Tribunal de Justiça de MT

Estudantes debatem violência contra a mulher em palestra da Coordenadoria da Mulher do TJMT

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“A agressão não vem de berço, ela é ensinada diariamente.” A reflexão do estudante Lucas Gabriel Silva Oliveira, de 16 anos, resume o impacto das conversas realizadas nesta quarta-feira (11) com alunos da Escola Estadual Victorino Monteiro, em Cuiabá. A unidade recebeu a segunda atividade de 2026 do projeto Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas, iniciativa que busca conscientizar adolescentes sobre violência doméstica e respeito entre homens e mulheres.

A palestra foi realizada pela equipe da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no Âmbito do Poder Judiciário (Cemulher-MT) e reuniu cerca de 70 estudantes do Ensino Médio, divididos em duas turmas. A atividade ocorreu a convite da equipe psicossocial da escola.

Para o aluno Lucas, conversar sobre o tema com jovens da mesma faixa etária é essencial para transformar comportamentos que muitas vezes são naturalizados pela sociedade.

“Diariamente a gente vê uma agressão contra a mulher. Então conversar com pessoas da minha idade ou até mais novas é importante para que entendam que a mulher também tem espaço e que precisa existir igualdade entre todos. A agressão não vem de berço, ela é ensinada diariamente, seja pela cultura do estupro ou pela falta de educação e orientação dentro e fora de casa”, afirmou.

A colega Ana Clara Gonçalves Barbosa, também de 16 anos, destacou que discutir o assunto na escola amplia o conhecimento dos jovens e contribui para que novas gerações cresçam com outra perspectiva de respeito e igualdade.

“Hoje em dia a gente pode falar sobre isso. A gente também pode conscientizar outras pessoas do que é errado. A mulher não é saco de pancada de ninguém. As mulheres merecem ser respeitadas tanto quanto os homens. Nessa idade a gente já precisa aprender o que é certo e o que é errado, para que no futuro esses atos não continuem acontecendo”, disse.

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Por um futuro melhor

Durante a atividade, o assessor técnico multidisciplinar da Cemulher, Cristian Pereira, apresentou dados sobre a violência doméstica em Mato Grosso e no Brasil, destacando que o trabalho educativo nas escolas é fundamental para prevenir novos casos.

“Estamos plantando sementes. Como dizia o filósofo Pitágoras, ‘é preciso educar as crianças de hoje para não ser necessário punir os homens de amanhã’. Quando a escola orienta e apresenta dados sobre a violência contra a mulher, os jovens passam a conhecer essa realidade e podem ajudar a combatê-la, inclusive denunciando quando necessário”, explicou.

Entre os dados apresentados aos estudantes, chamou atenção o número de crianças e adolescentes que se tornam vítimas indiretas do feminicídio. De acordo com relatório da Polícia Civil de Mato Grosso, das 52 mulheres assassinadas em casos de feminicídio no estado em 2025, 42 eram mães, deixando 89 filhos órfãos, sendo 45 com até 15 anos de idade. Em sete casos, as vítimas foram mortas na presença dos próprios filhos.

A história da farmacêutica bioquímica Maria da Penha, cuja luta por justiça deu origem à Lei nº 11.340/2006, também foi abordada durante o encontro. A narrativa serviu como ponto de partida para explicar aos estudantes os diferentes tipos de violência contra a mulher — física, psicológica, sexual, moral e patrimonial — e os caminhos para denunciar.

Os alunos também foram orientados sobre os canais de denúncia, como o 190 e o 180, além da importância de procurar apoio de familiares, professores ou da equipe psicossocial da escola em situações de violência.

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Combate ao discurso misógino

Para o psicólogo escolar Wilker Sherman Barcelos Andrade, que integra a equipe psicossocial da unidade, a presença da rede de proteção dentro da escola fortalece a formação dos estudantes para além do conteúdo acadêmico.

Segundo ele, debates como esse são ainda mais importantes em um cenário em que jovens têm acesso cada vez mais cedo à internet e a discursos que podem estimular comportamentos violentos ou desrespeitosos.

“Essas ações fazem parte de um processo formativo que a escola oferece. São temas importantes não só para o contexto escolar, mas para a vida em sociedade. Hoje vemos crescer na internet discursos que incentivam a violência contra a mulher. Trazer instituições como o Judiciário e a Cemulher para dialogar com os estudantes ajuda a mostrar outra perspectiva e a combater essas ideias que causam danos tanto às mulheres quanto aos próprios jovens”, destacou.

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Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário de MT Explica: por que falar de Equidade Racial importa?

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Há muita diferença entre tratar as pessoas de forma igual e tratá-las com justiça. E para explicar melhor é fundamental falar de igualdade versusequidade racial.
De forma resumida, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a igualdade garante o tratamento igualitário perante a lei, enquanto a equidade ajusta esse tratamento às necessidades específicas de cada indivíduo ou grupo.
Assim, a equidade busca promover a aplicação da justiça na prática para corrigir desigualdades e desvantagens históricas por meio de ações afirmativas.
Depois de estudos iniciados a partir da Portaria 108/2020, o CNJ lançou em 2022 o Pacto Nacional pela Equidade Racial, do qual o Poder Judiciário de Mato Grosso é signatário a partir do Comitê de Equidade Racial.
Por meio dele, o Judiciário mato-grossense passou a realizar cursos de letramento racial e práticas antirracistas, oficinas nas diferentes áreas e outras ações no âmbito do Tribunal de Justiça e nas comarcas.
O trabalho busca promover a equidade, fortalecer a democracia, unir as pessoas pelo respeito para mostrar que o conhecimento é a melhor ferramenta para transformar a nossa realidade.

Autor: Lídice Lannes

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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