ARTIGO

Recanto de fé e alegria

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*Kaene Almeida

O Distrito Sucuri, em Cuiabá, vibra de emoção. Nos preparativos finais para sua grande festa, nesta sexta-feira (19) e sábado (20), a emoção toma conta dos moradores que, pela 34ª vez, aguardam ansiosos tanto os visitantes que já conhecem este momento único de união, quanto aqueles que, pela primeira vez, irão desfrutar deste recanto de fé e alegria, que se entrelaçam na grandiosa Festa São João Batista e Nossa Senhora Aparecida.

O endereço permanece o mesmo: Chácara São João, na residência do senhor Cláudio Almeida e da senhora Marilene Almeida. Na simplicidade do campo, essa festa é um lembrete de que, nos momentos de alegria e nos momentos de dor, há sempre um santo protetor e uma mãe amorosa olhando por nós, guiando nossos passos e iluminando nossos corações.

Nesse festejo, as tradições dominam. A devoção é a base de tudo, algo tão marcante na alma do povo brasileiro, do povo cuiabano. Sob o manto estrelado do céu julino, ou o lindo céu azul iluminado pelo nosso sol majestoso, os corações são novamente carregados de desejos e esperança.

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É São João Batista, o santo precursor, que vem trazer sua bênção aos corações ardentes de fé. E é Nossa Senhora Aparecida, a Mãe do Brasil, para qual os devotos se curvam em agradecimento e súplica. É um momento de profunda comunhão, onde cada oração é um fio que tece a grande rede da fé.

Assim, entre reza cantada, lavagem de santo, missa, levantamento de mastro, apresentação de Siriri, animação de bandas regionais e o melhor da comida típica cuiabana, feita carinhosamente pelas mãos das melhores quituteiras da nossa capital, mais um ano se concretiza.

A anfitriã da festa, dona Marilene Almeida, personifica essa história com perfeição. Cuiabana de 68 anos, apaixonada pela gastronomia, nascida no Distrito de Sucuri, Marilene aprendeu a cozinhar muito cedo com sua mãe, a professora Elzira Cavalcanti, uma verdadeira mestre na cozinha. Seus dons culinários foram reforçados pela convivência com sua mãe do coração, a professora Maria Nunes.

Hoje, mantém toda tradição no seu “berço”. E é nele, com os pratos típicos cuiabanos, preparados com muito amor, que aguarda os festeiros deste ano. Galinha com arroz, Maria Izabel, paçoca de pilão, farofa de banana, feijão empamonado, o tradicional peixe cuiabano, o famoso escaldado. Tem de tudo.

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A verdade é que a cada ano que passa, essa celebração renova a alma e reafirma a essência de um povo que, apesar de todas as dificuldades, encontra na fé e na festa a força para seguir adiante. E é assim, desde o dia 18 de julho de 1988, quando nasceu uma das maiores festas culturais de Cuiabá, e é assim até hoje, passando de geração para geração.

A festa é para todos e de todos. Esperamos vocês lá.

 

*Kaene Almeida é cuiabana, gastróloga, nascida e criada no berço cultural da gastronomia cuiabana.

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OPINIÃO

Credibilidade não se negocia

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João Pedro é empresário e atua na Gestão Hospitalar em MT, MS e RO e PA
João Pedro é empresário e atua na Gestão Hospitalar em MT, MS e RO e PA

Por João Pedro

Eu não entrei no mercado médico por acaso. Entrei por observação. Em determinado momento, ficou claro para mim que muitos médicos enfrentavam dificuldade para acessar materiais de qualidade com rapidez e o suporte necessário. Aquilo não era apenas um problema pontual — era uma falha estrutural. E falhas, quando bem compreendidas, abrem espaço para quem está disposto a fazer diferente.

Sem vir da área da saúde, entendi desde o início que não bastava vender. Era preciso estudar, compreender os procedimentos e, principalmente, saber como gerar valor dentro da sala cirúrgica. Foi esse movimento que transformou uma oportunidade em especialização.

O começo não foi simples. A maior barreira era também a mais sensível: credibilidade. Em um ambiente onde não existe margem para erro, confiança não se constrói com discurso. Ela vem da presença, da consistência e da entrega — todos os dias, sem exceção.

Com o tempo, fui estruturando minha atuação em três pilares que sigo até hoje: agilidade, proximidade com o médico e curadoria técnica. Nunca fez sentido trabalhar com volume pelo volume. Sempre enxerguei mais valor em oferecer a solução certa, no momento certo. Naturalmente, a relação deixou de ser apenas comercial e passou a ser de parceria, dentro do próprio procedimento.

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Esse mercado exige que você jogue em duas frentes ao mesmo tempo: a técnica e a relacional. A técnica abre portas, mas é o relacionamento que sustenta. E a confiança, no fim, nasce de atitudes simples — estar presente quando importa, apoiar nos momentos críticos e nunca prometer além do que é possível cumprir.

Minha estratégia de crescimento seguiu essa lógica. Em vez de disputar por preço, optei por construir autoridade e fortalecer relações. Com o tempo, as indicações começaram a acontecer de forma natural — e, dentro desse setor, esse é provavelmente o ativo mais valioso.

Nem todas as decisões foram acertadas. Em algum momento, tentei competir apenas por preço e rapidamente entendi os limites dessa escolha. Foi quando passei a apostar em produtos mais tecnológicos e diferenciados que encontrei um caminho mais consistente de crescimento.

Nos bastidores, os maiores testes vieram com a imprevisibilidade da demanda. Manter a operação de pé, lidando com pressão financeira e emocional, exigiu maturidade e visão de longo prazo. Pensar em desistir aconteceu. Continuar, no entanto, foi uma decisão consciente.

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Com o amadurecimento, vieram também os processos, a padronização e uma gestão mais estruturada. Hoje, crescimento para mim está diretamente ligado à previsibilidade e ao fortalecimento das relações com clientes-chave.

Olhando para frente, o movimento do setor é claro: mais tecnologia, margens mais apertadas e uma exigência cada vez maior por resultado clínico. A tendência é que se destaquem aqueles que conseguem entregar uma solução completa — produto, suporte e logística funcionando de forma integrada.

É nesse grupo que quero estar. De forma consistente, com base sólida e crescimento sustentável.

Ser jovem ainda pode gerar alguma resistência, mas, no fim, o que sustenta qualquer posição nesse mercado são os resultados. E eles precisam falar por si.

Se eu tivesse que resumir tudo em uma ideia simples, seria essa: credibilidade não se constrói no discurso. Ela é consequência de presença, entrega e consistência. E, nesse mercado, isso não é diferencial — é requisito.

João Pedro é empresário e atua na Gestão Hospitalar em MT, MS e RO e PA. E-mail: [email protected]

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