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A Enfermagem merece ser ouvida

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Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, sempre acreditei que política se faz com escuta e sensibilidade. Ao longo dos anos, conversando com profissionais da saúde em todo o estado, percebi algo que todos nós sabemos, mas muitas vezes deixamos de lado: os profissionais da enfermagem são a espinha dorsal do nosso sistema de saúde. E, mesmo assim, ainda lutam diariamente por reconhecimento, valorização e condições dignas de trabalho. Foi pensando nisso que propus a criação da Câmara Setorial Temática de Enfermagem, agora oficializada na Assembleia.

A história da enfermagem no Brasil é marcada por resistência, dedicação e evolução. Desde o trabalho pioneiro de Ana Néri, na Guerra do Paraguai, passando pela criação das primeiras escolas de enfermagem com inspiração no modelo de Florence Nightingale, essa profissão se consolidou como uma das mais essenciais para a vida humana. Hoje, o país conta com mais de 2,8 milhões de profissionais da enfermagem, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Eles representam mais de 60% da força de trabalho da saúde — e isso por si só já diz muito.

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Mas por trás desses números estão vidas que se doam todos os dias. São profissionais que atuam em hospitais, unidades básicas, ambulâncias, centros cirúrgicos, UTIs, áreas rurais e indígenas. Muitos enfrentam jornadas exaustivas, plantões noturnos, múltiplos vínculos de trabalho, além de riscos físicos e emocionais constantes. Um estudo recente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apontou que quase 70% dos profissionais de enfermagem no país sofrem com sintomas de estresse crônico ou burnout. Isso é alarmante — e precisa ser enfrentado com seriedade.

A pandemia de COVID-19 escancarou o que já sabíamos, mas que muitos ainda insistiam em ignorar. Enquanto o mundo parava, os profissionais de enfermagem seguiam firmes, enfrentando o desconhecido com coragem e empatia. Muitos adoeceram, alguns perderam a vida, outros nunca mais foram os mesmos. E mesmo diante disso tudo, seguiram cuidando. São heróis silenciosos, que muitas vezes trabalham sem o equipamento ideal, com salários defasados, sem descanso suficiente e com pouco amparo emocional.

A criação da Câmara Setorial Temática de Enfermagem é um passo concreto para mudar essa realidade. Nosso objetivo é ouvir diretamente esses profissionais, construir políticas públicas que dialoguem com suas necessidades reais, discutir carga horária, piso salarial, formação continuada e saúde mental. É preciso entender que investir na enfermagem é investir na saúde de todos nós.

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A enfermagem não pode mais ser tratada como coadjuvante. Ela é protagonista. Cuidar de quem cuida da gente é um compromisso que devemos assumir com seriedade, gratidão e responsabilidade. Essa Câmara é apenas o começo. Vamos caminhar juntos, ouvindo, propondo e transformando.

Max Russi

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

Fonte: ALMT – MT

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Wilson Santos quer apoio aos municípios e rigor na aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026 da educação infantil

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Após promover audiência pública para debater a aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026, que reconhece os profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) apresentou, nesta quarta-feira (24), em sessão plenária, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2026 com o objetivo de assegurar a efetivação dos direitos garantidos pela nova legislação em Mato Grosso.

A matéria proposta estabelece que os municípios deverão promover o devido enquadramento desses profissionais na carreira do magistério. Caso a legislação não seja cumprida, quando estiver em vigor, as contas anuais das prefeituras poderão ser reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). “Uma luta de décadas e temos que reconhecer todos os profissionais, independente da denominação, mas que atuam como professores na educação infantil, que deverão ser enquadrados como professores da rede municipal. O município que não o fizer, o Tribunal de Contas do Estado deverá reprovar as contas do prefeito. Essa será uma das penalidades com o descumprimento da lei quando estiver em vigor”, explicou o parlamentar.

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Além da PEC, o parlamentar apresentou ao Governo de Mato Grosso a Indicação nº 2.009/2026, propondo a criação do Programa Estadual de Apoio à Adequação dos Planos de Carreira da Educação Infantil. A iniciativa pretende oferecer suporte técnico aos municípios para a implementação da legislação federal, por meio de orientações, modelos normativos, capacitações e acompanhamento institucional, garantindo segurança jurídica e uniformidade na aplicação da norma.

Legislação – A Lei Federal nº 15.326/2026 alterou a Lei nº 11.738/2008, que institui o Piso Nacional do Magistério, e a Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), assegurando o reconhecimento dos profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica.

Com a mudança, passam a ser considerados profissionais do magistério aqueles que exercem atividades de docência ou de suporte pedagógico na educação infantil, desde que possuam formação em magistério ou curso superior e tenham ingressado por concurso público.

A legislação também beneficia trabalhadores que, em diversos municípios, ainda ocupam cargos com nomenclaturas como educador infantil, agente de desenvolvimento infantil, monitor, recreador e outras denominações equivalentes. Na prática, esses profissionais passam a ter direito ao enquadramento na carreira do magistério, ao piso salarial nacional, aos planos de carreira e às demais garantias previstas em lei.

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Apesar da vigência da norma federal, a Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Mato Grosso (FESSPMEMT) alertou, durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, que diversos municípios mato-grossenses ainda resistem à adequação da legislação. Segundo a entidade, a demora na implementação tem provocado insegurança jurídica, divergências administrativas e prejuízos aos profissionais da educação infantil.

A expectativa de Wilson Santos é de que as medidas legislativas propostas acelerem a adequação dos municípios, assegurando o cumprimento da legislação federal e a valorização dos profissionais que atuam na educação infantil em Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

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