A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, na manhã desta quinta-feira (4.12), um mandado de busca e apreensão contra um homem, de 30 anos, em Rondonópolis, como parte da Operação Castelo de Cartas, deflagrada pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul para desarticular um grupo criminoso especializado em fraudes financeiras.
Além dos dois estados, foram cumpridos mandados no Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo.
Em Rondonópolis a ordem judicial foi cumprida por uma equipe da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) em um condomínio fechado localizado no bairro Vila Planalto. O alvo e a esposa, de 33 anos, já haviam sido investigados em uma operação anterior da Polícia Federal.
Durante a ação em Rondonópolis, foram apreendidos um notebook, um Onix, três iPads, um monitor Asus, três telefones celulares, 17 cartões bancários, R$ 1.850 em espécie, dois cadernos com anotações, dois cheques em nome de terceiros, cada um no valor de R$ 4.500, 10 itens dourados, entre correntes e pulseiras, um relógio com caixa da marca Rolex, entre outros pertences de alto valor.
As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada e contínua, aplicando golpes vinculados a falsas “cartas de crédito contempladas”, além de promover negociações ilícitas de veículos.
Com apoio técnico do Lab-LD/Dracco, Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, foi identificado prejuízo superior a R$ 1,5 milhão às vítimas.
Também foi constatado que o núcleo operacional sediado no Mato Grosso do Sul mantém conexão direta com investigados do estado de Rondônia, alguns dos quais já haviam sido alvos da Operação Carga Prensada, deflagrada pela Polícia Federal em 2021, relacionada a crimes como tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.
A apuração revelou ainda inúmeras transações bancárias realizadas por meio de contas de terceiros, incluindo familiares e empregados, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem dos valores ilícitos.
A Operação Castelo de Cartas tem como foco o bloqueio, localização e apreensão de bens e valores visando ao ressarcimento das vítimas. Para garantir o retorno integral dos prejuízos, a Polícia Civil representou pela apreensão de veículos, bens de alto valor, imóveis e pelo bloqueio de mais de R$ 7,5 milhões, montante cinco vezes superior ao prejuízo inicialmente identificado.
Após manifestação do Ministério Público, o Poder Judiciário decretou o bloqueio de R$ 7.524.805,40 dos investigados.
A ação integra a 3ª Operação Renorcrim, realizada no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas, promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi/Senasp).
As buscas nos demais estados contaram com apoio operacional das seguintes unidades especializadas da Polícia Civil: Draco 2 da PCRO, DRP e Derf de Rondonópolis da PCMT, Draco da PCDF, Dig e Deic de Presidente Prudente da PCSP, Draco e Deic de Baldeário Camboriú da PCSC.
O nome da operação, Castelo de Cartas, faz referência à frustração das vítimas, que acreditavam estar realizando o sonho da casa própria, mas foram enganadas por uma estrutura criminosa tão instável quanto um castelo de cartas.
As ações seguem em andamento sob coordenação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) do Mato Grosso do Sul.
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop (a 500 km de Cuiabá) condenou, na quarta-feira (26 de agosto), Leonardo dos Santos Pires e Hailton Viana de Paula pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e organização criminosa. As penas aplicadas aos dois réus somam mais de 67 anos de reclusão. O Conselho de Sentença acolheu a tese sustentada em plenário pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), representado pelo promotor de Justiça Herbert Dias Ferreira. As condenações foram fixadas em regime inicial fechado, com determinação de execução imediata das penas. Apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, Leonardo dos Santos Pires foi condenado a 33 anos, nove meses e 11 dias de reclusão, além de 10 dias-multa. Os jurados reconheceram que, além de participar do homicídio qualificado, ele exercia função de comando na organização criminosa. O condenado já acumula mais de 262 anos de penas impostas pela Justiça por outros crimes, incluindo homicídios praticados em Sinop. Já Hailton Viana de Paula foi condenado a 33 anos, nove meses e 12 dias de reclusão, além de 10 dias-multa. Na sentença, a juíza presidente do Tribunal do Júri, Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, destacou a gravidade dos fatos e considerou, na dosimetria da pena, a idade da vítima, que era menor de 18 anos.
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