Saúde

Projeto oferece soluções simples para deixar casas mais saudáveis 

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Soluções simples e acessíveis, como o uso de cobogós (tijolos vazados), abertura de janelas e lajes com caimentos corretos, podem deixar as casas de favelas brasileiras mais agradáveis e evitar doenças. Com o objetivo de evitar a disseminação da tuberculose, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começou a desenvolver o projeto Habitação Saudável há cerca de quatro anos. 

O projeto piloto foi desenvolvido no Complexo de Manguinhos, conjunto de favelas vizinho à sede da Fiocruz, na zona norte do Rio de Janeiro, a partir da análise dos dados sobre a incidência de tuberculose na região, ainda em 2019. 

“Um grande número de casos de tuberculose na comunidade de Manguinhos ocorria em determinada região, que era a área com maior dificuldade socioeconômica. Eram locais onde havia transmissão da tuberculose dentro das casas. Aquelas casas que tinham maior número de pessoas, com problemas de ventilação, de iluminação direta da luz solar eram locais propícios para a contaminação”, explica a pneumologista Patrícia Canto Ribeiro, coordenadora de Atenção à Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz. 

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A ideia inicial era escolher 40 casas da comunidade e produzir plantas arquitetônicas modelos, com melhorias de baixo custo, para serem aplicadas em outros imóveis da favela. No entanto, a pandemia de covid-19, que levou à adoção de medidas de isolamento social a partir de março de 2020, impediu que a proposta inicial fosse levada à frente, e o projeto teve que ser adaptado. 

O foco da Fiocruz passou a ser na capacitação de 130 agentes comunitários, que receberam instruções sobre a metodologia das habitações saudáveis e na produção de material educativo, como vídeos  e uma cartilha 

Tanto os agentes comunitários quanto o material educativo mostram aos moradores da favela como fazer reformas ou melhorias de baixo custo em suas casas, de forma a melhorar a circulação de ar, aumentar a iluminação e controlar infiltrações e mofo.  

“Casas com grande número de pessoas, mal ventiladas, são locais que propiciam a transmissão de doenças, como a tuberculose, viroses respiratórias, covid-19, influenza”, afirma a pneumologista, ressaltando que essas “casas doentes” também podem agravar quadros de asma, bronquite e alergias. 

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Passada a pandemia, no entanto, a Fiocruz pretende retomar a proposta original, oferecendo a visita de arquitetos para analisar alternativas que transformem as casas em ambientes mais saudáveis. Para isso, no entanto, a proposta precisa de financiamento.

“A emenda parlamentar [que garantiu o financiamento da primeira parte do projeto] terminou, então precisamos agora de nova emenda parlamentar. Estamos tentando contato com parlamentares que abracem essa ideia”. 

O financiamento do Habitação Saudável permitirá também que ele possa ser levado a outras comunidades do Rio de Janeiro e do restante do país. “A gente entende que casas deveriam ser um direito de todos. Mas as casas têm que ser seguras”, conclui Patrícia.

Fonte: EBC SAÚDE

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Saúde

Ministério da Saúde e Fiocruz investem em laboratório no Ceará para terapia contra o câncer

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou nesta terça-feira (29), no Palácio da Abolição, em Fortaleza (CE), da assinatura do Memorando de Entendimento para a criação do segundo laboratório modular destinado ao desenvolvimento da terapia celular CAR-T no Brasil. A iniciativa reúne Fiocruz, Secretaria de Saúde do Ceará (SES-CE), Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil) e Universidade Federal do Ceará (UFC) e integra a estratégia do Ministério da Saúde para ampliar o acesso a terapias avançadas contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo centro será implantado no Ceará a partir de um modelo descentralizado de produção que permite instalar laboratórios modulares próximos aos centros onde os pacientes são atendidos. A proposta é reduzir custos logísticos, diminuir o tempo entre a coleta e a reinfusão das células e criar uma estrutura que possa ser replicada em diferentes regiões do país. A primeira unidade foi instalada em maio deste ano, no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

“O Brasil cresceu 30% em sua participação mundial em pesquisa clínica em 2025: saímos da 18ª para a 12ª posição. E vamos chegar entre os dez primeiros nos próximos anos, apostando na ciência. Um país como esse não pode abrir mão de participar, com toda a sua força e suas características, do desenvolvimento de terapias avançadas. Até porque essa participação é uma grande possibilidade de produzir acesso. Inovação sem acesso nem deveria se chamar inovação. Inovação sem acesso é injustiça, porque aumenta as disparidades entre quem tem acesso e quem não tem”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

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A expansão para o Ceará está prevista no Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS). A estratégia prevê a descentralização da oferta, a internalização de etapas produtivas e a realização de estudos clínicos no Brasil, em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com a nova unidade, o Ceará poderá se consolidar como polo de desenvolvimento da terapia para atendimento de pacientes do Nordeste.

Além do ministro Padilha, participaram da solenidade o presidente da Fiocruz, Mario Moreira; a secretária estadual de Saúde do Ceará, Tânia Mara Silva Coelho; a coordenadora da Fiocruz Ceará, Carla Celedonio; o presidente da HU Brasil, Arthur Chioro; o vice-presidente da HU Brasil, Daniel Gomes Beltrammi; e o reitor da UFC, Custódio Almeida.

Tecnologia nacional

A terapia CAR-T utiliza linfócitos T, células de defesa do próprio paciente, que são coletados e modificados geneticamente em laboratório para receber um receptor capaz de reconhecer células cancerígenas. Depois de multiplicadas, as células modificadas são reintroduzidas no paciente, onde passam a identificar e atacar o tumor. A tecnologia poderá beneficiar inicialmente pessoas com leucemias e linfomas.

Nos centros que serão estruturados pela Fiocruz, será desenvolvida a tecnologia duoCAR-T triespecífica, que utiliza células capazes de reconhecer simultaneamente três diferentes antígenos associados ao câncer, ampliando os alvos que podem ser identificados pelo sistema imune.

A produção nacional também contempla o desenvolvimento do vetor lentiviral utilizado na modificação genética das células. A produção será realizada na planta de vetores virais de Bio-Manguinhos/Fiocruz, estrutura que foi utilizada no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19. A infraestrutura e a capacidade tecnológica construídas ao longo da política de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) passam, assim, a apoiar também o desenvolvimento de terapias celulares avançadas.

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A estratégia busca reduzir a dependência de produtos importados e os custos associados à terapia, ampliando a possibilidade de acesso pelo SUS. Nos Estados Unidos, uma dose comercial de CAR-T pode custar entre US$ 350 mil e US$ 400 mil. No Brasil, o desenvolvimento nacional pretende criar capacidade tecnológica e produtiva para que terapias avançadas possam ser incorporadas ao sistema público.

Santa Casa de Sobral

Ainda no Ceará, o ministro Alexandre Padilha visitou a Santa Casa de Misericórdia de Sobral, instituição sem fins lucrativos e com atendimento 100% pelo SUS. A unidade conta com 433 leitos, sendo 55 de UTI, contemplando neonatal, pediátrica e adulto. A estrutura inclui ainda leitos clínicos, cirúrgicos e obstétricos, além de hospital-dia.

A unidade de saúde está inserida em um território que reúne 55 municípios e uma população estimada em 1,7 milhão de habitantes. Entre janeiro e julho de 2026, a Santa Casa registrou 10.107 internações e 223.683 procedimentos ambulatoriais pelo SUS. Em setembro, a instituição passou a integrar a estratégia Agora Tem Especialistas, com previsão de 448 cirurgias para pacientes do SUS no Ceará.

Na atenção materno-infantil, a instituição possui habilitações da Rede Alyne, programa voltado ao cuidado integral e humanizado da gestante, da mulher no pós-parto e da criança. Em 2025, foram registrados 2.815 partos na unidade, consolidando sua atuação no cuidado às gestantes, puérperas e recém-nascidos da região.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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