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Projeto Nosso Judiciário leva informações sobre acesso à Justiça a alunos do IFMT

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Foto horizontal que mostra dezenas de estudantes do IFMT sentados no auditório, com cartilhas do projeto Nosso Judiciário nas mãos e assistindo a uma palestra do servidor Neif Feguri, que está à frente em pé, falando ao microfone.O projeto Nosso Judiciário, do Poder Judiciário de Mato Grosso, abriu os trabalhos de 2026 junto às escolas do ensino básico, nesta quinta-feira (19), com uma visita ao Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – Campus Octayde Jorge da Silva, localizado no centro de Cuiabá, onde levou palestra e material didático sobre os Juizados Especiais a 130 alunos do Ensino Médio e Técnico.

O diretor-geral do campus, professor Alceu Cardoso, abriu o evento agradecendo aos servidores do TJMT, Neif Feguri Neto e Antonio Cegati, por levarem o projeto até a unidade escolar, destacando que a Educação deve ser vista de forma ampla e com foco na formação cidadã.

Foto horizontal em plano médio que mostra o diretor-geral do IFMT campus Octayde Jorge da Silva, Alceu Cardoso, durante entrevista à TV Justiça, no corredor da escola. Ele é um senhor de pele clara, cabelo grisalho, usando camisa social lilás e óculos de grau.“Os nossos alunos, quando entram na instituição, não vêm apenas aprender as matérias do currículo básico. Eles vêm aprender e se preparar para a vida, porque nós vivemos num mundo onde o cidadão tem que conviver com as pessoas. E essas palestras trazem a realidade referente aos órgãos e às legislações às quais eles terão que responder. Então, quando vêm membros da Justiça para mostrar aos alunos como funciona uma legislação, quais são os seus direitos, como eles podem acessar esses direitos e como eles podem respeitar o que está na lei, é muito importante”, disse.

Em seu primeiro ano de existência, em 2017, o Nosso Judiciário já esteve no IFMT Campus Octayde Jorge da Silva. De lá para cá, 36.320 estudantes de 164 escolas já foram beneficiados com a ação educativa realizada pelo Judiciário estadual.

Foto horizontal em plano médio que mostra a estudante Yasmim Vitória durante entrevista à TV Justiça, no corredor do IFMT. Ela é uma adolescente de pele branca, magra, cabelos cacheados longos e soltos, usando camiseta branca da escola.Na palestra, é explicado o que é o Juizado Especial, a justiça gratuita, acesso à Defensoria Pública, e situações que podem ser resolvidas por meio de métodos autocompositivos, como a conciliação e a mediação. Além disso, são destacadas situações relativas a direitos do consumidor, crimes relacionados a drogas, ameaças, direção sob efeito de álcool, omissão de socorro, crime ambiental, entre outros, para exemplificar aos adolescentes como a justiça se manifesta na prática, no cotidiano.

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Yasmim Vitória Souza Dias, aluna do 3⁰ ano de Eletrotécnica e representante do grêmio estudantil, classificou a palestra como “uma experiência maravilhosa”. “A gente precisa aprender mais sobre os Juizados Especiais, tanto o civil quanto o penal. Então, eu acho que é muito importante porque a gente precisa entender os nossos deveres, mais do que apenas entender os nossos direitos. Então falou sobre o cyberbullying, sobre o bullying, e é muito importante que nós, enquanto jovens que estão se formando, tenhamos esse conhecimento para que a gente não possa, no futuro, trazer algum constrangimento, cometer algum erro”, avalia.

Foto horizontal em plano médio que mostra a estudante Daphny Pedraza durante entrevista à TV Justiça, no corredor do IFMT. Ela é uma adolescente de pele branca, cabelos longos, castanhos, lisos e soltos, olhos castanhos claros, usando camiseta branca da escola.Daphiny Pedraza dos Santos, aluna do 1⁰ ano de Edificações, conta que já tinha participado de outras palestras na escola, mas não aprofundadas como esta. “Essa trouxe mais informações, mais conhecimento a respeito dos crimes, do bullying, do cyberbullying. Conhecimentos que a gente não tinha e que podem ser levados pra vida. Muitas pessoas acham que é apenas um ‘momentinho’ ali, uma brincadeira e tal, mas a pessoa que é a vítima sempre leva para o coração. Então é uma coisa que deve ser levada a sério”, comentou.

O professor de Língua Portuguesa, Luiz Renato de Souza, participou da palestra e destacou a importância da atividade oferecida aos alunos, como forma de aprender a utilizar o conhecimento a seu favor para exercer seus direitos. Ele pontuou ainda que as informações levadas pelo projeto Nosso Judiciário podem contribuir com a construção de habilidades como interpretação de texto, argumentação.

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Foto horizontal em plano médio que mostra o professor Luiz Renato de Souza durante entrevista à TV Justiça, no corredor do IFMT. Ele é um homem pardo, alto, magro, usando camiseta azul estampada, chapéu preto e óculos de grau.“Do ponto de vista da construção argumentativa, por exemplo, o conhecimento jurídico do nosso país, da Constituição e tudo mais, é uma parte muito importante, é uma ferramenta que, disponibilizada para o cidadão, em qualquer fase da sua vida, vai fazer muita diferença, melhorando seu repertório. Mas, é lógico que isso tem que vir acompanhado também de uma leitura, leitura de mundo, como dizia Paulo Freire, e a leitura de textos variados”, defendeu o professor.

Com relação a essa importância da leitura, o professor afirma que pretende utilizar em sua aula a cartilha sobre Juizados Especiais, distribuída aos estudantes pelo projeto Nosso Judiciário. “Nós não podemos abrir mão de nenhum tipo de texto que circule no ambiente escolar para fazer valer essa experiência de ser atravessado pelo conhecimento. E enquanto eu ia acompanhando a palestra e lendo, já estava pensando em possibilidades de utilizar fragmentos da cartilha nas salas de aula, quer seja para esclarecer direitos aos alunos, quer seja para cobrar deles uma lisura e uma questão ética, que também tem que estar presente no dia a dia do estudante”, destaca.


Fotos: Ricarte Oliveira e Celly Silva

Autor: Celly Silva

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Justiça de MT não cumpre reintegração de posse há 19 anos e gera prejuízo milionário

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O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça
O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça

A demora de quase duas décadas no cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse da Fazenda Poconé, em Querência (945 km de Cuiabá), segundo a defesa, teria causado prejuízo na ordem de R$ 500 milhões referente a lucros cessante do Espólio de Itagiba Carvalho Diniz.

O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça, para apurar a conduta do juiz e diretor da Comarca, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, e da secretaria da Vara Única de Querência-MT, que é responsável pela ação.

A matéria voltará à pauta da Corte no próximo dia 29 de julho, quando os desembargadores analisarão mais de dez incidentes processuais que, conforme o espólio, ainda impedem a conclusão da fase de execução e a restituição integral da propriedade.

“Embora a sentença que reconheceu o direito possessório do espólio tenha transitado em julgado em 2007 e uma segunda sentença tenha definido os limites da fazenda após extensa produção de provas e perícias técnicas que se prolongou por quase 30 anos, a maior parte da área permanece fora da posse dos proprietários”, sustentam os advogados.

Levantamentos técnicos anexados ao processo indicam que a Fazenda Poconé possui 7.237 hectares, dos quais aproximadamente 3.921 hectares são agricultáveis.

Desse total, apenas 604 hectares estariam atualmente sob posse direta do espólio. Outros 3.317 hectares permanecem pendentes de restituição e continuam sendo explorados economicamente por terceiros, segundo a petição.

O espólio afirma que cerca de 1.653 hectares de lavouras seguem sendo cultivados por empresas e produtores que figuram na própria ação judicial, enquanto outros ocupantes apresentaram embargos de terceiro para tentar impedir ou retardar o cumprimento das decisões judiciais.

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Para os proprietários, a demora na execução permitiu que a área permanecesse produzindo riqueza por mais de 20 anos, apesar da existência de decisões judiciais favoráveis ao espólio.

Compromisso firmado antes da disputa

Um dos documentos anexados aos autos, revela um ‘Termo de Compromisso’, firmado em 5 de maio de 1997 pelos então proprietários das áreas envolvidas na futura ação demarcatória.

No documento, os signatários assumiram o compromisso de preservar a situação existente até a definição técnica dos limites das propriedades. O texto estabelece que eles se obrigavam a “não realizar alteração alguma e expansão das respectivas posses atuais enquanto não se proceder o levantamento topográfico que as delimite e as caracterize segundo a titulação legítima”, prevendo que a demarcação seria realizada “por meio judicial ou amigável”.

O compromisso também registra que “a atual localização das posses não representa em definitivo a coerência destas com os respectivos títulos de domínio que cada um detém” e determina que o grupo tinha a obrigação de “promover a demarcatória a fim de definir a propriedade e em consequência a posse”.

Na avaliação do espólio, o documento demonstra que os próprios signatários concordaram em submeter a definição dos limites ao resultado da futura demarcação judicial, comprometendo-se a respeitar a solução técnica do conflito.

Patrimônio continua produzindo riqueza

Enquanto a execução permanece pendente, a atividade agrícola continua em ritmo intenso na região. Segundo o relatório consolidado de capacidade financeira que A Gazeta teve acesso, diversos ocupantes ou pessoas ligadas às áreas em disputa possuem patrimônio rural expressivo, empresas e participações societárias relevantes.

Entre eles está a Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda., empresa com capital social de R$ 3 milhões e proprietária da Fazenda Paraíso, em Ribeirão Cascalheira, com mais de 2.400 hectares.

O relatório também aponta que Benildo Carvalho Teles possui patrimônio rural no Pará, participação na AgroGalaxy, da qual alienou ações em operação superior a R$ 31 milhões, além de integrar empresas do agronegócio com capital superior a R$ 15 milhões.

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Outro é Claudio Augusto Diniz, proprietário de fazendas em Mato Grosso e Goiás, sócio de empresas rurais e credor da recuperação judicial do Grupo AgroGalaxy em mais de R$ 3,2 milhões.

O levantamento ainda relaciona a JMSW Agropecuária Ltda., empresa voltada ao cultivo de soja com capital social de R$ 17,6 milhões e proprietária de fazenda superior a 7 mil hectares em Querência.

Também aparecem produtores rurais e empresários como Leandro De Conti, Adalberto Backes, Carlos Caneppele, Gelson Caneppele, Sérgio Caneppele, Ivanete Lurdes Caneppele, Leandro Caneppele, Fernando Passinatto, José Adelar Jaenisch, além das empresas AGL Administradora e Participações Ltda. e MPS Empreendimentos Imobiliários Ltda., todos descritos como proprietários de imóveis rurais, beneficiários de financiamentos públicos ou integrantes de grupos empresariais ligados ao agronegócio.

O relatório atribui a esse conjunto de pessoas físicas e jurídicas patrimônio imobiliário rural, empresas e ativos considerados de elevada expressão econômica.

Julgamento

O espólio sustenta que a controvérsia deixou de ser sobre quem é o proprietário da Fazenda Poconé. Segundo os advogados, a discussão atual restringe-se ao cumprimento de decisão já transitada em julgado e à retirada dos ocupantes remanescentes.

A expectativa é que o julgamento marcado para 29 de julho pelo TJMT destrave a fase de execução e permita a efetiva restituição da área, encerrando um litígio que se arrasta há quase duas décadas e que, segundo o espólio, gerou perdas patrimoniais estimadas em aproximadamente R$ 500 milhões em razão da exploração agrícola contínua da fazenda.

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