Saúde

Capital paulista descarta dengue em 15 mortes investigadas neste ano

Publicado em

A cidade de São Paulo investigou neste ano 15 casos de morte por suspeita de dengue e descartou todos eles. Na semana passada, porém, foi confirmado o primeiro óbito pela doença em 2023. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em todo óbito suspeito de dengue, é feita uma investigação detalhada do caso, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde.

Até a semana passada, a cidade registrou 5.629 casos de dengue. Em todo o ano passado, foram 11.910 casos, com duas mortes.

“A investigação epidemiológica avalia vários aspectos e situações envolvendo o caso clínico, como exames laboratoriais coletados e seus resultados, avaliações e relatórios clínicos, aspectos epidemiológicos e informação do atestado de óbito”, diz a secretaria. Segundo a SMS, entrevistas com parentes e pessoas próximas fazem parte do processo de investigação, que inclui visita domiciliar feita pela unidade de vigilância em saúde.

Após a avaliação de todas as informações, o caso é discutido com epidemiologistas da SMS e também da Secretaria de Estado da Saúde para esclarecer se a causa principal do óbito foi de fato a dengue ou se foram outras patologias ou condições clínicas do paciente.

Entretanto, infectologistas suspeitam que os números podem ser maiores por causa da forma como a diretriz é interpretada. Para o coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Kleber Luz, a causa do óbito é sempre o evento que leva à morte, o que desencadeia todo o processo que levará o indivíduo a morrer. “Por exemplo, um idoso de 98 anos é assaltado, empurrado e morre. Certamente, alguém de 98 anos tem várias comorbidades, mas, no caso, a causa da morte foi a violência. Mesmo que ele tenha diversas doenças, se não tivesse caído, o evento que desencadeou aquela norte não teria acontecido.”

Segundo o médico, esta é a chamada causa básica, ou seja, mesmo que a pessoa tivesse comorbidades, estava bem até o evento. Então, no caso da dengue, no momento em que o indivíduo pega a doença, ela descompensa as outras comorbidades que também contribuem para a morte, mas a causa é a dengue. “Quem tem comorbidade sempre tem mais chance de morrer de uma infecção”, explicou.

Para Kleber Luz, a interpretação dos casos pode gerar subnotificação das mortes por dengue. Ele enfatizou que o importante quando se comunica uma doença de notificação compulsória é que os dados servem para gerar ações de saúde pública e de controle. “Quando se notifica que 20 pessoas morreram de dengue, entende-se que é preciso matar o mosquito [Aedes aegypti], senão ninguém vai tomar atitude, porque sempre se encontrará uma justificativa para aquela morte.”

Leia Também:  Brasil e Reino Unido debatem parcerias para desenvolvimento tecnológico e fortalecimento dos sistemas de saúde

De acordo com o pesquisador e diretor adjunto de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Rio Preto, Maurício Lacerda Nogueira, o fato de os de casos de dengue aumentarem algumas regiões do estado e em outras, não, é um processo natural que segue o ritmo dos últimos 30 anos no país. Nogueira ressaltou que dengue é uma doença grave, que pode levar à morte. Por isso, regiões com experiência grande em dengue têm mortalidade menor do que outras, já que o preparo do sistema de saúde e o treinamento dos profissionais para atendimento da doença podem gerar significativa diminuição de mortalidade.

“Agora, qual é a diferença entre morrer com dengue e morrer de dengue? Morrer com dengue é você atravessar a rua e um caminhão te pegar, é uma morte não relacionada. Agora, se a pessoa tem uma comorbidade e tem distúrbios importantes causados pela dengue, morre com essa comorbidade, para mim, é morrer de dengue, sim, porque estava estável e a dengue tirou a estabilidade. É assim que acontece com covid e com influenza”, ressaltou Lacerda.

Enfatizando que não conhece os casos, o pesquisador destaca que o registro de 100 casos de dengue com apenas duas mortes atribuídas à patologia não parece real. Para ele, pode haver uma interpretação mais liberal da doença. “Atribuir à comorbidade, sem entender o papel da dengue no desfecho, é estranho. E é correto dizer que essa interpretação pode levar a um registro menor de mortes pela doença. Nós, em São José do Rio Preto, utilizamos o mesmo protocolo do Ministério da Saúde, e os resultados são bem diferentes.”

Prevenção e combate

Kleber Luz lembrou que as ações contra o mosquito da dengue já são estabelecidas com o controle dos criadouros e das larvas, passando pela conscientização e educação da população, e com o uso do fumacê, em caso de muitos mosquitos e transmissão elevada da doença. “Por tradição, as ações são sempre insuficientes, porque a população quase nunca colabora na sua totalidade com o controle dos criadouros, jogando lixo, garrafas pet, pneus nas ruas, o que acumula muita água e favorece o crescimento das larvas.”

Lacerda destacou que as ações são mas mesmas há 30 anos e que o problema só tem piorado, o que é uma prova de que o modelo que tem sido trabalhado é pouquíssimo eficiente e deixa a doença seguir seu ciclo biológico naturalmente. “O combate ao vetor centralizado já mostrou que é pouco eficiente. Estamos avançando rapidamente para novas estratégias em um futuro próximo, como vacina e combate à liberação de mosquitos, sejam transgênicos, ou com a bactéria que impede a transmissão, mas até lá eu não vejo essas estratégias”, afirmou.

Leia Também:  Festas juninas aumentam acidentes com queimaduras

Ações de combate

A prefeitura de São Paulo informou que, em 2023, até o momento, houve 1.523.914 ações de prevenção ao mosquito Aedes aegypti na cidade. Ao todo, foram 339.460 visitas, casa a casa; 13.798 vistorias em imóveis especiais e pontos estratégicos; 1.138.286 ações de bloqueio de criadouros e nebulizações, entre outras atividades específicas. No ano passado, as 28 unidades de vigilância em saúde fizeram cerca de 5 milhões de ações rotineiras de prevenção.

Em nota, a prefeitura diz que investe continuamente no Programa Municipal de Combate à Dengue e Demais Arboviroses. Em abril, começaram a ser instaladas na cidade 20 mil armadilhas de autodisseminação de larvicidas. “Os equipamentos são montados para que as fêmeas do Aedes aegypti, responsável pela disseminação da doença, após contato com o larvicida das armadilhas, distribuam o produto nos criadouros a fim de eliminar o mosquito ainda em estão larval, não permitindo que se desenvolva para a fase adulta”, diz o texto.

Para a sazonalidade de 2023, a Secretaria Municipal de Saúde investiu também na ampliação da frota de veículos para transporte dos agentes de controle de endemias e na aquisição de mais 30 equipamentos de nebulização veicular, além de chamamento de concurso público para 703 novos servidores para a Rede Municipal de Vigilância em Saúde.

Em março, a prefeitura intensificou das ações de bloqueio ao mosquito nos distritos administrativos com maior número de casos da doença na última semana epidemiológica.

O estado de São Paulo fechou o ano de 2022 com 332.139 casos de dengue confirmados, distribuídos em 617 municípios, e 287 mortes. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo registra, neste ano, queda de 27% nos casos de dengue e de 37% nos óbitos, em comparação com o ano anterior. Foram notificados, até agora, no estado 25.157 casos e 94 óbitos pela doença. No mesmo período de 2022, 171.486 mil casos haviam sido registrados, com 150 óbitos.

Fonte: EBC SAÚDE

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Saúde

Ministério da Saúde entrega primeiros 47 veículos para transporte de pacientes do SUS em MG e anuncia R$ 63 milhões para o estado

Published

on

Nesta quinta-feira (30), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, realizou entregas que somam R$ 63 milhões para fortalecer a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. O estado é o terceiro a ser contemplado pelo programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde, com a entrega de 47 veículos destinados ao transporte de pacientes do SUS que precisam se deslocar para tratamentos em outros municípios. Ao todo, o Governo do Brasil adquiriu 3,3 mil veículos para atender todo o país.

O transporte sanitário do Agora Tem Especialistas vai atender todos os municípios brasileiros dentro de suas macrorregiões de saúde. Isso significa que os veículos não pertencem a um município específico. Eles serão distribuídos conforme a necessidade, o que possibilita organização mais eficiente e integrada do atendimento conforme as características regionais, as demandas locais e distâncias percorridas.  

Além dos veículos, as entregas incluem 68 novas ambulâncias do SAMU 192 e 29 Unidades e Odontológicas Móveis (UOM). Ainda sobre a saúde bucal 163 municípios serão contemplados bomba à vácuo. A iniciativa vai beneficiar mais de 1 milhão de pessoas em 67 municípios mineiros, incluindo cidades impactadas pelo desastre de Mariana, por meio do Novo PAC Saúde e do Novo Acordo do Rio Doce. São mais de 300 novos veículos e equipamentos para o estado.

“Estamos apresentando uma inovação importante no SUS, o programa Caminhos da Saúde, que terá um papel fundamental ao garantir o transporte de pacientes que precisam se deslocar para acessar diferentes tipos de tratamento. Nosso foco é claro: reduzir o tempo de espera de quem depende do SUS. Estamos trabalhando para diminuir as filas por cirurgias, exames e atendimentos especializados. Essa é uma prioridade do presidente Lula e do Ministério da Saúde”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

As entregas ocorrem nos municípios de Governador Valadares, Teófilo Otoni e Montes Claros e marcam, em Teófilo Otoni, o encerramento das ações das Carretas da Saúde do programa Agora Tem Especialistas na região do Vale do Mucuri. A iniciativa também simboliza o marco de atendimento de pacientes de 1.000 municípios em todo o país, ampliando o acesso da população a exames e consultas especializadas no SUS.

Leia Também:  Festa do Peão de Barretos termina neste fim de semana com show de Chitãozinho & Xororó

Os investimentos em Minas Gerais fazem parte de uma estratégia nacional de fortalecimento do SUS. Desde 2023, o Ministério da Saúde tem ampliado o acesso a atendimentos especializados, com resultados expressivos. Em 2025, o país registrou o maior número de cirurgias eletivas da história do SUS, com 14,9 milhões de procedimentos realizados — aumento de 42% em relação a 2022. Também houve crescimento na realização de exames e no número de internações, ampliando a capacidade de atendimento da rede pública.

Novo Acordo do Rio Doce: balanço dos investimentos nas regiões atingidas

Hoje, também foi apresentado um balanço das ações do Novo Acordo do Rio Doce. Firmado pelo Governo do Brasil, o acordo reúne ações para fortalecer a infraestrutura, a vigilância e a assistência em saúde, com foco na reparação dos danos causados pela tragédia de Mariana (MG), em 2015, que atingiu municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Como parte da iniciativa, 20 municípios recebem, nesta quinta-feira, Unidades Odontológicas Móveis, enquanto outros sete passam a contar com novas ambulâncias do SAMU 192. Sobre as ações, o ministro Padilha, destacou que “as entregas realizadas hoje somam esforços para fortalecer o SUS nos territórios atingidos. Esse novo acordo do Governo do Brasil, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assegura que os investimentos na saúde sejam conduzidos com gestão tripartite, envolvendo União, estados e municípios”.

Em menos de um ano, o Ministério da Saúde já investiu cerca de R$ 563 milhões. Ao todo, estão previstos R$ 12 bilhões para o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, incluindo planos de ação nos dois estados e repasses diretos a 49 municípios.

Entre as principais iniciativas previstas estão a construção de 16 novas Unidades Básicas de Saúde nos municípios atingidos, o Hospital Universitário de Mariana, a implantação do Centro de Referência em Exposição a Substâncias Químicas (com atuação em MG e ES), entre outras ações.

Leia Também:  Estado do Rio tem aumento do número de casos de dengue

Atendimento especializado no Norte de Minas

Durante a agenda, o Ministério da Saúde anunciou também a habilitação o Hospital Regional de Janaúba (MG) como unidade de alta complexidade em oncologia (UNACON), por meio do programa Agora Tem Especialistas. A medida amplia o acesso ao tratamento de câncer no Norte de Minas e reduz o tempo de espera.

Com o credenciamento, o município passa a receber R$ 5 milhões anuais para custeio. A iniciativa também diminui a necessidade de deslocamento de pacientes, hoje concentrados em Montes Claros, principal ponto de atendimento oncológico da região, que atende 86 municípios e cerca de 1,66 milhão de pessoas.

Na região, em Montes Claros, dois hospitais são habilitados como UNACON, ambos com radioterapia: a Santa Casa, com atendimento em oncologia pediátrica, e o Hospital Dílson de Quadros Godinho, com atuação em hematologia. A região registra mais de 4 mil novos casos de câncer por ano e, entre 2020 e 2025, houve crescimento na oferta de tratamento, com 221 mil sessões de quimioterapia e 14 mil cirurgias oncológicas.

Os avanços no atendimento especializado também foram impulsionados pelos hospitais que aderiram ao Programa Agora Tem Especialistas. Um exemplo é o Hospital Philadelfia, em Teófilo Otoni, onde o ministro Padilha cumpriu agenda e inaugurou o ambulatório de nefrologia, viabilizado com recursos do Ministério da Saúde.

Novo PAC Saúde: Governo do Brasil já investiu mais de R$ 1,7 bilhão em Minas Gerais

Em Minas Gerais, foram selecionados 1.567 novos empreendimentos no âmbito do Novo PAC Saúde, com mais de R$ 1,7 bilhão em investimentos. As ações incluem a construção de maternidades, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centros Especializados em Reabilitação, entre outras iniciativas voltadas à ampliação da rede de atendimento.

Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA