A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) realizou 46 operações da Lei Seca e prendeu 364 condutores por embriaguez ao volante em Mato Grosso, durante o mês de maio, no âmbito da campanha Maio Amarelo. A iniciativa tem como objetivo promover a conscientização sobre a segurança no trânsito e a redução de acidentes.
As ações integradas ocorreram nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Garças, Nova Mutum e Alta Floresta.
Ao todo, foram realizados 6.476 testes de alcoolemia e removidos 1.759 veículos, entre carros e motocicletas. Também foram multados 759 condutores por dirigirem sob o efeito de álcool e 230 por se recusarem a realizar o teste do bafômetro.
Além disso, seis pessoas foram presas por adulteração de sinais identificadores de veículos, quatro por cumprimento de mandados de prisão e uma por porte ilegal de arma de fogo.
Como parte da campanha Maio Amarelo, a Sesp também participou da Operação Nacional, realizada entre a noite de sexta-feira (30.5) e a madrugada de sábado (1º.6). A ação ocorreu simultaneamente em oito municípios de Mato Grosso, com a atuação de 463 agentes de segurança pública e de fiscalização de trânsito.
Nesta operação nacional, foram aplicados 1.019 testes de alcoolemia e removidos 272 veículos. No total, 76 pessoas foram presas por embriaguez ao volante, além de 166 condutores multados por dirigir sob o efeito de álcool e 51 por se recusarem a fazer o teste.
Ações educativas Como parte das iniciativas da campanha Maio Amarelo, a Sesp promoveu uma ação educativa também em sua sede, com o objetivo de orientar e conscientizar os servidores sobre a importância da Operação Lei Seca e as consequências da direção sob o efeito de álcool, utilizando simuladores e equipamentos de realidade virtual. A ação destacou ainda os riscos de acidentes, as penalidades previstas em lei e a importância da responsabilidade no trânsito para preservar vidas.
O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) também realizou ações educativas durante todo o mês, com o objetivo de valorizar a vida e incentivar a adoção de comportamentos seguros nas vias urbanas e rurais. As principais ações realizadas ao longo do mês foram: Amigo da Rodada, pit stops educativos, pedal em alusão ao mês de conscientização e palestras em empresas privadas e escolas.
No interior, as ações foram realizadas pelas Ciretrans de Alto Garças, Alto Araguaia, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Canarana, Jaciara, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Santa Rita do Trivelato, São Félix do Araguaia, Sinop, Sorriso, Tabaporã e Tangará da Serra.
A coordenadora do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Sesp, tenente-coronel Monalisa Furlan, enfatizou a importância das ações educativas e de segurança pública para melhorar a segurança viária e reduzir os sinistros de trânsito.
“O número crescente de veículos em circulação exige ações firmes e contínuas. Em seis anos, a frota de Mato Grosso cresceu mais de 30%, passando de pouco mais de 2,1 milhões, em 2019, para aproximadamente 2,8 milhões em 2025. Esse aumento reforça a importância de conscientizar, fiscalizar e educar. As operações da Lei Seca são fundamentais para salvar vidas, e a vertente educativa tem sido prioridade: estamos nas ruas não apenas para fiscalizar, mas para transformar comportamentos e promover uma cultura de responsabilidade no trânsito”, afirmou.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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