mostra expansão significativa da moagem de milho para etanol. O volume processado deve atingir 13,81 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 10,45%. Já para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, totalizando 16,36 milhões de toneladas.
A entrada de duas novas plantas industriais no estado aparece como um dos principais fatores de impulso para o setor.
Cadeia de coprodutos amplia relevância econômica
Além do combustível, a indústria de etanol de milho segue fortalecendo a produção de coprodutos utilizados principalmente na nutrição animal e na indústria de alimentos.
A produção de DDG e DDGS — coprodutos proteicos derivados do processamento do milho — deverá crescer 16,14% na safra 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas.
Já a produção de óleo de milho deve avançar 12,9%, alcançando 338,9 mil toneladas.
No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%.
A produção de açúcar, por outro lado, poderá registrar leve retração de 1,42%, ficando em 579,7 mil toneladas.
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o setor vem ampliando sua participação em diferentes segmentos da economia.
“A cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância na produção de combustíveis renováveis, coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização”, destaca.
Mato Grosso pode dobrar produção até 2033
As projeções de longo prazo indicam continuidade do forte crescimento da indústria de biocombustíveis no estado.
Segundo o levantamento, Mato Grosso poderá alcançar produção de 15,02 milhões de metros cúbicos de etanol até a safra 2033/34 — mais que o dobro do volume estimado para o ciclo atual.
O estudo também destaca os impactos ambientais positivos da cadeia de bioenergia. Desde o início do programa de Créditos de Descarbonização (CBIOs), o setor já contribuiu para mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂, sendo 40,06 milhões de toneladas apenas em 2025.
Além da relevância energética e ambiental, a cadeia produtiva do etanol em Mato Grosso também amplia sua importância econômica e social. Atualmente, o setor gera mais de 12 mil empregos diretos e movimenta arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS no estado.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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