Saúde
Relatório global mostra como desigualdades impactam o enfrentamento a pandemias
Publicado em
17 de dezembro de 2025por
Da Redação
Um relatório publicado em novembro pelo Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias, ligado ao Unaids/ONU, aponta que as desigualdades sociais impactam diretamente o enfrentamento das pandemias, fazendo com que sejam mais longas, letais e onerosas, além de ampliar a exposição de populações vulneráveis. A conclusão é apresentada no texto “Quebrando o ciclo desigualdade–pandemia: construindo uma verdadeira segurança sanitária em uma era global”.
A versão em português do relatório foi lançada nesta terça-feira (16), durante a 57ª Reunião do Comitê de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), presidido pelo Brasil. A apresentação foi feita pela ministra da Saúde no período de janeiro de 2023 a fevereiro de 2025, Nísia Trindade, membro-fundadora do Conselho Global.
Na última semana, Trindade publicou um artigo no veículo The Conversation, no qual destacou que, se nenhuma região estiver segura, nenhuma estará. “Respostas sensíveis à desigualdade, com ações intersetoriais e comunitárias, são mais eficazes do que estratégias exclusivamente biomédicas para interromper esse ciclo”, afirmou.
No Brasil, segundo o relatório, pessoas sem educação básica tiveram probabilidade até três vezes maior de morrer por Covid-19 do que aquelas com ensino superior. Países com maiores níveis de desigualdade também registraram taxas mais elevadas de mortalidade por Covid-19, maior incidência de HIV e mais dificuldades para implementar respostas eficazes.
Além disso, durante a pandemia de Covid-19, cerca de 165 milhões de pessoas foram levadas à pobreza, enquanto a riqueza dos mais ricos cresceu mais de 25%. Os impactos econômicos atingiram de forma desproporcional mulheres, trabalhadores informais e grupos étnicos minoritários, que concentraram as maiores perdas de emprego e renda.
Para romper o ciclo desigualdade–pandemia, o relatório recomenda quatro ações: remoção de barreiras financeiras globais; investimento nos determinantes sociais da saúde; fortalecimento da produção local e do compartilhamento de tecnologias; e aprimoramento da governança, com participação comunitária.
Eliminação da transmissão vertical do HIV
Quatro décadas após o primeiro registro da aids no Brasil, o país alcançou um marco histórico no enfrentamento da epidemia: em 2025, eliminou a transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública e reduziu em 13% o número de óbitos em um ano. Esses são exemplos dos avanços do Brasil no enfrentamento a desigualdades, com impactos positivos na saúde pública, resultado de políticas públicas consolidadas, que vão do pré-natal ao cuidado especializado.
“Cada vida preservada, cada tratamento iniciado e cada infecção evitada reforçam a escolha que o Brasil fez ao manter um sistema público, universal e gratuito, que alcança quem mais precisa”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo Padilha, os resultados alcançados refletem a força do SUS e o compromisso da sociedade civil com uma resposta baseada na ciência, no cuidado e na proteção à vida.
A liderança do Ministério da Saúde na articulação de uma resposta concreta aos desafios entre saúde e clima na COP30 também demonstra o compromisso do país com um Sistema Único de Saúde (SUS) resiliente e voltado para o futuro. A pasta defende a adaptação urgente dos sistemas de saúde às mudanças climáticas, tendo a equidade como eixo central para a preparação frente a emergências sanitárias e possíveis novas pandemias.
João Vitor Moura
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Published
59 minutos agoon
29 de agosto de 2026By
Da Redação
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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