Saúde

Cooperação técnica entre Brasil-Angola promove qualificação sobre assistência a pacientes queimados

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O Brasil realizou, entre os dias 20 e 27 de julho, uma missão técnica voltada ao fortalecimento da atenção às pessoas vítimas de queimaduras em Angola. A atividade integra o Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, desenvolvido no âmbito da cooperação técnica entre os ministérios da Saúde dos dois países.

A programação teve a participação de especialistas do Hospital Geral do Estado da Bahia (HGE), unidade reconhecida pela atuação na assistência a pacientes queimados. Durante a missão, a equipe compartilhou protocolos clínicos, experiências assistenciais e práticas baseadas em evidências, contribuindo para a qualificação de profissionais de saúde e para o aprimoramento da atenção especializada na área.

Para o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a cooperação entre os dois países representa uma estratégia de fortalecimento mútuo dos sistemas de saúde. “A cooperação entre Brasil e Angola tem se consolidado como um modelo de intercâmbio de experiências e formação de especialistas. Essa parceria fortalece ambos os sistemas de saúde, ao ampliar o quadro de profissionais qualificados e promover a melhoria contínua do cuidado prestado aos usuários”, destacou.

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As atividades incluíram a participação no Seminário Nacional sobre a Abordagem ao Paciente Queimado, promovido pelo Ministério da Saúde de Angola por meio da Unidade de Implementação do Projeto de Formação dos Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (UIP-PFRHS). O evento reuniu mais de 600 profissionais, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros integrantes da rede de saúde.

Ao longo da qualificacitação, foram discutidos temas relacionados à prevenção de queimaduras, estabilização clínica, tratamento, reabilitação e encaminhamento de pacientes, com base em evidências científicas e protocolos utilizados na assistência especializada.

Além das atividades formativas, a delegação realizou visitas técnicas ao Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, ao Hospital Neves Bendinha e ao Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC), onde funciona o Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Kambarage Nyerere. Durante as visitas, foram debatidos aspectos relacionados à organização dos serviços, adoção de protocolos clínicos, qualificação das equipes multiprofissionais e planejamento da assistência especializada.

No encerramento do seminário, a ministra da Saúde de Angola, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, ressaltou a importância da formação especializada, da cooperação internacional e da atualização das práticas clínicas para o aprimoramento da assistência às pessoas vítimas de queimaduras.

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Entre os encaminhamentos discutidos durante a missão estão a continuidade das ações de cooperação técnico-científica, a ampliação de oportunidades de formação para profissionais angolanos em instituições brasileiras e o desenvolvimento de iniciativas voltadas a áreas como cirurgia plástica, cirurgia reconstrutiva, microcirurgia, transplante de pele e tratamento avançado de pacientes com queimaduras graves.

A iniciativa integra as ações previstas no acordo de cooperação entre os ministérios da Saúde do Brasil e de Angola, com foco na formação de recursos humanos, no intercâmbio de conhecimentos e no fortalecimento das capacidades institucionais em saúde. A parceria também busca contribuir para a qualificação dos serviços especializados e para a ampliação do acesso da população a cuidados de saúde alinhados aos princípios da cobertura universal e da educação permanente em saúde. 

Caroline Fogaça
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde abre inscrições para curso de epidemiologia de campo

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O Ministério da Saúde (MS) abriu processo seletivo para a 23ª Turma do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS) no nível avançado. As informações estão disponíveis no Edital nº 11/2026 e as inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma eletrônica do EpiSUS, até 30 de agosto de 2026. O início das atividades está previsto para 1º de março de 2027.

Podem se candidatar profissionais de nível superior das áreas de biologia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva/saúde pública e terapia ocupacional, entre outras áreas correlatas. Devem possuir pós-graduação concluída em áreas relacionadas à epidemiologia, vigilância em saúde ou saúde coletiva e, pelo menos, três anos de experiência profissional em serviços de saúde nas áreas de vigilância epidemiológica, sanitária, hospitalar, ambiental ou em atenção primária.

Os candidatos selecionados deverão residir na capital federal durante os dois anos de treinamento, com disponibilidade para atuação em qualquer localidade do país ou do exterior. Estão abertas à concorrência 12 vagas, sendo 10 destinadas a candidatos brasileiros, natos ou naturalizados, e duas a candidatos de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e da Região das Américas.

Da formação à prática nos serviços de vigilância

A enfermeira Mariana Sanches de Mello, de 36 anos, participou da 19ª turma do EpiSUS avançado em 2022 e esteve em uma investigação de campo em área indígena localizada em Roraima, em 2023, como parte das atividades práticas da formação. A profissional reside em Belo Horizonte, atua na Vigilância das Doenças Transmissíveis Agudas da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e declara que as informações e vivências do curso fazem parte da sua rotina de trabalho.

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“Os conhecimentos absorvidos no EpiSUS estão presentes nas investigações de casos e surtos, na análise e interpretação de informações epidemiológicas, na avaliação da qualidade dos dados e, principalmente, na tomada de decisões. As habilidades metodológicas adquiridas, assim como o domínio de ferramentas para análise de dados, fazem parte do meu dia a dia e demonstram que o conhecimento desenvolvido durante a formação é plenamente aplicável à prática dos serviços de vigilância. Mais do que ensinar técnicas, o EpiSUS prepara profissionais capazes de transformar informações em ações coordenadas, com impactos mensuráveis e reais para a saúde da população”, explica.

Segundo ela, o diferencial do programa é a formação em serviço. “Vivenciar investigações epidemiológicas, responder a emergências em saúde pública, desenvolver estudos e apoiar decisões em cenários reais proporciona um aprendizado que dificilmente seria alcançado apenas em sala de aula. É uma formação que ensina não apenas a aplicar métodos epidemiológicos, mas também a compreender os desafios cotidianos dos serviços, considerando os contextos sociais e a realidade dos territórios para construir soluções viáveis e efetivas”.

Mariana conta que um exemplo recente foi a implantação da Vigilância Sentinela das Doenças Invasivas Bacterianas em Minas Gerais. Desde a análise das bases de dados até a definição de indicadores, a elaboração de protocolos e a articulação entre vigilância, assistência e laboratório, a iniciativa foi sustentada por competências desenvolvidas durante o EpiSUS. “Essa experiência reforçou, na prática, como a epidemiologia aplicada é capaz de transformar dados em estratégias concretas para fortalecer a resposta do sistema de saúde”.

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Etapas do processo seletivo

O processo é composto por três etapas eliminatórias e classificatórias: análise curricular com base na formação acadêmica e na experiência profissional; entrevista por videoconferência com arguição sobre conhecimentos gerais, motivação e resolução de situações-problema; avaliação presencial de conhecimentos e habilidades em epidemiologia aplicada, realizada em Brasília, ao longo de cinco dias.

Os candidatos selecionados e com vaga homologada recebem bolsa mensal concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) durante os dois anos de formação, além de auxílios para deslocamento e participação em eventos técnico-científicos, conforme o Regulamento Interno do Programa.

Sobre o programa

O EpiSUS é um programa de formação em serviço, com duração de dois anos e dedicação exclusiva, voltado à capacitação de profissionais de nível superior para atuação em epidemiologia de campo. A formação tem carga horária mínima de 3.600 horas presenciais, das quais aproximadamente 80% correspondem a atividades práticas e 20% a atividades teóricas.

O EpiSUS integra a Rede Internacional de Programas de Treinamento em Epidemiologia e Intervenções em Saúde Pública (TEPHINET) e tem como finalidade formar epidemiologistas de campo capazes de apoiar ações de preparação, vigilância e resposta a eventos em saúde pública de interesse nacional ou internacional.

Na prática, os profissionais são capacitados para investigar surtos e eventos de saúde pública, analisar dados epidemiológicos e apoiar a definição de medidas de prevenção e controle. Esse trabalho pode contribuir, por exemplo, para identificar as causas de um aumento inesperado de casos de uma doença específica e subsidiar a adoção de medidas de resposta naquele local.

Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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