Ministério Público MT

Integração entre órgãos amplia proteção às vítimas de violência

Publicado em

O programa MP por Elas, iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que integra o projeto Diálogos com a Sociedade, promoveu nesta quinta-feira (17) uma reflexão sobre a importância da atuação integrada das instituições no combate à violência contra a mulher. Com o tema Da Lei à Proteção: O Papel das Redes de Enfrentamento”, a entrevista contou com a participação da promotora de Justiça auxiliar da Corregedoria-Geral da Procuradoria-Geral de Justiça, Regilaine Magali Bernardi Crepaldi, e da analista assistente social do MPMT, Renata de Paula Teixeira.Durante o programa, as entrevistadas destacaram que, embora o Brasil possua uma das legislações mais avançadas para a proteção das mulheres, a efetivação dos direitos previstos em lei depende do funcionamento articulado das redes de enfrentamento e atendimento.Ao comentar os índices de feminicídio registrados em Mato Grosso, a promotora Regilaine Crepaldi alertou para a gravidade do cenário e ressaltou que a legislação, por si só, não é suficiente para impedir a violência. “Hoje nós já estamos com a marca de 26 feminicídios. Isso representa a perda de mães, filhas, irmãs e mulheres que deixam famílias inteiras marcadas pela violência. Esses números mostram que apenas a lei não resolve o problema. É preciso um conjunto articulado de ações para garantir que essa proteção se concretize”, afirmou.A assistente social Renata Teixeira explicou que a violência contra a mulher é um fenômeno complexo e multidimensional, exigindo a atuação conjunta de diferentes órgãos e serviços públicos. “Somente por meio da construção em rede conseguimos desenvolver ações efetivas de prevenção, enfrentamento e assistência às mulheres em situação de violência”, destacou.Durante a entrevista, as especialistas esclareceram conceitos que frequentemente geram dúvidas na população. Segundo Renata, a rede de enfrentamento é formada por instituições governamentais, não governamentais e pela sociedade civil organizada, que unem esforços para combater a violência contra a mulher. “Entre os integrantes dessa rede estão o Ministério Público, Poder Judiciário, Segurança Pública, CRAS, CREAS, conselhos de direitos, unidades de saúde e demais serviços de assistência social”.Já a promotora Regilaine explicou que a rede de atendimento corresponde à estrutura especializada voltada diretamente ao acolhimento e acompanhamento das vítimas. “A rede de atendimento é mais especializada, formada por serviços como Delegacia Especializada da Mulher, Promotorias especializadas, Espaço Caliandra e Salas Lilás. Podemos dizer que ela é o coração da rede de enfrentamento”, ressaltou.A promotora também destacou a importância dos grupos reflexivos para homens autores de violência, previstos na Lei Maria da Penha, como ferramenta para promover mudanças de comportamento e prevenir novos episódios de agressão.Portas de entrada para buscar ajuda – outro ponto abordado foi o acesso das mulheres aos serviços de proteção. As entrevistadas reforçaram que a delegacia não é a única porta de entrada para quem busca ajuda.Conforme explicou Renata Teixeira, os primeiros atendimentos podem ocorrer tanto em serviços especializados quanto em estruturas da rede socioassistencial e de saúde, como hospitais. “O fundamental é que a mulher seja acolhida de forma adequada, sem julgamentos, com profissionais preparados para identificar riscos e orientá-la sobre seus direitos”, afirmou.Regilaine Crepaldi destacou que muitas vítimas enfrentam medo, vergonha e isolamento impostos pelos próprios agressores, o que torna essencial a existência de múltiplos canais de atendimento. “Saber que ela pode procurar o CRAS, o CREAS, o Ministério Público ou a Defensoria Pública amplia as possibilidades de acesso à proteção e facilita o rompimento do ciclo de violência”, observou.Integração evita revitimização – as entrevistadas também alertaram para os prejuízos causados quando os órgãos atuam de forma isolada. Segundo Renata, a falta de comunicação entre os serviços gera fragmentação do atendimento e pode provocar a revitimização da mulher, que precisa relatar repetidamente experiências traumáticas.Para a promotora, a integração da rede permite um atendimento mais eficiente e humanizado. “Quando os órgãos conversam entre si, as informações circulam de maneira adequada e a mulher não precisa reviver continuamente situações dolorosas. Isso fortalece a proteção e garante um acompanhamento mais efetivo”, explicou.Iniciativas fortalecem a proteção – o programa também apresentou exemplos de ações que vêm fortalecendo as redes de enfrentamento em Mato Grosso. Entre elas, a Rede de Frente, em Barra do Garças, que atua com capacitação, pesquisas e ações educativas; a Patrulha Maria da Penha, em Várzea Grande, responsável pelo monitoramento do cumprimento das medidas protetivas; e o Projeto Gaia, desenvolvido pelo Ministério Público para diagnosticar e fortalecer as redes de proteção nos municípios mato-grossenses.

Leia Também:  Promotoras debatem desafios da Política Nacional de Cuidados

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Tribunal do Júri aplica 46 anos de prisão por tentativa de feminicídio

Published

on

Após mais de 12 horas de julgamento no Tribunal do Júri da Comarca de Primavera do Leste, Marcos Eduardo Moura da Silva foi condenado a 46 anos, 9 meses e 17 dias de reclusão, em regime fechado, por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Stella Naianny Rodrigues Brito, duas lesões corporais praticadas contra ela no contexto de violência doméstica e familiar e tentativa de homicídio qualificado contra David Rodrigues Barthiman da Silva.O julgamento, realizado no dia 16 de julho e a atuação do Ministério Público de Mato Grosso no (MPMT) plenário foi conduzida pela promotora de Justiça Tessaline Higuchi, que sustentou a acusação perante o Conselho de Sentença. Ao final do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e a materialidade dos crimes e acolheram as qualificadoras apresentadas pela acusação.Conforme apurado pelo Ministério Público, o réu não aceitava o fim do relacionamento de aproximadamente oito anos com Stella Naianny Rodrigues Brito. Após o término, ocorrido em abril de 2025, ele passou a praticar agressões contra a ex-companheira. Em um dos episódios, atingiu a vítima com um capacete. Dias depois, voltou a agredi-la no local de trabalho, com tapas, puxões de cabelo e outras agressões, sendo contido por colegas. Diante da escalada da violência, a vítima obteve medidas protetivas de urgência.Mesmo ciente das determinações judiciais, Marcos Eduardo descumpriu as medidas protetivas. Na noite de 12 de abril de 2025, ele foi até a residência onde Stella estava morando com familiares e aguardou sua saída. Quando a vítima se aproximou de uma motocicleta conduzida por David Rodrigues Barthiman da Silva, o acusado atacou os dois com uma arma branca. David foi golpeado pelas costas, enquanto Stella sofreu perfurações na região do abdômen. As vítimas foram socorridas rapidamente e submetidas a procedimentos cirúrgicos que impediram a consumação dos homicídios.Na sentença, a juíza presidente do Tribunal do Júri, Luciana Braga Simão Tomazetti, registrou que os jurados reconheceram a tentativa de feminicídio praticada em contexto de violência doméstica, bem como as circunstâncias de o crime ter sido cometido em descumprimento de medida protetiva, contra mãe de criança e na presença da avó da vítima. Também foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima na tentativa de homicídio contra David Rodrigues Barthiman da Silva.Além da pena de prisão, a Justiça fixou indenização por danos morais de R$ 30 mil em favor de Stella Naianny Rodrigues Brito e de R$ 10 mil para David Rodrigues Barthiman da Silva. O réu não poderá recorrer em liberdade.O julgamento representa mais um importante passo no enfrentamento à violência contra a mulheres e contou com a presença das vítimas e de seus familiares. Importante ressaltar que as vítimas e seus familiares receberam apoio da psicóloga do Núcleo de Defesa da Vida de Primavera do Leste durante a sessão plenária”, comentou a promotora de Justiça.

Leia Também:  Aula magna de formação é realizada em Mirassol D Oeste

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA