Mato Grosso
Asfaltamento de rodovias redesenha competitividade de Mato Grosso
Publicado em
1 de abril de 2026por
Da Redação
Por décadas, produzir e industrializar em Mato Grosso sempre foram sinônimos de vencer distâncias. O Estado que se consolidou como celeiro do Brasil também carregava um peso invisível: a logística. Agora, essa equação começa a mudar.
O asfaltamento das rodovias estaduais deixou de ser apenas infraestrutura e passou a operar como motor de competitividade. Com mais de 7 mil quilômetros de asfalto previstos até 2026, o dobro de tudo o que havia sido construído em mais de dois séculos, Mato Grosso troca a imprevisibilidade das estradas pela lógica da eficiência e do planejamento.
O impacto não está apenas na fluidez do tráfego, mas na forma como a indústria mato-grossense passa a operar. Com mais de 6,1 mil quilômetros de asfalto novo já entregues e outros mil em execução, dentro de um pacote superior a R$ 13,4 bilhões em investimentos desde 2019, Mato Grosso começa a encurtar o que o setor produtivo chama de “distância econômica”, aquela medida invisível que pesa no custo do frete, no tempo de entrega e na capacidade de planejamento.
Mas os avanços não se resumiram ao asfaltamento das rodovias estaduais, passando também pela implantação da primeira ferrovia estadual do país, à solução história da BR-163, a principal artéria para escoar a produção agrícola do país, e à estadualização da antiga BR-174, hoje MT-170, ligando Castanheira a Colniza.
Com esses investimentos, o que muda na prática é a lógica do negócio. Na FS Bioenergia, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, a melhoria das rodovias já se traduz em ganho operacional direto. A redução do tempo de viagem e, principalmente, da variabilidade do trânsito, diminui custos com combustível, manutenção e desgaste da frota, ao mesmo tempo em que aumenta a frequência de viagens e reduz a necessidade de estoques elevados.
É uma mudança silenciosa, mas decisiva: menos capital parado, mais eficiência no giro e maior previsibilidade na expedição de etanol e coprodutos.
Esse novo ambiente logístico também redefine a viabilidade de expansão industrial. A própria empresa aponta que a pavimentação é fator determinante para garantir o fluxo contínuo de insumos e produtos em novas unidades, eliminando gargalos sazonais que, até então, comprometiam a operação em períodos de chuva ou de pico de safra. A infraestrutura, nesse contexto, deixa de ser um risco e passa a ser variável controlável na equação de investimento.
“Infraestrutura reduz incertezas de escoamento, melhora a segurança operacional e a equação de viabilidade de projetos, fatores necessários para planos de expansão e construção, como a nova planta de Campo Novo do Parecis. Além de mitigar riscos de eficiência, esses investimentos geram efeitos indiretos positivos ao longo da cadeia, estimulam o desenvolvimento de uma rede local de prestadores de serviços logísticos e fortalecem o ecossistema agroindustrial do Estado”, argumenta a FS, em comunicado institucional enviado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.
O efeito se repete em cadeias distintas. No setor mineral, a Nexa Resources observa que a melhoria da infraestrutura no Noroeste do Estado, região historicamente marcada pelo isolamento, reposiciona Mato Grosso como uma nova fronteira de mineração.
Segundo o gerente-geral da unidade da Nexa Resources, em Aripuanã, Evandro Figueiredo, as melhorias estruturais elevam o Estado a um novo patamar de competitividade ao reduzir gargalos logísticos e proporcionar maior previsibilidade no escoamento da produção ao longo de todo o ano.
“Esses avanços contribuem para a otimização de custos, ampliam a segurança no transporte e fortalecem toda a cadeia produtiva regional, reforçando a viabilidade econômica e o potencial do setor mineral no noroeste do Estado”, afirma.
Já no setor sucroenergético, a leitura é de reorganização territorial. A abertura e asfaltamento de corredores logísticos, como as MTs 247 e 246, não apenas reduzem custos de frete, mas redesenham conexões entre polos produtivos, fornecedores e mercados consumidores.
Na indústria de etanol, energia, biodiesel e açúcar Barralcool, em Barra do Bugres, isso significa acesso mais competitivo à região Oeste e melhor integração com fornecedores e clientes, criando um ambiente mais eficiente para produção e distribuição.
Para o diretor executivo da empresa e presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, essa transformação vai além da logística imediata. A expansão do asfalto reduz o isolamento de regiões inteiras, melhora o acesso à mão de obra, amplia a circulação econômica e eleva o nível de confiança para novos investimentos. A indústria, que antes precisava compensar ineficiências estruturais, passa a operar com maior capacidade de planejamento, condição essencial para expansão de capacidade, instalação de novas unidades e atração de fornecedores.
“A expansão da malha asfaltada reduz custos, melhora a segurança logística e permite entregas com mais agilidade. Isso cria um ambiente mais favorável ao investimento e à produtividade”, pontua Silvio Rangel.
Intermodalidade em escala
Se o asfalto resolve o acesso e garante capilaridade, a ferrovia entra como vetor de escala. Mato Grosso avança na implantação da primeira ferrovia estadual do país, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, e também a Cuiabá, um eixo que atravessa o coração produtivo do Estado e o integra aos principais corredores de exportação.
A primeira fase, entre Rondonópolis e Dom Aquino, já atingiu 85% de execução e deve ser concluída ainda este ano, com investimento estimado em R$ 5 bilhões. O trecho inclui um terminal com capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, estrategicamente localizado próximo à BR-070. Trata-se de uma infraestrutura pensada para operar em sinergia com a malha rodoviária, não como substituta, mas como complemento.
É essa integração que muda o jogo. Enquanto as rodovias garantem capilaridade e abastecimento, a ferrovia assume o transporte de longa distância, onde o custo por tonelada é significativamente menor. Para a indústria, isso significa acesso mais competitivo a portos e grandes centros consumidores, além de maior estabilidade no fluxo logístico.
Na visão do diretor comercial da Rumo, Diogo Velloso, o impacto vai além da logística e se conecta ao desenvolvimento regional.
“Investir em logística é impulsionar o desenvolvimento. Esse novo terminal já nasce com alta capacidade e vai ampliar a competitividade do estado, além de gerar empregos e conectar a produção mato-grossense aos mercados globais com eficiência”, ressalta.
No caso da FS, a expectativa é de ampliação da competitividade do etanol de milho e do DDG produzido no Estado, especialmente em rotas de média e longa distância. A combinação entre rodovia pavimentada e ferrovia cria um sistema mais resiliente, capaz de reduzir gargalos, diluir riscos e manter o fluxo de expedição constante mesmo diante de oscilações sazonais.
Mais do que resolver um problema logístico, Mato Grosso começa a construir uma vantagem estrutural. A formação de uma malha multimodal, integrada e eficiente, reposiciona o estado como um polo industrial competitivo, capaz de agregar valor e atrair investimentos. No fim, o que está em curso não é apenas a pavimentação de estradas, mas de um novo ciclo econômico.
Fonte: Governo MT – MT
Ministério Público MT
MP apura falhas no fornecimento de energia elétrica em Sorriso
Published
7 horas agoon
6 de outubro de 2026By
Da Redação
A 3ª Promotoria de Justiça Cível de Sorriso instaurou procedimento preparatório de inquérito civil para apurar a adequação, regularidade, continuidade, segurança e qualidade do serviço público de distribuição de energia elétrica prestado pela Energisa Mato Grosso Distribuidora de Energia S.A. no município. A medida foi adotada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas diante de indícios que apontam possíveis falhas na prestação do serviço, incluindo oscilações de tensão, interrupções no fornecimento de energia, apagões, além de questionamentos sobre a capacidade da infraestrutura elétrica para atender ao crescimento da cidade.A investigação teve como um dos fundamentos manifestação encaminhada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Associação Comercial e Empresarial de Sorriso (ACES), que relataram episódios recorrentes de oscilações de energia e quedas de fornecimento em diferentes regiões do município. Segundo os relatos, as ocorrências teriam causado impactos em sistemas de informática, equipamentos eletrônicos, terminais de pagamento, serviços de internet e atividades comerciais, com registros de prejuízos econômicos e danos a equipamentos. O procedimento também inclui a apuração de um grave acidente ocorrido em 28 de setembro de 2026, na Avenida Natalino João Brescansin, quando a explosão de um transformador atingiu o cidadão Marcos Vinícius da Silva, que sofreu queimaduras graves e posteriormente faleceu. O Ministério Público pretende esclarecer as condições de funcionamento, manutenção e operação do equipamento envolvido no episódio. Com a instauração do procedimento, a Energisa deverá apresentar uma série de informações técnicas e operacionais relacionadas ao fornecimento de energia em Sorriso, incluindo dados sobre interrupções, oscilações de tensão, reclamações de consumidores, pedidos de ressarcimento, manutenção da rede e investimentos realizados ou planejados para o município. Entre as medidas determinadas pelo promotor de Justiça está a aplicação de um formulário eletrônico que será divulgado pela CDL e pela ACES entre comerciantes e empresários de Sorriso. O objetivo é levantar informações sobre a frequência das quedas e oscilações de energia, duração das interrupções, danos causados a equipamentos, perdas de mercadorias, dificuldades enfrentadas nas atividades comerciais e eventuais prejuízos financeiros. O questionário também buscará identificar a qualidade do atendimento prestado pela concessionária, a existência de pedidos de ressarcimento e a disponibilidade de documentos que possam comprovar os danos relatados. As informações coletadas servirão para dimensionar os impactos das falhas no fornecimento de energia e auxiliar na formação de um diagnóstico técnico sobre a situação do serviço no município.Clique aqui e acesse o formulárioAlém das requisições à concessionária, o Ministério Público determinou o envio de ofícios ao Procon Municipal, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil, bem como a realização de avaliações técnicas independentes para verificar a qualidade da energia fornecida à população. As diligências têm como finalidade reunir elementos que permitam avaliar a necessidade de novas providências, inclusive a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta ou o ajuizamento de medidas judiciais cabíveis para assegurar a prestação adequada do serviço e a proteção dos consumidores. Foto: Prefeitura de Sorriso
Fonte: Ministério Público MT – MT
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