Reeducandos de três unidades do Sistema Penitenciário de Mato Grosso estão entre os Estudantes Nota 10 da rede estadual de educação, conforme a Avaliação Formativa de Saída do Sistema Estruturado de Ensino (SEE).
Receberam a nota máxima sete reeducandos e reeducandas, sendo quatro da unidade masculina de Vila Rica, duas da cadeia feminina de Nortelândia e um da Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis .Os dados avaliados são referentes ao ano de 2023.
Para concorrer à premiação, o estudante deve se comprometer com a presença escolar e ter frequência mínima de 85% em cada uma das disciplinas, até a data da avaliação. Além disso, o estudante precisa ter nota mínima de 6, calculada a partir da sua proficiência na avaliação, baseada no desempenho dos estudantes em todas as escolas que compõem a rede pública estadual.
O secretário de Estado de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira, parabenizou o empenho da equipe de educação e o compromisso dos policiais penais em colaborar com a educação no Sistema Penitenciário, que auxilia também no processo de ressocialização.
A premiação do Estudante Nota 10 é dividida em três etapas: escolar, regional e estadual. Na etapa escolar, são premiados os melhores estudantes de cada turma.
No caso dos reeducandos, a premiação, aparelhos celulares e fones de ouvido, serão entregues a familiares indicados pelos premiados.
O diretor da cadeia de Vila Rica, Rivelino Pereira, destaca o empenho dos servidores da unidade e dos professores para que os reeducandos conseguissem chegar a esse resultado.
“Esse processo de ressocialização é possível através da educação, onde podemos transformar e mudar o comportamento e o modo de pensar de uma pessoa. E quando alcançamos um resultado positivo isso é gratificante a sensação de dever cumprido e de que estamos no caminho certo”, .
A pedagoga do Núcleo de Educação do Sistema Penitenciário de Mato Grosso, Lucimar Poleto, pontua que o resultado é fruto do trabalho realizado pelas equipes nas unidade penais, professores, diretores e policiais penais, que contribuem por entender a importância do acesso à educação para a reintegração social das pessoas privadas de liberdade.
“Para nós, do Núcleo de Educação, é muito gratificante receber essa notícia de que temos alunos Nota 10 pela dedicação aos estudos e frequência. Eles merecem o reconhecimento da Secretaria de Educação e são exemplos para os demais, pontuou a pedagoga.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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