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A biotecnologia causará revoluções nas próximas décadas

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As evidências científicas mostram que estamos cada vez mais distantes das metas estipuladas no Acordo de Paris (2015), e enquanto líderes de nações ricas (as mais poluidoras) seguem relutantes à urgência alertada por toda a comunidade científica, o planeta ‘ferve’, tendo sido 2023 o ano mais quente da história.

Uma das notícias que foram manchetes no evento de Dubai foi um estudo apresentado pela Organização Mundial da Saúde que aponta que a poluição do ar causada por combustíveis fósseis é responsável pela morte de mais de 5 milhões de pessoas no mundo por ano. Espera-se que esse cenário estarrecedor seja mitigado no médio prazo com a transição para matrizes de energias renováveis, mas enquanto dias melhores não chegam, a biotecnologia surge como uma das principais aliadas da humanidade na redução dos gases tóxicos que inalamos.

Biotechs como Deep Branch, LanzaTech, Neoplants, Origen Air e U-Earth desenvolveram soluções inovadoras que envolvem a reciclagem de carbono utilizando micróbios, convertendo o CO2 das emissões industriais em produtos de alto valor. As tecnologias usam bactérias para converter poluição em combustíveis e produtos químicos. Algumas delas aplicam plantas domésticas geneticamente modificadas para limpar o ar que respiramos dentro de casa, metabolizando toxinas transportadas pelo ar.

Quando olhamos para a área da saúde, são incontáveis os resultados que alavancarão a união entre Inteligência Artificial e Biotecnologia. De acordo com um relatório divulgado pela Nasdaq, semanas atrás, Cerevel Therapeutics, Revolution Medicines e Vericel são três biotechs com imenso potencial de crescerem, até 2025, com resultados revolucionários na busca pela cura de doenças como Parkison, Epilepsia, Esquizofrenia, Câncer de Pulmão, além de tratamentos para Queimaduras Severas e Doenças Esportivas. A dupla biotecnologia e IA entregará respostas e soluções sobre todas as partes do corpo humano.

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Na indústria da alimentação, a chamada carne cultivada – que tem a biotecnologia como cérebro propulsor – é um dos exemplos do potencial de quebra de paradigmas. De acordo com um estudo da Zion Market Research o tamanho do mercado global da carne cultivada alcançou cerca de US$ 221 milhões em 2022 e deverá crescer para algo bem próximo de US$ 600 milhões até 2030, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de aproximadamente 13,11%.

Enquanto a biotecnologia poderá atrair para o laboratório, de forma mais sustentável, parte do que é preciso para suprir a demanda por proteína animal, no campo, ela já tem transformado o modo como cultivamos e produzimos alimentos. Os avanços são em diversas frentes utilizando as chamadas ‘bactérias do bem’: passam por biofertilizantes, biodefensivos, e pela capacidade de produzir um rastreamento completo do microbioma do solo e poder dar ao produtor um ‘mapa da mina’ com detalhes sobre quais são os locais ideais para o plantio de cada tipo de cultura.

Hoje, a agricultura regenerativa cresce a passos largos como uma alternativa para diminuir o uso de insumos químicos em todas as etapas do processo produtivo. Em um futuro próximo, se a humanidade assim quiser, teremos tecnologia e capacidade suficientes para cumprir com a missão de alimentar o planeta de forma sustentável. Novamente, na dobradinha com a IA, a biotecnologia romperá barreiras antes inimagináveis.

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Inovações biotecnológicas estão destinadas a revolucionar diversos setores, abrangendo desde cosméticos e farmacêuticos até biocombustíveis, moda, saneamento, indústria de base e muitos outros segmentos produtivos. A chamada ‘biorevolução’ não é apenas um termo que ganhou destaque no Google; ela movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente, e essa cifra tende a crescer. O fascínio real reside na transição dos estudos visionários sobre os benefícios proporcionados por microrganismos para uma nova fase, onde essas projeções outrora consideradas fantasiosas tornam-se pura realidade.

O diferencial desse processo reside na habilidade de atingir escala com custos competitivos, garantindo qualidade em soluções biotecnológicas que não apenas resolvem problemas, mas também enfrentam os desafios decorrentes do crescimento populacional e econômico em um planeta que enfrenta limitações significativas em seus recursos naturais. A Biotecnologia, sem dúvida, emergirá como a resposta primordial para muitas das perguntas para as quais ainda carecemos de respostas claras. Este é um momento emocionante, pois testemunhamos a transformação de conjecturas antes tidas como fantasiosas em realizações concretas, impulsionando não apenas a ciência, mas também o potencial de impacto positivo na sociedade e no meio ambiente.

Giuliano Pauli é diretor de inovação da Superbac, empresa pioneira em Biotecnologia no Brasil. [email protected]

Fonte: Amanajé Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

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Unesp desenvolve nova abordagem para nanoherbicidas mais eficientes e sustentáveis no controle de plantas daninhas

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Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) propuseram uma nova abordagem científica para o desenvolvimento de nanoherbicidas, com foco em maior eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental. O estudo, conduzido no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável, sugere inverter a lógica tradicional de criação desses insumos, colocando as características das plantas daninhas no centro do processo.

A proposta foi publicada na revista científica Nature Reviews Methods Primers e representa um avanço relevante para o manejo de invasoras que impactam diretamente a produtividade agrícola no Brasil.

Plantas daninhas seguem como desafio no campo

Espécies como caruru, capim-azevém e capim-pé-de-galinha estão entre as principais ameaças às lavouras, podendo reduzir em cerca de 15% a produtividade de grãos, mesmo em áreas com manejo.

Esse cenário tem impulsionado a busca por soluções mais eficientes, como os nanoherbicidas — tecnologia que permite a liberação controlada e direcionada de ingredientes ativos, aumentando a absorção pelas plantas e reduzindo o volume aplicado.

Novo conceito melhora eficiência dos nanoherbicidas

Atualmente, o desenvolvimento de nanoherbicidas é baseado principalmente nas propriedades dos materiais utilizados. A nova proposta da Unesp, chamada de Plant-informed nanodesign (PIND), muda esse paradigma ao priorizar as características biológicas das plantas-alvo.

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Na prática, isso significa desenvolver nanopartículas específicas para cada espécie daninha, aumentando a eficácia do controle e reduzindo perdas.

Caracterização detalhada das plantas orienta tecnologia

Para viabilizar essa abordagem, os pesquisadores realizam análises aprofundadas das plantas invasoras, considerando fatores como:

  • Espessura e tamanho das folhas
  • Quantidade de estômatos
  • Espessura da cutícula
  • Presença de tricomas
  • Rugosidade da superfície foliar

Essas informações permitem projetar nanopartículas mais aderentes e eficientes na absorção dos herbicidas.

Tecnologia alia produtividade e sustentabilidade

As análises utilizam técnicas avançadas, como microscopia confocal e microscopia eletrônica de varredura, que permitem observar estruturas microscópicas com alta precisão.

O objetivo é desenvolver soluções que aumentem a eficiência do controle de plantas daninhas, reduzam o uso de insumos químicos e minimizem impactos ambientais — uma demanda crescente no agronegócio brasileiro.

Inovação fortalece agricultura de precisão

A nova metodologia reforça o papel da nanotecnologia na agricultura de precisão e na transição para sistemas produtivos mais sustentáveis. Ao alinhar ciência, inovação e eficiência no campo, a proposta da Unesp abre caminho para uma nova geração de defensivos agrícolas mais inteligentes e adaptados às condições reais das lavouras.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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