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Promotora de justiça aborda avanços e desafios na garantia de direitos de pessoas autistas

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Profissionais do Direito e famílias que atuam na pauta dos direitos da pessoa autista participaram da palestra “Autismo: avanços e desafios”, proferida pela promotora de justiça Daniele Crema de Souza, da 19ª Promotoria Cível de Defesa da Criança e do Adolescente de Cuiabá, no primeiro dia do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direito das Pessoas com Deficiência”, na manhã desta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá. O evento, que prossegue nesta quinta-feira (16) na Igreja Lagoinha, conta com transmissão ao vivo e pode ser conferido no canal TJMT Eventos No YouTube.

Coordenadora do Centro de Apoio Operacional à Pessoa com Deficiência do Ministério Público Estadual (CAO-MPMT), ela destacou as disparidades existentes entre os direitos das pessoas autistas e a efetivação das leis que tratam do tema. “Verificamos que ainda há muitos desafios a serem percorridos, principalmente quando falamos de acesso a direitos. Há um arcabouço normativo muito grande, que prevê uma série de direitos às pessoas autistas, mas ainda existe muita falta de concretização desses direitos”, disse.

Segundo Daniele Crema, as principais demandas que chegam à Promotoria da Criança e do Adolescente estão relacionadas à infringência de direitos à saúde e educação, como falta de medicamentos, tratamentos de saúde, acesso ao diagnóstico precoce e à inclusão escolar.

Citando o Mapa do Autismo no Brasil (MAB 2025), levantamento realizado com milhares de pessoas autistas e famílias atípicas, a promotora destacou que a maioria dos diagnósticos e tratamentos de autismo é feita na rede privada de saúde, o que demonstra que a rede pública não está devidamente preparada para atender à demanda. Por outro lado, a representante do Ministério Público apontou também que 21% das famílias atípicas vivem com renda entre R$ 2,8 mil a R$ 5,7 mil e 16% vivem com renda de até R$ 1,9 mil.

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“Nós, operadores do Direito, temos que ter consciência de que muitas dessas famílias não têm acesso em razão da sua vulnerabilidade econômica e financeira. Isso tem que ser considerado nas nossas decisões”, comentou.

Daniele Crema relatou ainda sua experiência enquanto mãe atípica e ressaltou a importância de prover com urgência os suportes necessários ao pleno desenvolvimento da criança autista, uma vez que a falta desse atendimento impacta negativamente na vida adulta. Ela citou exemplos como os baixos índices de conclusão do ensino superior, alto percentual de desemprego, presença significativa em empregos informais e barreiras de inserção no mercado de trabalho das pessoas autistas.

“O autismo não acaba quando a pessoa completa 18 anos. Por isso, é importante esse olhar, essa reflexão. Eu chamo a atenção e esse é o meu principal objetivo aqui, hoje: de trazer aos senhores a reflexão de que há muitos direitos, mas ainda há muitos desafios a serem enfrentados, e o nosso papel na concretude desses direitos. O maior desafio hoje não é a ausência de lei. É a distância entre o direito previsto e o direito vivido”, disse.

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Conforme a promotora de justiça, eventos como o TJMT Inclusivo desempenham importante papel no preparo de magistrados, promotores, advogados e demais operadores do Direito que atuam em matéria de direitos de pessoas autistas. “É uma iniciativa louvável do Tribunal de Justiça. Um momento muito importante para que haja essa conscientização da população acerca dos direitos das pessoas autistas, e essa troca de informações entre os operadores do Direito é sempre uma rica experiência”, avaliou.

TJMT Inclusivo – O primeiro dia de programação da capacitação contou com uma programação especialmente voltada aos operadores do Direito, como magistrados (as), promotores (as) de justiça, defensores públicos (as), advogados (as) e servidores (as), com palestras que buscam promover a reflexão sobre como a Justiça pode melhorar a vida das pessoas com deficiência, de que forma as decisões judiciais estão atendendo às demandas dessa população, gerando impactos práticos na efetivação de direitos básicos, como saúde e educação.

O evento é coordenado pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Escola dos Servidores, Prefeitura de Cuiabá e Igreja Lagoinha.

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Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário de Mato Grosso inicia programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais

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O Poder Judiciário de Mato Grosso iniciou nesta segunda-feira (15) a programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais. Preparadas por meio do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (DAJE), vinculado à Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-TJMT), as atividades incluem capacitação, reconhecimento de boas práticas e discussões sobre o presente e futuro dos Juizados Especiais.

Colocando em pauta o tema “Fortalecer os Juizados Especiais é fortalecer a Justiça”, a mobilização nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça e operacionalizada pelos tribunais segue até a próxima sexta-feira (19). Em Mato Grosso, a abertura da programação foi realizada no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá.

Em sua fala aos mais de setecentos participantes, entre presenciais e virtuais, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira fez questão de agradecer todos os integrantes do sistema de juizados pela dedicação e amor empenhados diariamente. Segundo ele, esse é um sistema que potencializa o atendimento das demandas reprimidas.

“Demandas reprimidas exigem prontidão, comprometimento e celeridade. Vivemos um tempo em que não se admite mais um juiz dentro de uma redoma. Deve haver participação na sociedade, para que nós possamos fortalecer todo o nosso sistema judiciário. Por isso, externo aos integrantes dos Juizados Especiais a minha gratidão e alegria de participar deste momento”, disse Zuquim.

Pioneirismo

O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote enfatizou a importância dos Juizados Especiais para a sociedade e para o Judiciário. Nesse contexto, apontou que Mato Grosso sempre foi pioneiro, sendo um dos primeiros no país a implantar esse modelo e se destacando desde que o sistema ainda era chamado de “Juizado de Pequenas Causas”.

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“Essa é a porta de entrada do cidadão no Judiciário. É onde se julga a maioria das ações sem custos e de pequenos valores. É um modelo que garante acesso a todos os cidadãos, principalmente os mais carentes, resolvendo problemas que, às vezes, são pequenos para o Judiciário, mas de valor inestimável para as pessoas que recebem a prestação do serviço”, comentou.

Para o presidente do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais de Mato Grosso, desembargador Sebastião de Arruda Almeida, a Semana Nacional permite um momento de reflexão sobre o passado e o futuro. “O valor que os Juizados Especiais alcançaram é graças ao trabalho de pioneirismo, resistência e por vontade que esse sistema tivesse a dimensão que hoje tem”, lembrou o desembargador.

O desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, um dos entusiastas dos Juizados Especiais, reforçou a importância desse trabalho. “Continuem acreditando nos Juizados Especiais, pois muitas pessoas precisam dessa prestação jurisdicional. E, muitas vezes, não é só ação, é uma comunicação, é uma conversa com essas pessoas que a gente resolve o caso dela”, afirmou.

Programação

A programação contou com palestras ministradas por juízes e juízas que atuam nos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também foram apresentados projetos como o Programa de Acolhimento e Formação Inicial dos Estagiários, a Exposição Permanente dos Juizados Especiais, o Espaço Colaborativo dos Juízes Leigos e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania dos Juizados Especiais do Estado de Mato Grosso (Cejusc dos Juizados Especiais Estadual).

Além disso, foi inaugurada a exposição, que se tornará permanente, “Juizados Especiais de Cuiabá”, que conta com arquivos físicos, equipamentos, togas e outros materiais que contam a história dos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também fez parte das atividades desta segunda-feira o lançamento do livro “Uma Justiça, Muitos Brasis”, que tem como coautora a juíza Patrícia Ceni, do Juizado Especial do Torcedor de Cuiabá.

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“O CNJ fez com que nacionalmente fosse realizada, nesta semana, a III Semana Nacional dos Juizados Especiais. É um evento que nos traz grandes reflexões e várias atividades estão sendo implementadas. Temos treinamentos com conciliadores, melhoria nos espaços dos juízes leigos, reuniões e divulgação dos nossos trabalhos”, relatou a dirigente do Complexo dos Juizados Especiais, juíza Valdeci Moraes Siqueira.

Registro de presenças

Participaram da solenidade de abertura o presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Mário Roberto Kono, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o coordenador do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais, juiz Érico de Almeida Duarte, a presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), Jaqueline Cherulli, juízes auxiliares da Presidência do TJMT, juízes auxiliares da Corregedoria-Geral da Justiça e a defensora pública-geral do Estado de Mato Grosso, Maria Luziane Ribeiro de Castro.

Também fizeram pronunciamentos de forma virtual o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a conselheira Andréa Cunha Esmeraldo, coordenadora do Comitê Nacional dos Juizados Especiais (Conaje/CNJ).

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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