Saúde

Brasil reforça compromisso com a abordagem de “Uma Só Saúde”

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O Brasil celebra, neste 3 de novembro, o Dia Mundial e o Dia Nacional de Uma Só Saúde (Saúde Única), data instituída pela Lei nº 14.792/2024, em consonância com o cenário internacional. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a relação indissociável entre a saúde humana, animal e ambiental, promovendo uma abordagem integrada e colaborativa para enfrentar os desafios globais de saúde pública.

De acordo com a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, “a abordagem de Uma Só Saúde é essencial para compreendermos que as ameaças à saúde não conhecem fronteiras. Precisamos de respostas conjuntas entre setores, países e disciplinas para proteger a vida em todas as suas formas”.

A pandemia de Covid-19 evidenciou a importância dessa visão integrada, já que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes que afetam humanos têm origem animal, como ebola, febre amarela, raiva e gripe aviária. Além disso, 80% dos agentes com potencial de uso em bioterrorismo são patógenos zoonóticos.

Brasil

No país, o Ministério da Saúde tem papel central na consolidação dessa agenda. Em 2019, foi criado o Grupo Técnico de Uma Só Saúde (GT-Uma Só Saúde), vinculado à Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. O grupo tem como propósito impulsionar a estruturação e a consolidação institucional da abordagem de Uma Só Saúde, articulando estratégias intersetoriais para vigilância, controle e prevenção de doenças que afetam humanos e animais.

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Como resultado desse trabalho, foi instituído, por meio do Decreto nº 12.007/2024, o Comitê Técnico Interinstitucional de Uma Só Saúde que reúne representantes de 20 órgãos e entidades.  O comitê é responsável por elaborar e monitorar o Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde, articular medidas com estados e municípios visando à implementação do referido plano e assessorar o governo em pautas nacionais e internacionais sobre o tema.

Além disso, o Ministério da Saúde tem ampliado a produção técnica e científica sobre o tema da Uma Só Saúde, reunindo materiais que fortalecem a integração entre saúde humana, animal e ambiental. Entre as principais publicações recentes estão o Manual com orientações clínicas e de vigilância para a tuberculose zoonótica (2024), o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Saúde Única (2018–2022), o Caderno de atividades pedagógicas sobre doenças tropicais negligenciadas, voltado para escolas e com foco em dengue, leishmaniose e esquistossomose, e o Boletim Epidemiológico nº 40 – Dia Mundial da Saúde Única (2021).

Integração internacional

O Brasil tem se alinhado às diretrizes da Aliança Quadripartite, que lançou em 2022 o Plano de Ação Conjunto para a Uma Só Saúde (2022–2026). O documento propõe seis linhas de ação, entre elas o fortalecimento dos sistemas de saúde, a redução dos riscos de pandemias zoonóticas, o controle de doenças negligenciadas e a limitação da resistência aos antimicrobianos.

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O MS tem trabalhado para adaptar essas diretrizes ao contexto nacional, reforçando a preparação para emergências de saúde pública, a gestão de riscos ambientais e a articulação entre ministérios e outras instituições.

Avanços e desafios

A abordagem de Uma Só Saúde representa uma oportunidade de transformação nas políticas de saúde pública, conectando áreas que historicamente têm dificuldades de trabalhar de forma articulada e colaborativa — saúde humana, animal, vegetal e ambiental. Entre os principais avanços estão a integração de sistemas de vigilância epidemiológica e ambiental, a promoção da segurança dos alimentos e o fortalecimento da cooperação científica.

Para Mariângela Simão, o conceito de Uma Só Saúde é mais do que uma diretriz técnica: trata-se de uma mudança de paradigma. “Cuidar da saúde das pessoas implica cuidar do planeta e de todos os seres que nele habitam. Essa é uma agenda de futuro, de sustentabilidade e de vida”, concluiu a secretária.

João Moraes
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Governo do Brasil lança primeiro centro-âncora de inovação em saúde do país para produção nacional de insumos, equipamentos e tecnologias

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, inauguram nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), do lançamento do primeiro centro-âncora do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, o Complexo Arandus, além do avanço da implantação de quatro novas linhas de luz do acelerador de partículas Sirius voltadas ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e tecnologias estratégicas para a saúde. As novas estruturas formarão o único complexo de saúde da América Latina com acelerador voltado à inovação científica e tecnológica.

A iniciativa cria infraestrutura tecnológica, apoio ao escalonamento produtivo, validação regulatória e articulação com o setor produtivo para acelerar o desenvolvimento de medicamentos, equipamentos e tecnologias voltadas à população brasileira, e é marco nos esforços do Governo do Brasil para fortalecer a soberania nacional em saúde e ampliar a capacidade do país de desenvolver tecnologias estratégicas em território nacional, reduzindo a dependência da pesquisa e do mercado internacional e fortalecendo a autonomia produtiva do SUS.

O presidente Lula destacou que o lançamento representa um passo estratégico para o futuro da sociedade brasileira, especialmente na formação de especialistas e no desenvolvimento científico do país. “O projeto fortalece a autonomia e soberania nacional do Brasil diante do mundo. Os investimentos vão gerar impactos positivos para o futuro da população brasileira, com avanços na formação profissional, na ciência e nas tecnologias voltadas para a saúde. Assim como os programas Agora Tem Especialistas e Farmácia Popular são iniciativas que ampliam o acesso da população a tratamentos, consultas, exames e medicamentos em todo o país, o lançamento de hoje irá ampliar o acesso de toda a população a tecnologias mais modernas na saúde. O mundo inteiro aprenderá a fazer pesquisa com o Brasil”, afirmou o presidente.

Para o ministro em exercício, Adriano Massuda, o projeto representa um momento histórico para a ciência, saúde e inovação. “Muito além de um conjunto de obras e laboratórios, estamos estruturando uma plataforma nacional de soberania tecnológica em saúde, capaz de conectar ciência e inovação com as necessidades concretas de saúde do povo brasileiro. Essas tecnologias permitirão ampliar a capacidade nacional, desenvolvimento científico de diagnóstico e tratamento de doenças que hoje desafiam a humanidade, como câncer, doenças cardiovasculares, por exemplo. Também teremos uma estrutura integrada voltada para terapias inovadoras, equipamentos estratégicos e diversas tecnologias para o SUS”, afirmou.

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Massuda também ressaltou a importância do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, que nasce de uma visão estratégica do governo de que saúde não é apenas uma política social, mas também representa desenvolvimento, inovação, capacidade produtiva e soberania nacional.

“Os investimentos ultrapassam R$ 600 milhões e demonstram que o governo voltou a acreditar na ciência, universidades, institutos de pesquisa e capacidade criativa do povo brasileiro. Estamos formando competências nacionais e fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde para que o Brasil deixe de ser apenas consumidor de tecnologia e passe a ser produtor de soluções estratégicas para o mundo. Durante muitos anos, o país conviveu com enorme dependência externa em áreas estratégicas para o SUS, como nos mostrou a pandemia. A resposta do governo foi reconstruir a capacidade do estado brasileiro de planejar o futuro. O SUS, que é a maior política social do país, também pode ser o maior motor de inovação e desenvolvimento nacional”, destacou o ministro.

O Complexo Arandus funcionará como uma plataforma avançada para acelerar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas em saúde, com pesquisas em áreas como biotecnologia, desenvolvimento de IFAs, diagnósticos, biofármacos e tecnologias aplicadas ao SUS. A iniciativa busca preencher lacunas históricas do país e preparar o Brasil para os desafios sanitários do futuro.

O Sirius, que recebe quatro novas estações de pesquisa (linhas de luz), é a maior infraestrutura científica já construída no Brasil. As novas linhas de luz, chamadas Sapucaia, Quati, Sapê e Tatu, vão ampliar a capacidade científica nacional em áreas como desenvolvimento de medicamentos, materiais avançados, petroquímica, telecomunicações, energia, saúde e infraestrutura.

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O CNPEM também desenvolve o Projeto Orion, primeira estrutura laboratorial de máxima contenção biológica da América Latina, voltada a pesquisas com patógenos emergentes, desenvolvimento de vacinas e terapias e preparação do país para futuras emergências sanitárias. O projeto já realiza programas inéditos de formação técnica e capacitação em biossegurança no Brasil.

Além disso, no Centro também está em desenvolvimento um equipamento nacional de ressonância magnética para extremidades, já contratado e com investimento superior a R$ 8,2 milhões, além da implantação de um acelerador de prótons para produção nacional de radiofármacos, com investimento de R$ 27,7 milhões.

Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde

O Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde representa uma estratégia estruturante do Governo Federal para transformar a capacidade científica brasileira em soberania tecnológica, capacidade produtiva e inovação orientada às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa busca posicionar o Brasil entre os países capazes de desenvolver tecnologias estratégicas em saúde, reduzindo dependências externas e fortalecendo a capacidade nacional de resposta diante de desafios sanitários presentes e futuros.

Nesse contexto, o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde busca ampliar a capacidade nacional de desenvolver medicamentos, equipamentos, terapias, vacinas e soluções voltadas à melhoria da qualidade de vida da população brasileira, além de impulsionar a indústria nacional da saúde, ampliar a produção de tecnologias estratégicas e fortalecer a segurança sanitária do país.

O programa está alinhado às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB) e às estratégias de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), contribuindo para consolidar uma política nacional de inovação voltada à autonomia tecnológica, ao desenvolvimento produtivo e à soberania nacional.

Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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