Bolsistas participantes do Projeto Muxirum Digital destacaram como o desenvolvimento das atividades durante as aulas foi transformador tanto para os idosos atendidos quanto para os tutores. Com início em junho de 2025, o projeto, realizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), atendeu cerca de 180 pessoas e se prepara para a cerimônia de formatura de todos os alunos.
Para a execução do Projeto, a Seciteci, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), selecionou e capacitou 21 bolsistas para oferecerem letramento digital a idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Como é o caso da tutora Hozana Gonçalves, que coordenou as aulas do projeto no município de Santo Antônio do Leverger e agora evidencia o resultado positivo da iniciativa.
“Aqui em Santo Antônio foram 4 meses intensos e finalizamos com o aproveitamento 100%. Nós ensinamos para as pessoas sobre o meio digital e aprendemos com elas também. A questão do celular foi o nosso foco, mas o ambiente de aprendizado oportuniza muitas trocas”, destacou.
Hozana ainda explica que foi possível atender duas turmas, ampliando o alcance do projeto. “Por aqui conseguimos abrir duas turmas que tiveram um excelente aproveitamento. Como a maioria dos estudantes eram da zona rural, conseguimos uma parceria com o ônibus escolar que trazia os alunos para a escola, o que aumentou o comprometimento de todos”, completou ela.
Para o outro tutor que atuou no município, Gonçalo Lima, o projeto Muxirum Digital é um bom exemplo de valorização da cidade e tende a se consolidar no município.
“Foi uma experiência gratificante. Na minha turma, especificamente, foi um pouquinho mais diferente, tivemos três gerações, jovens, adultos e idosos Mas todos conectados com a vontade de aprender. A gente percebeu nos encontros como eles se orgulhavam de terem sido escolhidos para receber o projeto, relatou o professor.
Em Cuiabá, na região do CPA III, a tutora Regiane Borges também comemorou o sucesso do projeto. “Tivemos uma turma cheia do início ao fim das aulas, todas mulheres, curiosas para aprenderem e terem autonomia. Um sentimento que também nos motivava, porque trabalhar com idosos é uma troca, ensinar, mas também aprender”, ressaltou.
Ainda segundo Regiane, ao final do curso, algumas idosas a procuraram para contar que haviam comprado um novo aparelho. “É muito gratificante ouvir das alunas que eles compraram um celular novo, porque o antigo não possuía as funções que elas aprenderam aqui. São pessoas que tinham medo de utilizar o celular e agora procuram por um mais moderno”, enfatizou Regiane.
No encerramento do polo no CPA III, o presidente do bairro, Lucas Mota, agradeceu ao Governo do Estado pela realização do projeto na região. “Para mim, que escuto diariamente as demandas das pessoas aqui do bairro, é a maior satisfação ver a alegria no olhar dos idosos e ver a Seciteci trazendo esse tipo de trabalho para dentro da nossa comunidade, é gratificante”, frisou a liderança.
Muxirum Digital
Com investimento de R$ 390 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), o Muxirum digital é uma iniciativa da Seciteci, semelhante ao Mais MT Muxirum + Alfabetização, comandado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), para alfabetizar adolescentes e adultos que não aprenderam na idade certa.
A fase piloto do projeto foi realizada nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger, onde ocorreram aulas semanais e acompanhamento contínuo dos participantes.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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