OPINIÃO
Intraempreendedorismo na Advocacia: Uma Nova Perspectiva Para o Sucesso
No universo da advocacia, a palavra “empreendedorismo” geralmente evoca imagens de advogados visionários que erguem grandes escritórios. No entanto, há uma abordagem menos conhecida, mas igualmente relevante, que vem ganhando destaque: o intraemprendedorismo.
Apesar desse tema estar ganhando força no mercado de trabalho e em diversas áreas somente nos últimos anos, a definição de intraempreendedorismo surgiu há algumas décadas com Gifford Pinchot III, empreendedor, autor e inventor norte-americano. Em 1978, juntamente com sua esposa, Elizabeth Pinchot, ele escreveu um artigo no qual usou esse termo pela primeira vez. Alguns anos depois, em 1985, Pinchot se aprofundou nesse tema por meio do livro “Intraempreendedorismo: por que você não precisa deixar a corporação para se tornar um empreendedor”.
Na prática, no âmbito do mundo jurídico, intraempreender refere-se à capacidade dos profissionais do direito agirem como empreendedores dentro de uma organização estabelecida, buscando constantemente novas maneiras de inovar, criar valor e expandir seus negócios. Nem todos os profissionais almejam construir o seu próprio escritório do zero, muitos sonham em trabalhar junto com os grandes lideres que os inspiram e, por isso, buscam por oportunidades de crescimento dentro da estrutura de um escritório existente e consolidado no mercado.
Um exemplo inspirador que promove o intraempreendedorismo na advocacia é o caso do Dr. Nelson Wilians, um dos advogados mais respeitados do Brasil, fundador e CEO do maior escritório de advocacia da América Latina. Reconhecido por sua excelência jurídica, visão empreendedora e capacidade inovadora, ele frequentemente enfatiza a importância de sua equipe, declarando que “não somos um exército de um homem só”, uma afirmação que reflete a valorização de seus colaboradores e essa realidade é visível na trajetória de seus sócios. Muitos desses profissionais iniciaram como advogados júniores ou estagiários e, ao longo dos anos, ascenderam à sociedade. Um exemplo admirável é o próprio Vice-presidente da NW Group, Fernando Cavalcanti, que começou como estagiário na NW Adv e conquistou sua posição atual com muita dedicação e mérito. Esses casos ilustram claramente a meritocracia presente na NW, que estimula e valoriza o intraempreendedorismo.
Mas como identificar se o seu ambiente de trabalho incentiva o intraempreendedorismo?
É crucial, desde o início da jornada intraempreendedora, avaliar se o escritório valoriza genuinamente o seu capital humano e se realmente coloca em prática os valores que promove. Uma forma rápida e eficaz de fazer essa análise é observar os profissionais que ocupam cargos de liderança. Em sua maioria, foram promovidos ou contratados?
Outra indicação importante é o investimento do escritório na capacitação de seus colaboradores. Isso abrange desde treinamentos, cursos técnicos até programas de especialização, mestrado e doutorado. Quanto mais a empresa investe no desenvolvimento de sua equipe, mais demonstra sua confiança e interesse em mantê-la. Portanto, atente-se a isso! O crescimento profissional passa a ser uma consequência natural desse investimento.
Desde que me integrei à equipe da NW, pude perceber o compromisso do escritório com o desenvolvimento profissional de toda sua equipe. Semanalmente, são oferecidas capacitações em diversas áreas, proporcionando aos colaboradores a liberdade de escolha sobre quais participar. Além disso, o escritório investiu em uma plataforma própria, repleta de cursos em parceria com grandes universidades nacionais e internacionais. No entanto, o que mais me surpreendeu nesse contexto foi o foco na capacitação comercial, algo que foge completamente do senso comum para profissionais do direito. Lembro-me que um dos meus primeiros treinamentos, foi conduzido por um especialista da Disney, considerado um dos maiores experts na área de vendas. Durante essa sessão, foram compartilhados diversos insights valiosos sobre a criação de experiências memoráveis para os clientes e a realização de vendas de forma eficaz. São habilidades que, embora não sejam ensinadas na faculdade, são essenciais para prosperar na advocacia moderna e destacar-se no campo jurídico contemporâneo.
O investimento da empresa em sua equipe demonstra um claro compromisso com a excelência e contribui para a criação de um ambiente de trabalho estimulante e colaborativo, onde cada membro da equipe é incentivado a alcançar seu potencial máximo.
E como intraempreender se o escritório no qual você está inserido não compartilha dessa mesma visão?
Nesse cenário, será necessário buscar sua própria oportunidade, o que requer a adoção de uma série de práticas e atitudes que estimulem a inovação, o crescimento e a excelência na prestação de serviços jurídicos. Como sempre digo, não basta querer, você precisa fazer acontecer! E para isso, separei algumas sugestões — espero que goste — sobre o que é preciso fazer para intraempreender dentro da advocacia:
- Assuma a mentalidade de dono: Agir e pensar como se fosse o proprietário do negócio é fundamental. Isso significa tomar iniciativas, ter responsabilidade e buscar constantemente melhorias para o escritório. Por exemplo, propor estratégias para aumentar a eficiência operacional ou desenvolver novos serviços que atendam às necessidades dos clientes.
- Foque na solução, não no problema: Em vez de se deter nos obstáculos, concentre-se em encontrar soluções. Por exemplo, se um cliente apresenta um desafio complexo, em vez de se sentir sobrecarregado, busque alternativas viáveis e eficazes para resolver o problema.
- Desenvolva uma mentalidade empreendedora: Cultivar uma mentalidade empreendedora é essencial para identificar oportunidades e assumir riscos calculados. Esteja aberto a novas ideias, seja proativo na busca por oportunidades de crescimento e inovação. Por exemplo, participar de grupos de discussão sobre empreendedorismo jurídico ou ler livros e artigos sobre o tema.
- Identifique oportunidades de negócio: Esteja atento ao mercado e identifique lacunas ou necessidades não atendidas dentro da sua área de atuação. Por exemplo, se perceber uma demanda crescente por serviços de consultoria jurídica em determinado setor, considere desenvolver uma expertise nessa área para atender a essa demanda.
- Invista em educação e desenvolvimento profissional: Mantenha-se atualizado sobre as tendências do mercado jurídico participando de cursos, workshops e eventos relacionados ao empreendedorismo e à inovação na advocacia. Por exemplo, realizar cursos de especialização em áreas emergentes do direito ou participar de palestras sobre tecnologias disruptivas no campo jurídico.
- Estimule a colaboração e a criatividade: Promova um ambiente de trabalho colaborativo onde os membros da equipe se sintam incentivados a compartilhar ideias e propor soluções inovadoras. Por exemplo, organizar sessões de brainstorming para discutir novas abordagens para resolver problemas jurídicos complexos.
- Adote tecnologias e ferramentas digitais: Utilize ferramentas tecnológicas para aumentar a eficiência e a produtividade do seu trabalho jurídico. Por exemplo, implementar softwares de gestão de processos para acompanhar o andamento dos casos ou utilizar plataformas de automação para agilizar tarefas administrativas.
- Construa uma marca pessoal: Invista na construção de uma marca pessoal forte e reconhecível no mercado jurídico. Por exemplo, criar um site profissional onde você possa compartilhar sua expertise e experiência, participar ativamente nas redes sociais compartilhando conteúdo relevante e participar de eventos da área para aumentar sua visibilidade e credibilidade.
- Invista em seu networking: Estabeleça e mantenha relacionamentos profissionais sólidos com colegas de profissão, clientes e outros stakeholders do mercado jurídico. Por exemplo, participar de eventos de networking, integrar-se em grupos de discussão online e manter contato regular com antigos colegas de faculdade ou de trabalho.
- Busque parcerias estratégicas: Estabeleça parcerias com outros profissionais ou empresas que possam complementar seus serviços jurídicos e ampliar sua oferta para os clientes. Por exemplo, firmar parcerias com contadores, consultores financeiros ou empresas de tecnologia para oferecer soluções integradas aos clientes.
- Aprimore habilidades de gestão e liderança: Desenvolva habilidades de gestão e liderança para liderar sua equipe de forma eficaz, motivando e inspirando seus colegas a contribuírem para o sucesso do escritório ou da organização jurídica. Por exemplo, participar de cursos de liderança e gestão de equipes, buscar mentoria de profissionais experientes na área.
- Construa um funil de vendas: de todas as sugestões, essa é a iniciativa mais poderosa para impulsionar o crescimento de um escritório jurídico. Ter um profissional na equipe capaz de atrair bons clientes é um ativo valioso. A construção de funis de vendas na advocacia é uma estratégia crucial, pois, tanto online (através de redes sociais, blogs e sites de pesquisa), quanto offline (por meio de alianças estratégicas, indicações e outras interações do dia a dia), esses funis desempenham um papel fundamental em atrair, converter e fidelizar clientes.
O intraempreendedorismo desempenha um papel fundamental na transformação e no desenvolvimento contínuo do campo jurídico. Ao estimular os advogados a agirem como empreendedores dentro de suas organizações, promove-se uma cultura de inovação, criatividade, crescimento e busca por soluções inteligentes para os desafios enfrentados no dia a dia da prática jurídica. Essa perspectiva permite que os profissionais se destaquem em um mercado competitivo, e ainda contribui para o desenvolvimento e sucesso dos escritórios, tornando-os mais adaptáveis, resilientes e orientados para o futuro.
Athena Campos
Advogada e coordenadora estratégica NW Group
Por João Pedro
Eu não entrei no mercado médico por acaso. Entrei por observação. Em determinado momento, ficou claro para mim que muitos médicos enfrentavam dificuldade para acessar materiais de qualidade com rapidez e o suporte necessário. Aquilo não era apenas um problema pontual — era uma falha estrutural. E falhas, quando bem compreendidas, abrem espaço para quem está disposto a fazer diferente.
Sem vir da área da saúde, entendi desde o início que não bastava vender. Era preciso estudar, compreender os procedimentos e, principalmente, saber como gerar valor dentro da sala cirúrgica. Foi esse movimento que transformou uma oportunidade em especialização.
O começo não foi simples. A maior barreira era também a mais sensível: credibilidade. Em um ambiente onde não existe margem para erro, confiança não se constrói com discurso. Ela vem da presença, da consistência e da entrega — todos os dias, sem exceção.
Com o tempo, fui estruturando minha atuação em três pilares que sigo até hoje: agilidade, proximidade com o médico e curadoria técnica. Nunca fez sentido trabalhar com volume pelo volume. Sempre enxerguei mais valor em oferecer a solução certa, no momento certo. Naturalmente, a relação deixou de ser apenas comercial e passou a ser de parceria, dentro do próprio procedimento.
Esse mercado exige que você jogue em duas frentes ao mesmo tempo: a técnica e a relacional. A técnica abre portas, mas é o relacionamento que sustenta. E a confiança, no fim, nasce de atitudes simples — estar presente quando importa, apoiar nos momentos críticos e nunca prometer além do que é possível cumprir.
Minha estratégia de crescimento seguiu essa lógica. Em vez de disputar por preço, optei por construir autoridade e fortalecer relações. Com o tempo, as indicações começaram a acontecer de forma natural — e, dentro desse setor, esse é provavelmente o ativo mais valioso.
Nem todas as decisões foram acertadas. Em algum momento, tentei competir apenas por preço e rapidamente entendi os limites dessa escolha. Foi quando passei a apostar em produtos mais tecnológicos e diferenciados que encontrei um caminho mais consistente de crescimento.
Nos bastidores, os maiores testes vieram com a imprevisibilidade da demanda. Manter a operação de pé, lidando com pressão financeira e emocional, exigiu maturidade e visão de longo prazo. Pensar em desistir aconteceu. Continuar, no entanto, foi uma decisão consciente.
Com o amadurecimento, vieram também os processos, a padronização e uma gestão mais estruturada. Hoje, crescimento para mim está diretamente ligado à previsibilidade e ao fortalecimento das relações com clientes-chave.
Olhando para frente, o movimento do setor é claro: mais tecnologia, margens mais apertadas e uma exigência cada vez maior por resultado clínico. A tendência é que se destaquem aqueles que conseguem entregar uma solução completa — produto, suporte e logística funcionando de forma integrada.
É nesse grupo que quero estar. De forma consistente, com base sólida e crescimento sustentável.
Ser jovem ainda pode gerar alguma resistência, mas, no fim, o que sustenta qualquer posição nesse mercado são os resultados. E eles precisam falar por si.
Se eu tivesse que resumir tudo em uma ideia simples, seria essa: credibilidade não se constrói no discurso. Ela é consequência de presença, entrega e consistência. E, nesse mercado, isso não é diferencial — é requisito.
João Pedro é empresário e atua na Gestão Hospitalar em MT, MS e RO e PA. E-mail: [email protected]
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