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Estoques e produção recorde de trigo na Rússia; entenda os motivos da grande safra

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A Rússia segue trazendo fundamentos baixistas para os mercados de trigo. As condições climáticas na maioria das regiões de trigo de inverno continuam favoráveis para a safra, com potencial para uma produção total recorde. Dadas essas condições, consultorias especializadas no mercado russo elevaram suas estimativas para a safra do país. A SovEcon elevou sua previsão para a produção russa de trigo em 2024 em 1,4 Mmt, para 93,6M mt, enquanto a IKAR elevou sua estimativa para 93Mmt.

Olhando para o lado da demanda, alguns dos principais destinos seguem mostrando uma fraqueza da demanda. A desaceleração recente das exportações levou os estoques de trigo russo a níveis recordes. Os estoques de trigo da Rússia (dentro e fora das fazendas; excluindo pequenas empresas) em 1º de janeiro atingiram 36,5Mmt, marcando um aumento de 1% em relação ao nível do ano passado.

De acordo com o recente relatório de Grãos & Oleaginosas da hEDGEpoint Global Markets, a Rússia segue trazendo fundamentos baixistas para os mercados de trigo. A desaceleração recente das exportações levou os estoques de trigo russo a níveis recordes. Já olhando para a próxima safra de inverno do país, as condições seguem apontando para mais uma grande produção.

Condições seguem favoráveis para a safra de inverno

“As condições climáticas na maioria das regiões de trigo de inverno continuam favoráveis para a safra. Durante o último mês, as temperaturas mínimas em todos os distritos federais ficaram de 2 a 4 °C acima do normal. Uma cobertura de neve significativa de 15 cm ou mais foi mantida nas regiões Central e do Volga. Atualmente, o clima no Sul está excepcionalmente quente, com temperaturas de 10 a 12 °C acima do normal. Essas flutuações de temperatura podem ameaçar as culturas de inverno, mas somente no caso de uma onda de frio repentina. Não se espera uma queda acentuada na temperatura média nas próximas semanas. Os modelos meteorológicos preveem que as temperaturas ficarão 1-2 °C acima do normal no sul e dentro ou ligeiramente abaixo do normal nas regiões central e do Volga.”, observa Alef Dias, analista de Grãos e Macroeconomia da hEDGEpoint.

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Dadas essas condições, consultorias especializadas no mercado russo elevaram suas estimativas para a safra do país. A SovEcon elevou sua previsão para a produção russa de trigo em 2024 em 1,4M mt, para 93,6M mt, enquanto a IKAR elevou sua estimativa para 93M mt.

Desaceleração das exportações levou os estoques aos níveis recordes

“Os estoques de trigo da Rússia (dentro e fora das fazendas; excluindo pequenas empresas) em 1º de janeiro atingiram 36,5M mt, marcando um aumento de 1% em relação ao nível do ano passado, de acordo com a Sovecon. Os estoques aumentaram para níveis recordes em meio a exportações relativamente lentas nos últimos meses. Os estoques de trigo fora da fazenda foram registrados em 14,7M mt, 5% acima do valor do ano passado. Os estoques de trigo nas fazendas totalizaram 21,8M mt, uma leve queda de 1% em relação ao ano anterior”, destaca.

Na região sul da Rússia, os estoques totais de trigo permaneceram estáveis em 12,5M mt, igualando os números do ano passado; na região central, eles atingiram 9,3M mt, mostrando um aumento de 2%; e na região de Volga, os estoques estavam em 7,6M mt, um aumento de 5%.

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A Rússia acumulou estoques recorde em meio a exportações lentas nos últimos meses. Estimativas apontam que, de novembro a janeiro, a Rússia exportou 10,4M mt de trigo, em comparação com 12,3M mt, no mesmo período do ano anterior. As exportações desaceleraram em meio aos esforços do governo para regular os preços do trigo.

Já a Refinitiv aponta que a Rússia exportou 3,59M mt em janeiro, um aumento de 6% em relação ao mês anterior, mas uma queda de 6% em relação ao ano anterior.

“Essa desaceleração se deve principalmente a uma demanda mais fraca dos países do Oriente Médio e Norte da África. O padrão de exportações persistiu em fevereiro, com 1,8M mt de remessas rastreadas até 15 de fevereiro”, destaca o analista.

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Os fundamentos recentes vindos do mercado russo devem seguir exercendo uma pressão baixista sobre os preços do trigo. Olhando para o lado da demanda, alguns dos principais destinos seguem reduzindo seu ritmo de importação. No lado da oferta, as condições seguem muito positivas para a safra de inverno na Rússia, que está no caminho de mais uma produção total (inverno + primavera) de 90Mmt.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair em 2026 com impacto do El Niño e custos elevados

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A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar nova retração em 2026, em meio a um cenário de custos elevados, menor atratividade econômica e aumento da percepção de risco climático associado ao fenômeno El Niño. A semeadura já teve início no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as principais cultivares.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário inicial indica redução significativa da área cultivada em relação ao ciclo anterior, com impacto direto sobre o planejamento das lavouras.

Avanço inicial do plantio ocorre com limitações de umidade

As condições de tempo seco têm favorecido operações de manejo da resteva, dessecação e preparo de solo, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, a baixa umidade do solo em diversas regiões tem dificultado a germinação e emergência das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares.

Na safra anterior, o Estado cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção de 3,45 milhões de toneladas e produtividade média de 2.968 kg/ha, segundo dados do IBGE.

Fatores econômicos e climáticos pressionam decisão dos produtores

Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de redução da área está ligada a três fatores principais: custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e maior percepção de risco climático durante o inverno e a primavera.

Mesmo com esse cenário, parte dos produtores tem optado por antecipar a semeadura em áreas sem financiamento ou seguro rural, buscando posicionar fases críticas da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, fora dos períodos de maior intensidade de chuvas da primavera.

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Regiões gaúchas apresentam comportamento desigual na safra

Na Fronteira Oeste, municípios como Manoel Viana e São Borja registram avanço lento da semeadura. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações para melhorar a umidade do solo. Em São Borja, cresce o número de desistências do cultivo, impulsionado pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados e exigências de qualidade.

Na região da Campanha, produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparo do solo, com expectativa de início mais intenso do plantio no fim de junho.

Na Serra Gaúcha, a semeadura ainda não começou. Em Caxias do Sul, o plantio deve ocorrer entre a segunda quinzena de junho e início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração das atividades ocorre ao longo de julho. A estimativa regional aponta retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Já na regional de Frederico Westphalen, a projeção inicial indica redução próxima de 20% na área plantada.

Avanço da semeadura ainda é pontual em algumas regiões

Em Ijuí, cerca de 7% da área projetada já foi semeada. As sementes encontram-se em fase de embebição, sem emergência observada até o momento. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e por melhores condições operacionais do solo, além da continuidade dos trabalhos de dessecação para controle de plantas espontâneas.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 6% da área prevista, concentrada principalmente em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de menor incidência de geadas também tem estimulado a antecipação do plantio.

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Em Soledade, a projeção é de redução superior a 30% da área cultivada, com cerca de 7% já semeada até o momento.

Mudanças estruturais e migração de culturas

O boletim da Emater destaca ainda mudanças no perfil produtivo regional. Empresas do setor energético vêm incentivando o cultivo de grãos voltados à produção de etanol, o que tem estimulado a substituição parcial do trigo destinado à indústria alimentícia.

Além disso, a baixa disponibilidade de crédito e menor acesso a sementes fiscalizadas têm levado ao aumento do uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Em algumas regiões, produtores também têm migrado para culturas alternativas como canola, carinata, linhaça e painço, diante da maior previsibilidade econômica dessas atividades.

Tendência de retração marca safra 2026

A combinação entre fatores climáticos, econômicos e estruturais reforça a expectativa de retração da safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2026. Mesmo com o início do plantio dentro do período recomendado pelo ZARC, o cenário aponta para uma reconfiguração da cultura no Estado, com menor área e maior seletividade produtiva.

A evolução das chuvas nas próximas semanas e o comportamento do mercado serão determinantes para o ritmo final da semeadura e para o tamanho efetivo da safra gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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