Cuiabá

Abril Azul: entre o amor e a luta, mães atípicas expõem desafios e reforçam a importância de políticas públicas em Cuiabá

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Vinicius Ferreira | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá

O mês de abril ganha um significado ainda mais especial com a campanha Abril Azul e a celebração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, neste dia 2. Mais do que iluminar prédios e promover homenagens, a data convida a sociedade a olhar com sensibilidade para a realidade de milhares de famílias atípicas, especialmente das mães, que vivem diariamente entre o amor incondicional e os desafios constantes.

Para Emmylly Estevam, 24 anos, mãe atípica, a rotina é marcada por intensidade emocional e resiliência. “Ser mãe atípica é aprender a viver um dia de cada vez, com o coração sempre dividido entre o medo e o amor. É tentar entender o mundo do seu filho e, ao mesmo tempo, ensinar o mundo a entendê-lo”, relata.
Ela descreve um cotidiano que exige desacelerar, respeitar o tempo da criança e valorizar conquistas que, muitas vezes, passam despercebidas por outras pessoas. “É chorar escondido, mas também sorrir como se fosse a maior conquista do universo. Só quem vive sabe como realmente é”, completa.
O diagnóstico do filho, Pedro Estevam, 4 anos, segundo Emmylly, trouxe sentimentos mistos. “Veio o medo de como o mundo seria para ele, mas também trouxe respostas. A partir dali, eu consegui entender melhor as necessidades dele e buscar ajuda adequada. É difícil, são muitas terapias, mas eu sei que é o melhor para ele”, afirma.
Apesar da força dessas mães, a caminhada se torna ainda mais difícil quando falta rede de apoio. “Sem apoio, é carregar tudo sozinha: o cuidado, as decisões, o cansaço. Rede de apoio não é luxo, é necessidade”, enfatiza.
Leis que representam reconhecimento
Em Cuiabá, o avanço de leis voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido um importante passo para garantir direitos e visibilidade. Para Emmylly, essas iniciativas vão além do papel. “Quando o município cria programas, organiza atendimentos e pensa nas famílias, está dizendo que nós não somos invisíveis”, pontua.
Nos últimos anos, o Legislativo cuiabano tem aprovado uma série de leis que buscam ampliar a inclusão e o acesso a serviços. Entre elas, estão a instituição do Abril Azul no calendário oficial, programas de atendimento especializado nas escolas, a criação do selo “Pessoa com Autismo a Bordo”, campanhas sobre diagnóstico tardio e iniciativas voltadas ao suporte das mães atípicas.
A vereadora Maysa Leão (Republicanos), presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal, reforça, no entanto, que ainda há muito a avançar.
“Infelizmente, no dia 2 de abril de 2026, há pouco a comemorar. Ainda lutamos para que todas as crianças tenham acesso à escola com suporte adequado, para que jovens estejam no mercado de trabalho e para que adultos tenham atendimento digno”, afirma.
Segundo ela, um dos principais gargalos é o acesso ao tratamento. “Hoje, não existe terapia específica para autistas adultos na rede pública. Isso é uma realidade dura e que precisa mudar”, alerta.
Representatividade e políticas públicas
A atuação parlamentar também tem buscado ampliar a representatividade e dar visibilidade à causa. O vereador Rafael Ranalli (PL) destaca a importância de iniciativas que garantam inclusão no cotidiano.
“Essas pessoas e suas famílias precisam se sentir representadas. Criamos leis como a obrigatoriedade de aceitação de alimentação específica nas escolas e o selo de identificação para veículos. São ações que impactam diretamente a vida dessas famílias”, explica.
Já a vereadora Samantha Iris (PL) chama atenção para o cuidado com quem cuida. Autora da lei que institui a Semana da Maternidade Atípica, ela defende políticas públicas voltadas também às mães.
“A gente fala muito da criança, mas pouco da mãe, que carrega a maior parte do cuidado. Essa semana foi pensada justamente para acolher essas mulheres, oferecer suporte e reconhecer essa dedicação diária”, destaca.
Ela também é autora de uma lei que garante a elaboração de uma ficha técnica no ato da matrícula escolar, reunindo informações essenciais sobre o comportamento e as necessidades da criança autista, medida que já começa a impactar positivamente a rede de ensino.
Mais que conscientização, ação
O Abril Azul vai além da conscientização. Ele evidencia a urgência de políticas públicas efetivas, que garantam diagnóstico, tratamento, inclusão escolar, oportunidades no mercado de trabalho e suporte às famílias.
Enquanto avanços acontecem no campo legislativo, mães como Emmylly seguem enfrentando, todos os dias, uma jornada silenciosa, mas repleta de amor, coragem e resistência.
“É um caminho difícil, mas profundamente cheio de amor. E quando a gente encontra apoio, tudo muda. A vida da criança, da mãe e da família inteira muda”, finaliza.
Leis sobre o Autismo em Cuiabá
Rafael Ranalli (PL)
– Lei nº 7.458/2026 – Institui o mês “Abril Azul” no calendário oficial de Cuiabá, dedicado à conscientização sobre o TEA.
– Lei nº 7.279/2025 – Cria o Programa de Atendimento Especializado a crianças e adolescentes com deficiência nas escolas municipais.
– Lei nº 7.275/2025 – Institui o selo “Pessoa com Autismo a Bordo” no município.
Lei nº 7.254/2025 – Institui a campanha “Autismo Tardio” em Cuiabá.
Maysa Leão (Republicanos)
– Lei nº 7.144/2024 – Dispõe sobre a realização de censo para diagnóstico de crianças e jovens com TEA matriculados nas escolas municipais.
– Lei nº 6.836/2022 –  Determina a publicização do fluxograma da jornada do paciente com autismo na rede municipal.
Samantha Iris (PL)
– Lei nº 7.377/2025 – Obriga a elaboração de ficha técnica com informações comportamentais de estudantes com TEA no ato da matrícula.
– Lei nº 7.244/2025 – Institui a “Semana da Maternidade Atípica” no calendário oficial de Cuiabá.
Luiz Fernando 
– Lei nº 7.085/2024 – Cria o Programa de Terapia Nutricional para pessoas com TEA no município.
Lilo Pinheiro
– Lei nº 5.973/2015 – Estabelece a primeira semana de abril como a Semana de Conscientização sobre as necessidades das pessoas com autismo.
Ricardo Saad 
– Lei nº 6.538/2020 – Institui a caminhada em prol da conscientização do autismo em Cuiabá.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Vereadora reafirma posicionamento à favor da vida

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Débora Inácio | Assessoria da vereadora Michelly Alencar 
Durante a sessão ordinária desta quinta-feira (23), a vereadora Michelly Alencar (União Brasil) fez um pronunciamento marcado por convicção, emoção e clareza de princípios ao reafirmar seu posicionamento contrário ao aborto.
Em sua fala, a parlamentar destacou que sua atuação no Legislativo é guiada por valores inegociáveis e pela defesa da vida desde a sua concepção.
“Eu não abro mão daquilo em que acredito. Minha voz é pela vida”, afirmou ao se posicionar de forma firme diante do tema debatido em plenário.
Michelly ressaltou que entende a sensibilidade do assunto, mas reforçou que seu compromisso é com aquilo que acredita ser o correto.
“Estamos aqui para representar a população, mas também para ter coragem de defender princípios, mesmo quando são temas difíceis”, pontuou.
A vereadora também trouxe à tona sua fé e seus valores como base de suas decisões, destacando que sua postura reflete não apenas uma posição política, mas um propósito de vida. “Defender a vida é, para mim, uma missão”, declarou.
Ao final, Michelly reafirmou que seguirá conduzindo seu mandato com coerência, responsabilidade e firmeza, especialmente em pautas que envolvem valores fundamentais da sociedade.
ENTENDA
O posicionamento ocorreu após a assinatura de uma moção de repúdio, assinada por vereadores e encaminhada ao Senado Federal, contra a nomeação de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Registros apontam que, como chefe da Advocacia-Geral da União, ele representou o governo em ações no Supremo Tribunal Federal e defendeu posições jurídicas ligadas a direitos fundamentais e políticas públicas, incluindo casos que envolvem direitos reprodutivos.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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