Saúde

Relatório global mostra como desigualdades impactam o enfrentamento a pandemias

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Um relatório publicado em novembro pelo Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias, ligado ao Unaids/ONU, aponta que as desigualdades sociais impactam diretamente o enfrentamento das pandemias, fazendo com que sejam mais longas, letais e onerosas, além de ampliar a exposição de populações vulneráveis. A conclusão é apresentada no texto “Quebrando o ciclo desigualdade–pandemia: construindo uma verdadeira segurança sanitária em uma era global”.

A versão em português do relatório foi lançada nesta terça-feira (16), durante a 57ª Reunião do Comitê de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), presidido pelo Brasil. A apresentação foi feita pela ministra da Saúde no período de janeiro de 2023 a fevereiro de 2025, Nísia Trindade, membro-fundadora do Conselho Global.

Na última semana, Trindade publicou um artigo no veículo The Conversation, no qual destacou que, se nenhuma região estiver segura, nenhuma estará. “Respostas sensíveis à desigualdade, com ações intersetoriais e comunitárias, são mais eficazes do que estratégias exclusivamente biomédicas para interromper esse ciclo”, afirmou.

No Brasil, segundo o relatório, pessoas sem educação básica tiveram probabilidade até três vezes maior de morrer por Covid-19 do que aquelas com ensino superior. Países com maiores níveis de desigualdade também registraram taxas mais elevadas de mortalidade por Covid-19, maior incidência de HIV e mais dificuldades para implementar respostas eficazes.

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Além disso, durante a pandemia de Covid-19, cerca de 165 milhões de pessoas foram levadas à pobreza, enquanto a riqueza dos mais ricos cresceu mais de 25%. Os impactos econômicos atingiram de forma desproporcional mulheres, trabalhadores informais e grupos étnicos minoritários, que concentraram as maiores perdas de emprego e renda.

Para romper o ciclo desigualdade–pandemia, o relatório recomenda quatro ações: remoção de barreiras financeiras globais; investimento nos determinantes sociais da saúde; fortalecimento da produção local e do compartilhamento de tecnologias; e aprimoramento da governança, com participação comunitária.

Eliminação da transmissão vertical do HIV

Quatro décadas após o primeiro registro da aids no Brasil, o país alcançou um marco histórico no enfrentamento da epidemia: em 2025, eliminou a transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública e reduziu em 13% o número de óbitos em um ano. Esses são exemplos dos avanços do Brasil no enfrentamento a desigualdades, com impactos positivos na saúde pública, resultado de políticas públicas consolidadas, que vão do pré-natal ao cuidado especializado.

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“Cada vida preservada, cada tratamento iniciado e cada infecção evitada reforçam a escolha que o Brasil fez ao manter um sistema público, universal e gratuito, que alcança quem mais precisa”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo Padilha, os resultados alcançados refletem a força do SUS e o compromisso da sociedade civil com uma resposta baseada na ciência, no cuidado e na proteção à vida.

A liderança do Ministério da Saúde na articulação de uma resposta concreta aos desafios entre saúde e clima na COP30 também demonstra o compromisso do país com um Sistema Único de Saúde (SUS) resiliente e voltado para o futuro. A pasta defende a adaptação urgente dos sistemas de saúde às mudanças climáticas, tendo a equidade como eixo central para a preparação frente a emergências sanitárias e possíveis novas pandemias.

João Vitor Moura
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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