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Índia busca elevar produção estagnada de oleaginosas para reduzir importações de óleo vegetal

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A Índia intensificará os esforços para aumentar a produção local de sementes oleaginosas, disse a ministra das finanças nesta quarta-feira, como parte dos planos para reduzir as caras importações de óleos vegetais dos principais produtores mundiais do produto na Ásia, América do Sul e região do Mar Negro.

A Índia, o maior importador de óleo vegetal do mundo, gastou um recorde de 20,8 bilhões de dólares em suas compras de óleo comestível no ano fiscal até março de 2023.

A produção estagnada de sementes oleaginosas força o país a importar mais de dois terços de seu consumo anual de óleo vegetal de cerca de 23 milhões de toneladas. O óleo de palma constitui quase 60% do total de importações de óleo vegetal da Índia.

Uma estratégia seria formulada para alcançar a autossuficiência em sementes oleaginosas, como colza, amendoim, gergelim, soja e girassol, disse Nirmala Sitharaman ao apresentar o orçamento provisório para o ano fiscal que começa em 1º de abril.

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Uma pesquisa renovada para desenvolver variedades de alto rendimento, a adoção generalizada de técnicas agrícolas modernas, vínculos com o mercado, compras garantidas, agregação de valor e seguro agrícola ajudariam a impulsionar a produção de sementes oleaginosas, afirmou ela.

Ela não mencionou o valor do investimento necessário para a autossuficiência em sementes oleaginosas.

Apesar dos apelos de décadas para aumentar a produção local, a produção de sementes oleaginosas na Índia praticamente estagnou, ao contrário de outras culturas, como arroz e trigo.

A produção de sementes oleaginosas da Índia cresceu a uma taxa anual de 2,4% nas duas últimas décadas, mesmo com o aumento da demanda devido ao crescimento da população.

O órgão do setor de óleos vegetais, a Associação de Extratores de Solventes da Índia, solicitou à ministra das finanças que destinasse apoio financeiro adequado ao novo programa para impulsionar a produção de sementes oleaginosas.

“Nossa meta é reduzir a atual dependência das importações de óleo comestível de 60% para 30% nos próximos cinco anos”, disse Ajay Jhunjhunwala, presidente da Associação de Extratores de Solventes da Índia.

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A Índia compra óleo de palma principalmente da Indonésia, Malásia e Tailândia, enquanto importa óleo de soja e óleo de girassol da Argentina, Brasil, Rússia e Ucrânia.

É necessário aumentar os impostos de importação sobre os óleos comestíveis para elevar os preços das sementes oleaginosas locais e torná-las atrativas para os agricultores, disse uma autoridade sênior do setor.

“Apesar de uma queda de 40% a 50% nos preços dos óleos comestíveis, a atual estrutura de tarifas de importação mais baixas persiste. As tarifas de importação devem ser elevadas, já que a soja e a colza estão sendo negociadas abaixo dos preços de compra fixados pelo governo”, disse ele.s

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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