Tribunal de Justiça de MT
Cejusc de Rondonópolis e Diretoria Regional de Educação articulam expansão da Justiça Restaurativa
Publicado em
26 de março de 2026por
Da Redação
O fortalecimento da cultura de paz nas escolas estaduais da região Sudeste de Mato Grosso ganhou um novo impulso nesta terça-feira (24 de março). O juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Rondonópolis, Wanderlei José dos Reis, reuniu-se com a diretora regional de Educação, Andreia Cristiane Oliveira, para juntos traçarem estratégias de aplicação efetiva e célere dos Círculos de Construção de Paz no ambiente escolar da rede estadual de ensino em Rondonópolis e em 14 municípios vizinhos, com benefício a milhares de alunos.
O encontro, classificado como muito frutífero, focou na viabilização técnica para que as práticas da Justiça Restaurativa alcancem o maior número possível de unidades escolares ainda neste semestre. Durante a reunião, foram apresentadas propostas para otimizar o fluxo de atendimento às demandas da educação e garantir que os facilitadores já capacitados pelo Judiciário mato-grossense tenham o suporte necessário para realizar as intervenções e manter seu vínculo com essa política pública.
“A nossa ideia é a implantação das ações da política restaurativa o mais depressa possível, por isso estamos buscando as parcerias institucionais. O Cejusc está pronto para protagonizar essa transformação, oferecendo as ferramentas necessárias para que o diálogo social prevaleça sobre o conflito”, destacou o juiz Wanderlei Reis.
A diretora regional de Educação, Andreia Cristiane Oliveira, reforçou a importância da parceria com o Judiciário para a melhoria do clima escolar.
“Estamos unindo forças com o NugJur e o Cejusc para trabalhar a construção da paz nas escolas por meio da Justiça Restaurativa, utilizando a metodologia dos Círculos de Construção de Paz como ferramenta viabilizadora. Este trabalho intersetorial busca melhorar o clima nas nossas unidades, e hoje tivemos uma reunião bem produtiva nesse sentido, com alinhamento de ideias para um novo projeto, visando a ampliação das ações dos Círculos”, afirmou a diretora.
Sob a coordenação do juiz Wanderlei Reis, o Cejusc de Rondonópolis tem sido o motor da Justiça Restaurativa na região sudeste do estado. A unidade já acumula um histórico sólido de parcerias com a rede estadual e municipal de ensino.
Formação de facilitadores
Nos últimos anos, o Cejusc de Rondonópolis capacitou mais de 100 profissionais da educação (diretores, coordenadores e professores) para atuarem como facilitadores de Círculos de Construção de Paz, garantindo autonomia às escolas no enfrentamento da violência no ambiente escolar.
Encontros estratégicos
Somente no início de 2026, o movimento “Educação e Paz” reuniu presencialmente centenas de educadores na Delegacia Regional de Ensino e no Plenário do Tribunal do Júri, e de maneira remota para outros 14 municípios, para alinhar o uso da Justiça Restaurativa como alternativa às punições disciplinares tradicionais e obter um ambiente escolar mais pacífico.
Combate ao bullying
O Cejusc de Rondonópolis tem promovido palestras, proferidas pelo juiz coordenador Wanderlei José dos Reis, preparando profissionais da área educacional para o enfrentamento ao bullying e à violência nas escolas, utilizando a escuta afetiva para restaurar vínculos rompidos.
Com as novas ideias debatidas na reunião de ontem, a busca pelas soluções será intensificada, com novas reuniões entre o Cejusc e a Diretoria Regional de Educação e a Secretaria de Estado de Educação. O objetivo é que a filosofia restaurativa não seja apenas um evento isolado, mas uma política pública perene inserida no cotidiano das escolas estaduais e na mente dos educadores no seu dia a dia, promovendo um ambiente de acolhimento e segurança para alunos e servidores.
Autor: Assessoria
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude
Published
2 meses agoon
9 de agosto de 2026By
Da Redação

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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