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Curso da EJE-MT aponta relevância de julgamentos que tenham olhar sensível à diversidade

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Dando continuidade ao curso “Julgamentos Eleitorais com foco nas Perspectivas de Gênero e Étnico-racial”, a mestre e doutoranda em Direito Político, Sabrina de Paula Braga, falou sobre fundamentos jurídicos das desigualdades estruturais a partir de uma abordagem interseccional de gênero e raça aos participantes, nesta sexta-feira (06.06). A capacitação é oferecida pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE-MT), vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e teve início na quarta-feira (04.06).

Sabrina Braga explicou que o gênero é uma construção social e aprofundou o tema a partir da abordagem de Heleieth Saffioti, socióloga brasileira e que foi uma importante defensora dos direitos das mulheres. Ela também falou sobre a substancialidade, que é um princípio essencial para promover a igualdade real no processo judicial, estabelecido pelo Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero e Raça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Precisamos superar a neutralidade aparente, pois como o protocolo destaca, a aplicação ‘neutra’ da lei muitas vezes perpetua desigualdades estruturais. O julgamento com perspectiva de gênero e raça deve reconhecer que mulheres, especialmente negras, indígenas, periféricas e trans, sofrem discriminações interseccionais que precisam ser consideradas substancialmente nas decisões. A substancialidade exige um olhar atento para as condições reais vividas por mulheres em toda a sua diversidade, a fim de assegurar que as decisões judiciais não reproduzam padrões discriminatórios ou naturalizem desigualdades de gênero e raça”, destacou ela, que também é integrante da Comissão de Promoção de Igualdade Racial na Justiça Eleitoral e já atuou no TRE-MT ministrando um curso sobre letramento racial.

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Sabrina Braga também abordou os tipos de violência de gênero e que, na política, essas situações podem, algumas vezes, ser praticadas junto com a violência política. “A política ainda é um ambiente hostil para as mulheres, e enquanto for assim, é natural que elas se esquivem de ocupar esses lugares, infelizmente”. Dentro deste tema, foi destacado pelos participantes, a fraude à cota de gênero, que prejudica a participação feminina no processo eleitoral e que tem na prestação de contas um gargalo.

Sobre isso, o servidor da 49ª Zona Eleitoral, com sede em Várzea Grande, Valdiney Rondon Maidana Gomes, explicou que a equipe tem utilizado o Protocolo para os casos de candidatas femininas com contas de campanha não prestadas.

“Estamos tomando medidas para um contato mais pessoal com as candidatas, porque, muitas vezes, são esquecidas pelos partidos ou advogados. Já tivemos dois julgamentos em que, mesmo tendo advogados constituídos, não foram tomadas providencias para apresentação das contas eleitorais. O contato pessoal auxiliou as candidatas para tentar solucionar a situação e não serem surpreendidas com um julgamento que afete a situação eleitoral ou mesmo com cobranças de recursos não explicados. Entendemos que a utilização do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero não se restringe a casos de violência ou discriminação direta, mas busca fomentar uma análise mais ampla e sensível às particularidades e desafios enfrentados pelas mulheres na política”, avaliou.

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Também fazendo o curso, o juiz da 18ª Zona Eleitoral, com sede em Mirassol D’Oeste, Fernando Kendi Ishikawa, parabenizou a ministrante pelo curso e o tema abordado. “É um assunto bastante relevante, percebemos muito essas distorções. Muitas mulheres têm duplas e triplas jornadas, dedicadas à economia do cuidado, e temos vários estudos que mostram o quanto a economia do cuidado enriquece a sociedade. Então, é fundamental que tenhamos um olhar sensível para essas questões”.

O curso continuará na próxima segunda-feira (09.06) e será encerrado na quarta-feira (11.06). A atividade é ministrada em conjunto com o professor Volgane Oliveira Carvalho, que fez a abertura. Ele é mestre em Direito, doutorando em Políticas Públicas e membro da Comissão de Promoção de Participação Indígena no Processo Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao final, será coordenada a atividade prática do curso: elaboração de uma sentença baseada nos conteúdos discutidos.

Jornalista: Nara Assis

#PraTodosVerem: A imagem mostra uma captura de tela de uma videoconferência com vários participantes, organizada em formato de grade, que representa o curso sobre julgamentos com perspectiva de gênero e raça promovido pela EJE-MT. Em destaque, aparece a palestrante com vídeo ativado: Sabrina de Paula Braga, que está falando, e Janis Eyer Nakahashi, secretária da EJE-MT. Também está com a câmera ligada o juiz Fernando Kendi Ishikawa. Os demais participantes, incluindo servidores da Justiça Eleitoral, estão com microfones e câmeras desligados.

Fonte: TRE – MT

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TRE-MT promove curso sobre eleições sob a perspectiva dos direitos humanos, da equidade e da inclusão

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Direitos humanos, equidade racial, inclusão e representatividade são temas que ganharam espaço central no debate democrático contemporâneo. Com esse foco, teve início nesta segunda-feira (08.06), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnia em Processo Eleitoral”. A capacitação segue até quinta-feira (11.06) e reúne magistrados(as), promotores(as) e servidores(as) da Justiça Eleitoral.

A formação aborda temas centrais do processo eleitoral a partir de uma perspectiva voltada aos direitos humanos e à promoção da equidade. O conteúdo programático está dividido em quatro módulos: Propaganda Eleitoral com enfoque em direitos humanos, gênero, raça e etnia; Registro de Candidatura com enfoque interseccional; Prestação de Contas e financiamento com foco em equidade; e Abuso de Poder (econômico, político, comunicacional e religioso) e práticas discriminatórias.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a inclusão, o diálogo e o acolhimento são fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a aproximação da Justiça Eleitoral com a sociedade.

“A Justiça Eleitoral precisa conversar com todas as pessoas, acolher diferentes perspectivas e promover a participação de todos no debate público. O conhecimento e o acolhimento são fundamentais para construirmos uma democracia cada vez mais humana e inclusiva”, afirmou a presidente.

A desembargadora ressaltou ainda que a participação no processo eleitoral, seja como eleitora, candidata, servidora, advogada, promotora, juíza ou mesária, representa um importante exercício de cidadania e fortalecimento democrático. Para ela, iniciativas como o curso ampliam o conhecimento, qualificam o debate público e contribuem para uma atuação institucional cada vez mais inclusiva.

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A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou a importância da temática para o fortalecimento da democracia e para a atuação institucional da Justiça Eleitoral.

Segundo ela, o debate sobre inclusão e representatividade deixou de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o centro das discussões sobre aperfeiçoamento democrático. “A ampliação da participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos historicamente minorizados não é apenas uma pauta social, mas uma exigência constitucional e um compromisso institucional. Mais do que uma oportunidade de atualização técnica, este curso nos convida a refletir sobre o papel da Justiça Eleitoral na construção de uma democracia efetivamente inclusiva, plural e representativa”, afirmou.

O diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos, ressaltou que a promoção da inclusão e da diversidade está alinhada às diretrizes nacionais da Justiça Eleitoral.

“A primeira grande bandeira institucional do Tribunal Superior Eleitoral foi justamente a inclusão de mulheres, pessoas negras e indígenas na participação política. Trata-se de um tema fundamental para o fortalecimento do ambiente democrático e para a construção de uma sociedade mais representativa”, destacou.

Ao dar início às atividades, o palestrante Elder Maia Goltzman explicou que a proposta do curso é promover um diálogo entre o Direito Eleitoral e os Direitos Humanos, permitindo uma nova leitura dos principais institutos eleitorais.

“A ideia é analisar temas como propaganda eleitoral, abuso de poder, prestação de contas e registro de candidatura sob a perspectiva dos direitos humanos. Muitas das questões enfrentadas pela Justiça Eleitoral envolvem dilemas relacionados à inclusão, igualdade e proteção de direitos fundamentais. Por isso, queremos construir um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências”, afirmou.

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Especialistas de referência nacional

O curso é ministrado por dois especialistas com ampla atuação acadêmica e profissional na área.

Elder Maia Goltzman é analista judiciário do TRE-SP, mestre em Direito e Instituições do Sistema de Justiça pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), doutorando em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Direito Administrativo. Atua em pesquisas relacionadas à liberdade de expressão, direitos humanos, população LGBTQIAPN+, desinformação e direito digital, além de ser professor em cursos de pós-graduação e autor de obras na área eleitoral.

A programação também contará com a participação de Sabrina de Paula Braga, responsável por ministrar módulos do curso ao longo da semana. Analista judiciária do TRE-MG, é mestra e doutoranda em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do eixo “Participação de Grupos Minorizados” da Capacitação Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais e integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Justiça Eleitoral.

Jornalista: Andréa Martins Oliveira

#PratodosVerem – Participante acompanha, por meio de um notebook, o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Gênero, Raça e Etnia no Processo Eleitoral”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na tela, aparecem autoridades e participantes da capacitação em videoconferência, enquanto o palestrante apresenta conteúdo relacionado aos direitos humanos e ao processo eleitoral.

Fonte: TRE – MT

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