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Encontro sobre Justiça Criminal aborda avanços no combate às organizações criminosas

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Na tarde desta quinta-feira (30), em Cuiabá, o “VI Encontro do Sistema de Justiça Criminal de Mato Grosso” foi palco da palestra do promotor de Justiça do estado de São Paulo, Lincoln Gakiya, intitulada “O Sistema de Justiça diante das organizações criminosas. Como agir?”. Com anos de experiência no combate às facções criminosas, Gakiya defende a atualização do sistema de justiça, não só no aprimoramento de leis, mas também na atuação multidisciplinar entre todos os operadores do Direito.

“As atuações criminosas, seja de uma facção ou de outra, acontecem em nível nacional e elas vão se correlacionando. Podemos ter proprietários de garimpos que estão na Faria Lima, em São Paulo, ou em algum fundo de investimento pelo Brasil. Temos que estar atentos a isso. Por isso defendo a atuação multiagência e a cooperação nacional e internacional para deter o avanço das organizações criminosas. Precisamos de novas ferramentas, inclusive processuais, para que possamos fazer frente a esse novo tipo de criminalidade que não havia em 1940, 1984, ou em 2013. Estamos diante de um novo tipo de criminalidade. O Poder Público, as polícias, o Ministério Público e o Judiciário precisam se adequar e se especializar para podermos fazer frente a esse novo fenômeno do crime”, afirmou Lincoln Gakiya.

Representando a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), o defensor público Paulo Roberto Marquezine defendeu melhorias nos programas de proteção de pessoas juradas de morte pelas facções criminosas em Mato Grosso, como o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) e no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita).

“Temos visto um aumento de procura da Defensoria Pública como porta de entrada nos programas de proteção de pessoas decretadas pelas facções, e temos buscado inserir os assistidos nesses programas. Essas inserções apresentam algumas dificuldades em Mato Grosso. Não obstante o Estado tenha evoluído com o Provita e no PPCAAM, se observa facilidade de inserção da vítima no programa de proteção em razão da inexistência do requisito da colaboração útil da persecução penal, temos alguns entraves se a colaboração não é considerada útil, de modo que a pessoa não encontra proteção. Essa busca de proteção é necessária nas populações mais vulneráveis, seja pelo local de moradia ou pelos poucos recursos que ela possui para se proteger”, defendeu Paulo Marquezini.

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“Temos alguns problemas com réu preso, pois o Provita não garante segurança deste réu. Normalmente, quando falamos das duas grandes facções criminosas e temos um ex-integrante que quer colaborar com as investigações, é difícil manter a segurança dele dentro do sistema prisional, pois o Provita não atinge essa situação”, complementou o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

O juiz de direito do estado de São Paulo, Ulisses Augusto Pascolati Júnior, defendeu a atualização dos sistemas de investigação criminal. De acordo com o magistrado, o Sistema de Justiça não pode mais depender de métodos tradicionais de investigação, haja vista que na era digital, as organizações criminosas atuam não apenas de forma presencial nos estados brasileiros, mas também na esfera digital. Portanto, cabe ao Estado brasileiro aprimorar sua legislação para permitir o acesso ágil e facilitado aos sistemas investigativos, como por exemplo, as buscas realizadas nos aparelhos celulares dos faccionados.

“Temos uma visão multinível do sistema legal. A base para este pedido são duas convenções internacionais ratificadas pelo Brasil que já ingressaram no sistema de Justiça brasileiro, que é a Convenção de Palermo e a de Budapeste. A crítica: ‘não temos lei’. De fato, mas temos uma base de legalidade para fazer esses pedidos de infiltração virtual com recolhimento de dados e captação de som. O que não pode é o Estado atuar com algum tipo de secretismo, vide que já houve tentativa de adquirir o sistema Pegasus e o Harpia, mas o TCU cortou, mas esses softwares espiões poderiam ser usados nas investigações. O Estado precisa acompanhar as evoluções tecnológicas, as mesmas que as organizações criminosas utilizam pra chegar nos seus objetivos”, afirma Ulisses.

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Também participaram do painel de debates o desembargador Lídio Modesto, como presidente da mesa, e a delegada Alessandra Saturnino de Souza.

O “VI Encontro do Sistema de Justiça Criminal do Estado de Mato Grosso – Ideários entre a Lei e a Realidade” teve início nesta quarta-feira (29) e vai até sexta-feira (31), com palestras e debates que abordam a evolução e os desafios do sistema de justiça no estado. O evento é idealizado e coordenado pelo desembargador Marcos Machado (TJMT), com realização da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), em parceria com a Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep), Escola Superior da Advocacia (ESA/OAB-MT) e Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do Ministério Público Estadual (MPMT).

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Autor: Paulo Henrique Fanaia

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Assessoria DPEMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

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Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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