A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apoia a realização do 17º Congresso Brasileiro de Hansenologia, que, neste ano, é sediado em Cuiabá entre os dias 17 e 23 de setembro. A solenidade de abertura do evento ocorreu na noite desta quinta-feira (21.09), no Hotel Deville, com destaque para o tema da edição: “avanços e desafios após 150 anos do descobrimento do bacilo Hansen”.
O Congresso é realizado pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e voltado a gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), trabalhadores da Saúde e para a sociedade civil organizada. A agenda reforça a posição combativa da SES frente à hanseníase, ao estimular o debate e enfrentamento à alta incidência da doença no estado.
“O Estado de Mato Grosso, por meio da Escola de Saúde Pública, apoiou este evento justamente por entender a relevância deste tema. O nosso estado é hiperendêmico para hanseníase e enfrentamos essa realidade com uma política ativa de detecção de novos casos. Diagnosticando muito, nós realmente teremos muitos casos, mas ganharemos tempo e força para mudarmos essa realidade”, avaliou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
Em Mato Grosso, foram diagnosticados 2.507 casos de hanseníase em 2020; 2.106 em 2021; 2.421 em 2022 e 2.763, entre janeiro e agosto de 2023.
“Nunca perderemos a esperança de avançarmos na luta que abraçamos, que é vencer a hanseníase e, mais do que isso, dar dignidade àquela criança que está vivendo em restrições porque o pai ou a mãe foram tirados de seu trabalho devido a uma doença conhecida e tratável. Deixo o meu apelo: nós somos todos contra a hanseníase. Vamos seguir transformando esse cenário, valorizando a ciência e não o mundo anedótico”, destacou o presidente da SBH, Marco Andrey Cipriani Frade.
De acordo com a diretora da Escola de Saúde Pública de Mato Grosso, Silvia Tomaz, o Estado preconiza a política de detecção da hanseníase com a capacitação de novos médicos hansenólogos. Nesta semana, foram formados 19 médicos especialistas.
“A Escola de Saúde Pública de Mato Grosso assume o seu papel na formação de novos especialistas, uma instituição-escola do SUS. E assim foi o cumprimento dos nossos objetivos. Podemos dizer que, hoje, estão representados novos especialistas em hansenologia em 14 regiões do estado e isso já faz a diferença”, destacou.
A representante do departamento de Atenção às Doenças Transmissíveis na Atenção Primaria do Ministério da Saúde, Magda Levantezi, parabenizou a dinâmica do evento e os resultados obtidos em Mato Grosso.
“Temos presenciado um Congresso inovador e de sucesso, que nós almejamos. Nós acompanhamos a apresentação dos trabalhos dos novos hansenólogos, que vão estar em campo [atendendo à população]. Essa é uma das estratégias da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde e isso nos alegra muito”, avaliou.
A médica e secretária municipal de Saúde de Lucas do Rio Verde, Fernanda Heldt Ventura, foi uma das formandas em hansenologia pela Escola de Saúde Pública. No evento, ela também representou o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems-MT).
“É muito gratificante ver esse grande passo que o nosso estado deu. Nós fomos para vários lugares, presenciamos juntos diversas situações, e juntos nós vamos combater essa doença. O nosso propósito é o diagnóstico precoce, o incentivo à pesquisa, que possamos fazer o diagnóstico tendo como base mais exames disponíveis, que nós tenhamos os medicamentos necessários e que possamos ser ouvidos”, disse a especialista.
Já o presidente do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hasneníase (Morhan), Francisco Faustino Pinto, fez um relato sincero sobre a realidade das pessoas que vivem a doença.
“As pessoas afetadas pela hanseníase são bem mais do que pés, mãos, olhos, nervos, bacilos. Elas têm que ser vistas integralmente, elas têm que ser vistas como seres que não são uma doença negligenciada, mas sim pessoas que ainda são negligenciadas, infelizmente”, explicou.
Ainda estiveram presentes no evento a secretária adjunta Executiva da SES-MT, Kelluby de Oliveira; a representante do Ministério da Saúde, Sandra Durães e o consultor nacional em tuberculose e hanseníase da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), Kleydson Andrade.
Diagnóstico
O diagnóstico e tratamento inicial dos pacientes com hanseníase são realizados nas Unidades Básicas de Saúde de cada município. Para os atendimentos de alta complexidade, o Estado dispõe do Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac) e do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), que ofertam atendimento especializado aos pacientes com incapacidade física.
Além dos repasses financeiros convencionais que a SES realiza para manutenção dos serviços da Atenção Primária à Saúde, a secretaria ainda transfere mensalmente o valor de R$ 10 mil para cada um dos municípios de Alta Floresta, Barra do Garças, Juara, Juína, Tangará da Serra e Várzea Grande; o recurso é destinado aos Ambulatórios de Atenção Especializada Regionalizados (AAER), que dão suporte aos serviços voltados ao tratamento da hanseníase.
A SES também capacitou, nos últimos quatro anos, mais de quatro mil profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) que atendem pacientes com a doença no Estado.
O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta segunda-feira (21.6), durante reunião com o prefeito Adilson Gonçalves e vereadores, em Barra do Garças, a construção de um Hospital Regional no município.
Como encaminhamento, a Prefeitura terá prazo de 60 dias para apresentar o terreno e a documentação da área destinada à unidade. Após essa etapa, o Estado deve iniciar os projetos técnicos e avançar para a fase de licitação.
“Para mim, é muito importante anunciar a construção de um Hospital Regional que vai atender 13 municípios dessa região. É uma região que é raiz de Mato Grosso, onde muita coisa começou e que teve papel na formação do Estado que temos hoje. Nada mais justo do que trazer esse investimento, que vai fortalecer a saúde e a qualidade de vida da população daqui”, afirmou o governador.
“O prefeito ficou de nos apresentar o terreno e o documento da área até o dia 22 de agosto. A partir daí, nossa equipe entra para iniciar os projetos e avançar no processo, com expectativa de publicar a licitação ainda este ano”, completou.
O governador também destacou o modelo de organização da saúde no Estado e a atuação conjunta com os municípios.
“Estamos estendendo esse atendimento a todas as regiões do Estado, com consórcios e parcerias diretas com as prefeituras, para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública de saúde”, disse.
O prefeito Adilson Gonçalves destacou a pressão sobre a rede municipal de saúde e o impacto da nova unidade.
“A região representa um avanço muito grande. Hoje trabalhamos com mais de 95% de ocupação no hospital municipal, já ampliamos leitos e a UPA também está superlotada. Atendemos municípios de diversos estados, entre eles Goiás. Esse hospital chega em um momento muito importante”, destacou.
Ele ressaltou ainda o alcance populacional da região.
“Temos cerca de 150 mil pessoas nos municípios da região, além de uma população flutuante muito grande, com estudantes e fluxo turístico ao longo do ano”, disse.
Também participaram da reunião o deputado federal Fábio Garcia, os deputados estaduais Dr. Eugênio e Chico Guarnieri, e vereadores de Barra do Garças.
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